Publicado em Lectio Humana-Divina

A nova evangelização «em saída»: a Boa Nova, de novo, nas praças!

[Leitura] Ne 8, 1-4a. 5-6. 7b-12; Lc 10, 1-12

[Meditação] Na descrição de Neemias, a proclamação da Palavra na praça para todo o povo tinha uma relação direta com o banquete familiar alegre que incluía os pobres. Era esta ligação a larga fronteira dos muros de Jerusalém, onde a caridade não ficava de fora.

Perguntemo-nos: nesta era, que já se começa a chamar de pós-cristã, até quando faremos da mesa da Palavra uma “música de fundo” para uns tantos que de assembleias que se reúnem passam a clubes de pessoas que meramente se autocontemplam amados por Deus.

O Evangelho não tem fronteiras e a sua força chama-se caridade. Por isso, a resposta ao mesmo implica ativar os braços para a oração, pedindo a Deus muitos operários, e as pernas, calcorreando a Sua grande vinha, muito para além das “nossas” fronteiras.

Antes que muitos homens e mulheres do nosso tempo possam aparecer nas nossas assembleias, alguém terá de sair ao seu encontro a levar-lhes a mensagem de consolação que Deus dirigiu a todos. Só assim, a nossa comunhão eucarística será verdadeira e (progressivamente) plena comunhão com Deus!

[Oração] Sal 18 B (19)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Seguir-Te-ei muito para além de um peddy-paper!

[Leitura] Ne 2, 1-8; Lc 9, 57-62

[Meditação] Seguir Jesus Cristo, humanamente, pode sempre assemelhar-se a uma aventura de “peddy-paper”, no sentido de que se é convidado a aceitar, pelo próprio pé, a desempenhar um preciso papel no Seu projeto . Por isso, faz sentido a oração que acima comungamos com Francisco de Assis. Seguir Jesus Cristo será sempre uma imitação de Cristo, quanto às suas palavras e modos de vivenciar a mensagem salvífica.

Na história da Igreja, independentemente dos carismas ou caminhos por que tenham seguido Jesus alguns homens e mulheres, a Sequela Christi apresenta-se com alguns elementos comuns do caminho aberto por Jesus para o qual os dons do Espírito Santo (carismas) convergem e não dispersam, novamente: como se fosse num “peddy-paper”, onde se sai do mesmo ponto de partida − o Batismo − e onde se quer chegar à mesma meta − o Reino de Deus − embora possamos percorrer esse caminho apoiados por diversos grupos ou modos de pertença.

É bom lembrar que a Igreja, de tempos a tempos, tem a necessidade de calibrar esta pertença, através do debate sobre a relação entre os dons hierárquicos e carismáticos para a vida e missão da Igreja (CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Iuvenescit Ecclesia). Porque a pertença, em definitivo, não é a este ou àquele carisma, mas ao horizonte do qual vimos e ao qual voltaremos: Deus. Francisco de Assis foi um destes seres humanos que surpreenderam a história vulgar dos homens, para os restituir à santidade original do Evangelho. Sim, o extraordinário não foi inventarem uma ordem religiosa! Foi, mais do que isso, de uma forma nova, o repropor a vivência do Evangelho sem os esquemas de pertença ao mundo, pactuando com aquela revolução de amor (REVO⌋UTION) fundada por Jesus Cristo. Nesta revolução, os papéis a viver pelo próprio pé não dispensam o despojamento de si, para se encher de Deus, até transbordar…

[Oração] (ver imagem)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Anjos da Guarda em ponto de cruz

[Leitura] Zac 8, 1-8; Ex 23, 20-23a; Mt 18, 1-5. 10

[Meditação]  A existência dos Anjos da Guarda é uma questão, para nós, misteriosa. Já a sua relação connosco é uma consequência do Mistério Pascal, ou seja, da morte e ressurreição de Jesus. Na verdade, não poderiam estar acima do Espírito do Pai e do Filho, mas na sequência e ao serviço do mistério salvífico.

Cada vida humana pode ser considerada uma tela onde vai sendo tecida a sua originalidade, numa imagem à semelhança com o seu Criador. Os Anjos da Guarda não seriam precisos se não houvesse nada ou ninguém para guardar! Então, eles ajudam a preencher um vazio daquele tecido com o exorcismo (entendido como elemento do Batismo) de uma pequenina cruz, de maneira a não haver espaço para o poder do mal.

Resta-nos imitar os Anjos, sendo irmãos verdadeiros uns dos outros, já que, no Filho Unigénito, somos filhos adotivos do Pai, no Espírito Santo. Isso é possível utilizando as “asas” da humildade e do acolhimento, a começar pelo favor aos mais pequeninos da sociedade de hoje!!

[Oração] Orações ao Anjo da Guarda:

Santo Anjo do Senhor
meu zeloso guardador
já que a ti me confiou
a piedade Divina:
hoje e sempre me governa,
rege, guarda e ilumina.
Ámen.

Ou:

Anjo da Guarda,
minha companhia,
guardai a minha alma
de noite e de dia.

 

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Que todas as nossas ações tenham o adjetivo de “obedientes”!

[Leitura] Ez 18, 25-28; Filip 2, 1-11; Mt 21, 28-32

[Meditação] A obediência cristã é a que, sujeita a um discernimento da realidade humana iluminado pela Palavra de Deus, se concretiza por uma decisão que tende a aproximar-se do cumprimento da vontade de Deus. Esta, por vezes, pode pedir-nos, aquém do respeito humano, alguma ação que pareça “desobediência obediente”, ou seja, um adjetivo com o bem possível substantivado.

Não se trata de uma obediência cega, como aquela do segundo filho da parábola que, ignorando as forças humanas contraditórias, se apressa a prometer o que não pode. A obediência, sem a ponderação das forças humanas para assumir a vontade de Deus, não passa de um substantivo com um mau adjetivo, ou seja de uma “obediência desobediente”.

Deste jogo de palavras, resulta claro que o “credo dominical” que os cristãos professam no Dia do Senhor tem de passar a ser “confessado” diariamente, em cada ação, como “credo ferial”. É assim a vinha do Senhor: uma atividade ferial (do quotidiano), de uma Vontade expressa e acolhida festivamente (ao Domingo!). O trecho da Carta aos Filipenses inspira-nos que tudo o que for superior aos respeitos humanos e tudo o que for inferior à vontade de Deus coloca o crente no caminho do mal (ainda que seja menor). Ao contrário, considerar tudo o que é humano e iluminá-lo com a vontade de Deus, é caminhar ao encontro do bem (ainda que seja só o possível). Na verdade, como sugere o profeta Ezequiel, o justo que praticou a virtude pode vir a cair e o pecador que pecou pode vir a fazer o bem.

O que é determinante para o testemunho cristão não é tanto a discrepância entre o que dizemos e o que fazemos (haverá sempre alguma na nossa condição de errantes), mas a manifestação de fé firme no empenho de amor em favor dos irmãos.

[Oração] Sal 24 (25)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Formação Sacerdotal, Integração Psico-Espiritual

A unidade dos presbíteros na unidade da Igreja: um tributo à complementaridade

Hoje, o Card. Carlo M. Martini (em Come Gesù gestiva il suo tempo) faz-me compreender como a unidade de vida (interior e exterior) dos presbíteros, à luz do Decreto Presbyterorum ordinis, não pode realizar-se sem a unidade da Igreja. O sucesso de uns sempre esteve ligado à compelentaridade da comunhão da Igreja, de forma interdependente.

Pergunto: não estará a acontecer na Igreja o que se passa com a crise que invade as nossas famílias? A amalgama de ideologias − incluindo alguns “ensaios” de espiritualidade − que, de dentro e de fora, influenciam a vida social em que se procura incarnar a vida da fé têm uma força fragmentarizadora da qual ainda não seremos capazes rapidamente de dar conta e de minimizar os seus danos (quer para os padres, quer para as comunidades).

Em vez de nos debruçarmos com entusiasmo is0lado a experimentar espiritualidades (frequentemente as que dão resposta imediata aos problemas humanos), deveríamos (a meu aviso humilde, mas contundente do que fere a unidade) fazer ensaios de complementaridade, para que alguém possa vir a colher frutos não só de uma entrega feliz de consagração em favor dos outros, mas também de comunidades vivas que não fiquem somente apegadas às varandas do “sempre assim se fez” a ver passar os andores de lamentações pelos danos causados pela falta de unidade. Esta não é um “credo” de alguns , mas proposta para todos os que se declaram cristãos.

Para quando adiaremos o atrevimento da mudança. Quanto mais tempo demorarmos a entender que a distância é só (de uns e de outros, incluindo instituições) da unidade querida por Cristo, mais adiamos a possibilidade de uma experiência feliz de Igreja a caminho do Reino. Num tempo em que escasseiam as vocações: famílias, escusais de ficar à varanda a ver procissões de andores… não haverá presbíteros para os presidir. Contrariamos esta tendência?!

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Quem é como este Deus forte que cura?

[Leitura] Dan 7, 9-10. 13-14; Ap 12, 7-12a; Jo 1, 47-51

[Meditação] Nesta pergunta, contemplamos as três funções dos arcanjos que hoje celebramos. Na verdade, estes três mensageiros ajudam-nos a contemplar os três atributos mais importantes de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Embora pela Sagrada Escritura saibamos da existência de mais anjos (cf. Tob 12, 15; Ap 8, 2), estes são maiores, certamente, porque cada um à sua maneira nos fazem contemplar uma das Pessoas da Santíssima Trindade:

Em S. Miguel, “quem como Deus”, somos chamados a acreditar que não há mais ninguém acima do Pai.

Em S. Gabriel, “a força de Deus”, somos chamados a caminhar nos passos do Filho.

Em S. Rafael, “a cura de Deus”, somos chamados a acolher a consolação do Espírito Santo.

Que esta proteção não nos deixe ficar parados, mas atentos aos que nos rodeiam, capazes de partilhar nas diversas situações do viver humano os dons que Deus coloca à disposição de cada um de nós.

[Oração] Sal 137

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Da situação à “sorte”, o convite a pensar bem o sentido da humanidade

[Leitura] Ag 1, 1-8; Lc 9, 7-9

[Meditação] Quem é o Homem? Deve ter sido a pergunta que Herodes fez em relação à Pessoa de Jesus, diante dos factos que ouvia em relação a Ele. Apesar de O procurar ver, o seu pensamento acerca de Jesus, porém, estava limitado à forma como lidou com os que O anunciaram.

A profecia de Ageu mostra-nos a importância de pensar bem cada situação, antes de se subir o monte à procura de alguma “sorte”. O sucesso verdadeiramente importante para a vida não vem tanto da riqueza da forma humana, quanto da eloquência da graça divina. Prova-o a “madeira” que o Senhor sugere para a construção do templo, para que o povo não desconsidere a complacência manifestada em favor da sua situação em que Ele quer mostrar a sua glória.

Numa tentativa de resposta à mesma pergunta de Herodes (“Quem é o homem?”), Abraham J. Heschel sugere que «nenhum problema autêntico resulta de uma mera curiosidade; é o produto de uma situação; apresenta-se nos momentos de dificuldade, de desconforto intelectual, de tensão, de conflito, de contradição». A existência humana é que se se faz problemática, requerendo respostas e obrigando a tomar posições, o que não se leva a cabo de forma esporádica, mas comummente no quotidiano desejo da busca de autenticidade. Admiração e maravilha, frustração e desilusão, o negativo e o vazio, são binómios por entre os quais é feita essa busca pela qual o ser humano é convidado a superar-se no assumir de desafios tais como: a liberdade de realizar-se, a convivência com os outros e a necessidade de um significado global.

Para compreender o significado da existência humana e avaliar a sua urgência, devemos examinar aquela situação com todas as suas dificuldades, com todas as suas tensões que a acompanham, devemos manter a memória do seu início doloroso, do aspeto problemático com que se manifestou, dos sentimentos contrastantes que suscitou, da necessidade profunda de fazer-lhe frente, das preocupações nutridas. Se o problema é humano e nós queremos conhecê-lo e comunicá-lo, então, devemos sair da condição puramente subjetiva e exprimir as nossas incertezas, as nossas contradições, as nossas tensões, mediante termos lógicos: mediante palavras.

Falar do mistério da Pessoa e do mistério do Homem é uma aproximação à situação concreta vivida pelo ser humano, de modo a ajudá-lo a encontrar o seu significado, procurando não o defraudar com uma inadequada concetualização do mesmo.

[Oração] Sal 149

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo