Itinerância, proximidade e discrição são procedimentos do Evangelho que cura

[Leitura] Job 7, 1-4. 6-7; 1 Cor 9, 16-19. 22-23; Mc 1, 29-39

[Meditação] Fez-me pensar quem afirmou que sem pobres o Evangelho deixa de ter destinatários… o que é um convite para nos assumirmos como pobres do Evangelho e, nele, aprendamos a ser ricos para os outros!

Entre a paciência “impaciente” de Job diante de Deus e a confiança gratuita de Paulo diante do Evangelho, vamos ao encontro da verdadeira identidade de Jesus Cristo que Marcos nos continua a ajudar a aprofundar nestes domingos do Tempo Comum. Hoje, vemos claramente que Jesus não se desvia nunca da prioridade que é curar quem está doente, mesmo que para isso tenha de quebrar regras sociais citadinas (não esquecer que a sogra de Simão morava numa cidade) que rapidamente fizeram chegar à porta daquela casa uma multidão de doentes.

Fugindo do perigo da vanglória sempre eminente nas possessões demoníacas eufóricas, sai de manhãzinha cedo (imagino que seja uma hora preterida pelos demónios!), para, num sítio ermo, se unir à Fonte que O ilumina. Todos O procuram… mas o seu programa de Bom Pastor não se cinge à cidade. É preciso ir também fora, onde não chega a publicidade da salvação.

Está neste Evangelho o argumento que levou o Papa Francisco a sugerir, no n.º 25 d’A Alegria do Evangelho, o «estado permanente de missão». O Santo Padre insiste que esta identidade de Jesus Cristo descrita por Marcos deve ser a mesma dos cristãos e da Igreja, para que, no perigo da autorreferencialidade, não se desvie da sua missão. Uma Igreja que não caminhe ao encontro dos pobres e dos fracos ou doentes deixa de estar ligada ao Evangelho de Jesus Cristo, por mais que se afirme estar ligada a Ele através do cumprimento de leis e da celebração de ritos.

[Oração] Sal 146 (147)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A cura humana depende do diálogo com/sobre o mal

[Leitura] 2 Sam 15, 13-14. 30: 16, 5-13a; Mc 5, 1-20

[Meditação] No IV domingo do tempo comum, vimos como a Sabedoria de Deus presenta em Jesus repreende e manda calar o sofrimento daquele homem aprisionado por um espírito impuro. Nesta segunda-feira desta IV semana, o mesmo evangelista narra-nos um outro episódio em que é uma Legião de espíritos a aprisionar outro homem; e mesmo esta possessão não passa despercebida ao Filho de Deus que veio salvar a humanidade de todos os males.

Como se verifica no relato, a atitude de Jesus, diante dos males que assolam a humanidade, é a da autoridade mediada pela compreensão e o diálogo, precisamente, com o mal que atormenta a pessoa. Não é assim que fazem os médicos, tentando apurar as causas da dor dos seus pacientes? Como não haveria de ser assim com os que sofrem de males racionais e espirituais?  Porque haverão os confessores e diretores espritiuais partir para o conselho sem escutar os reais problemas que oprimem as pessoas crentes?

Pois, a postura de Jesus é a da compreensão e não a rotulação do mal, para que a pessoa saia ilesa e não danificada pelo mal. O seu poder faz com que o mal “se prostre” diante d’Ele , que é Resposta terapêutica. Penso que também podemos ir até Jesus, uma vez que somos todos frágeis, não com respostas (frequentemente acríticas e rotuladoras), mas com perguntas, na tentativa de encontrarmos n’Ele a resposta que confere sentido ao nosso viver, com e apesar do sofrimento, de cujos maiores danos Ele nos quer salvar.

[Oração] Sal 3

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

É a sabedoria do Evangelho que nos ajuda a calar as falsas teorias!

[Leitura] Deut 18, 15-20; 1 Cor 7, 32-35; Mc 1, 21-28

[Meditação] Não é infrequente ouvirmos falar do descarte de pessoas por parte de instituições civis e religiosas, quando as mesmas pessoas não cumprem o requisito pressuposto por essas instituições, como se o mistério das pessoas e, até, o sucesso dessas instituições estivesse num conjunto inflexível de pré-requisitos. Assim funcionavam os escribas e vejam como foram postos à prova, na Sinagoga, diante da nova doutrina de Jesus.

A autoridade de Jesus não se impunha, mas atraía o coração dos simples que se admiravam com a sua nova doutrina, não porque não era séria, mas porque prometia melhor ajudar a conjugar o mistério do ser humano que as leis fechadas da autoridade judaica. É curioso que neste sábado 27 de janeiro celebrámos o 73º aniversário da libertação de Auschwitz com o intitulado Dia Internacional da Memória do Holocausto. A humanidade, mesmo conquistando o conhecimento com bravura, nem sempre o soube propor em favor da vocação universal da humanidade. E, como dizia Cícero, “Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la”.

Também hoje, diante das situações mais adversas que assolam a paz da humanidade, com tantos conhecimentos não fáceis de gerir, por vezes, apresentam-se ou vendem-se muitas formas de solução, nem sempre governadas pela sabedoria de alguém superior ao ser humano, como é a Sabedoria de Deus encarnada em Jesus Cristo. Refiro-me desfasamento entre a psiquiatria, psicologia, exorcismos, etc. e o relacionamento humano optimizado por uma luz que nos transcende, por si só capaz de melhorar qualquer terapia científica. Quem pode avaliar o poder de um sorriso? Quem pode ignorar o poder de um forte abraço?

Entre todas as soluções para os problemas que atingem a essencial felicidade do ser humano, é a Palavra de Deus em Jesus Cristo (suas palavras circunstancias e gestos oportunos) que perdura como autoridade eterna, acessível às pessoas de toda a história (através da transmissão fiel na pregação e na ação!). A Semana do Consagrado que na sexta-feira iniciou pode inspirar-nos a viver a pessoal vocação (seja ela o matrimónio, o sacerdócio, o diaconado permanente ou outro tipo de opção fundamental de vida e de serviço) como “exorcismo” do mal que não é nada mais nada menos que a preservação da “imagem e semelhança de Deus” em nós.

[Oração] Sal 94 (95)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Blu IV DTC (B)

Blu Conversão de S. Paulo

Blu III DTC (B)

A eficácia do testemunho é uma ação de Deus que confirma a nossa vocação

[Leitura] Jonas 3, 1-5. 10; 1 Cor 7, 29-31; Mc 1, 14-20

[Meditação] As leituras deste III Domingo do Tempo Comum deixam-nos claro que a vida pública de Jesus não é uma experiência solitária, mas solidária: chama discípulos a segui-l’O desde a situação humana/profissional em que se encontram para colaborarem na sua missão de salvar a humanidade. A partir deste Evangelho, podemos estar certos de que em qualquer situação de vida está uma semente vocacional à espera de escuta e de resposta ao amor de Deus que nos precede e que se manifesta em Jesus Cristo, através do seu Corpo que é a Igreja. Esta, nos seus pastores, é voz precursora d’Aquele que chama, como outrora João Batista para os primeiros discípulos do Mestre.

A vocação é uma experiência que se faz entre a pobreza pessoal e a plenitude que Jesus oferece a cada ser humano. O arrependimento e a fé são os dois “carris” que vão desde a resposta livre ao chamamento de Jesus e o Reino de Deus que Ele nos oferece. Entre estes “carris” estão as “sulipas” ou “travessas” que são os valores que Jesus Cristo nos aponta e os mártires que nos deram exemplo de seguimento, como foi o caso de S. Sebastião que muitas comunidades comemoram neste fim-de-semana. Assim, outrora, Jonas e já na nossa era os primeiros Apóstolos. Hoje os Bispos e todos aqueles e aquelas que, em nome de Jesus, colaboram na missão da Igreja.

[Oração] Sal 24 (25)

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Blu S. Sebastião

O Verbo adulto mora na pergunta que sacia a sede humana mais profunda

[Leitura] 1 Sam 3, 3b-10. 19; 1 Cor 6, 13c-15a. 17-20; Jo 1, 35-42

[Meditação] Neste II Domingo do Tempo Comum, somos postos pelo evangelista S. João diante das primeiras palavras do Jesus adulto a caminhar no meio da humanidade, apontado por João Batista como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

“Que procurais?” – é a provocação deste novo Mestre que inscreve na “pós-graduação” aqueles discípulos iniciados pelo profeta do deserto. Completar o processo da fé implicará “crivar” as motivações humanas, em vista à possibilidade de virem a participar na missão divina de Cristo.

“Rabi, onde moras?” – é, ao mesmo tempo, declaração da passagem e pedido de ingresso no estilo de vida de Jesus, manso e humilde de coração. Doravante, os que experimentam a habitação deste Templo que é a relação com Jesus, como é o caso de André, estão implicados na transmissão da mesma vida que daí dimana, como mediadores da Boa Nova do Reino. Estes urgem nas noites da humanidade, onde se experimentam a dúvida e o medo, entre a voz de Deus e a errância humana.

[Oração] Sal 39 (40)

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O conforto de qualquer berço é o afeto de uma relação que se complemente

[Leitura] 2 Sam 7, 1-5. 8b-12. 14a. 16; Sal 88 (89), 2-3. 4-5. 27 e 29;Rom 16, 25-27; Lc 1, 26-38

[Meditação] Estou convencido que o crescimento harmónico de uma criança está baseado na contemplação de uma boa relação entre o seu pai e a sua mãe, mais do que a relação direta de um destes dois para com o novo ser humano, apesar da importância do papel diferenciado dos dois progenitores para a descoberta da sua identidade.

Se isto é verdade para a vida de um ser humano, no caso de Jesus como Emanuel Deus-connosco, o seu crescimento harmonioso, aquém de precisar de José, necessitou da complementaridade entre Maria e a Palavra eterna. O mais extraordinário do Natal, no meu modo humildemente assombrado de ver, é que se não fosse a força desta Palavra divina, acolhida em Maria com um regaço generoso, a Redenção não teria tocado a Criação.

A teologia deste IV domingo do Advento serve bem quer para justificar a divindade de Jesus nascido da virgindade de Maria, quer para compreender a necessidade da complementaridade de José, sem o qual Maria não teria conseguido levar este nascimento avante, em favor da humanidade. De facto, quantos aspetos do projeto de Deus ainda não foram levados a cabo, por causa da falta de harmonia entre vontades complementares?!

[Oração] Para rezar em Família:

Vinde, Senhor, pois estamos prontos para fazer do nosso coração o vosso berço de paz. Vinde, Senhor, porque estamos prontos para fazer da nossa vida a vossa tenda de abrigo. Vinde, Senhor Jesus! Vinde salvar-nos!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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