O seguimento do Mestre é uma combinação entre disposição e predisposição

[Leitura] Am 2, 6-10. 13-16; Mt 8, 18-22

[Meditação] As palavras “disposição” e “predisposição” podem ajudar-nos a compreender o tipo de seguimento que alguém pode empreender no caminho do Mestre Jesus Cristo. “Disposição” manifesta uma inclinação pessoal para o seguimento, um tipo de colaboração ordenada ou metódica na relação com Jesus. “Predisposição” manifesta tendência natural ou vocação. Este modo coloca Deus no processo, porque o seu amor vem primeiro. Aquele modo implica mais o sujeito, mesmo ignorando a primazia de Deus.

Podemos contemplar nos dois casos que se apresentam a Jesus no texto do Evangelho de hoje, quer a disposição meramente pessoal, quer a falta de predisposição em seguir o Mestre. Portanto, ter disposição em seguir Jesus nem sempre significa predisposição em segui-l’O e vice-versa: também há quem possa estar chamado e não o siga de facto. Importante é que estes dois modos se combinem no seguimento, para que haja um discipulado missionário conforme ao projeto de amor que Deus revelou em Jesus Cristo.

Para que esta combinação aconteça é preciso ser simples e humildes: simplicidade para se reconhecer destinatário do amor de Deus, antes da consideração da família de sangue, e humildes em aceitar o seu projeto como ele é e não como nos apraz.

[Oração] Sal 49 (50)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Jesus responde ao toque da nossa fé com o toque da sua cura

[Leitura] Sab 1, 13-15: 2, 23-24; 2 Cor 8, 7. 9. 13-15; Mc 5, 21-43

[Meditação] A cura que Jesus veio trazer ao mundo é totalmente gratuita e não se faz pagar, nem mesmo por ritos de piedade. Vejamos o caso da hemorroísa, que já sente a cura mesmo antes de Jesus mandar parar a multidão para dar lugar ao testemunho de fé daquela mulher doente havia doze anos. E aquela menina, se calhar, nem sequer conhecia Jesus antes que Ele mesmo lhe pegasse na mão para a levantar daquele leito de morte.

Primeiro ponto importante deste Domingo: Jesus tem o poder de curar as nossas doenças, não só espirituais, mas também físicas!

Segundo ponto: os seus atos de cura não são mágicos, mas respostas à nossa fé, necessária para que Ele se possa manifestar pelo nosso testemunho de vida.

Terceiro ponto: o diálogo terapêutico implica quer a intencionalidade salvífica de Cristo, quer a nossa colaboração nos procedimentos que promovem a saúde, como dar de comer a todos os que precisam de renovar as suas forças ou reconhecer a dignidade de cada pessoa no meio da multidão.

A nossa fé não é importante para a eficiência da cura, mas para que sejamos capazes de percebê-la na nossa vida pessoal concreta! Podemos aplicar esta afirmação aos Sacramentos, que são ações de Cristo na Igreja e a partir da Igreja, que têm consistência em si próprios, independentemente da nossa santidade, porque são a forma mais excelente de nos deixarmos tocar pela Santidade de Deus, cujo poder está muito para além do que vemos com os olhos físicos e cujo alcance é levar-nos a habitar o seu Reino. Neste sentido, a morte física é um mero adormecimento, se aceitarmos fugir da pior morte que é a da fuga de Deus e da sua salvação.

[Oração] Sal 29 (30)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

João Batista “resignou” como Rabbi para dar lugar ao Messias Salvador

[Leitura] Is 49, 1-6; Act 13, 22-26; Lc 1, 57-66.80

[Meditação] Na solenidade do Nascimento de S. João Batista, penso no que teria sido se João não tivesse “resignado” como Rabbi, quando Jesus deu início à Sua vida pública. Na verdade, não poderia ser de outra maneira, uma vez que já no seio de Isabel esta exultou de alegria ao ver a Mãe do Salvador. Que imenso valor a alegria das mães!! Mas ainda mais o pensamento criativo de Deus ao conceber-nos no seio do seu amor eterno, como nos confirma o Profeta. Cada ser humano é uma seta atirada muito aquém da filiação humana, para um objetivo previsto por Deus, deixando que com a nossa liberdade a guiemos pela experiência humana.

O testemunho cristão, à luz desta solenidade, é uma ação de chamar à atenção para o verdadeiro Messias e não para o cumprimento perfeito do Evangelho em nós. João apontou o dedo para o Cordeiro de Deus, incentivando os seus discípulos para mudarem de etapa, seguindo-O a Ele. Foi assim que os pais do Batista − Isabel e Zacarias − agiram, não deixando que o seu menino ficasse com a marca (nome) da família, mas registando-o com um nome conforme a missão que Deus lha iria confiar.

É com o exemplo destes idosos que a fecundidade é uma graça para além da idade e da esterilidade aparente. É para o Reino que Deus nos quer como filhos e não meramente para ocuparmos a terra como predadores. É por isso que todos aqueles que “resignam” por falta de saúde ou outros limites, nunca deixam de ser fecundos: quando passam a considerar mais as coisas de Deus do que as coisas da organização deste mundo, incluindo a Igreja.

[Oração] Sal 138

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Elias e Eliseu, uma prefiguração da paternidade espiritual

[Leitura] Sir 48, 1-15 (gr. 1-14); Sal 96 (97), 1-2. 3-4. 5-6. 7; Mt 6, 7-15

[Meditação] Hoje temos Jesus, novamente, a ensinar-nos a oração do Pai-nosso como forma de abreviar a nossa relação com o Pai do Céu, incentivando-nos, ao mesmo tempo, da tendência de dizermos muitas coisas para O chamarmos à atenção.

Entre Elias e Eliseu existia algo parecido com a relação entre Jesus e o Pai, que somos chamados a acolher como filhos: em Elias estava um fogo imenso (prefigurador do Espírito do Amor do Pai) e em Elias uma capacidade para nunca se desligar do seu mestre na arte de profetizar, não deixando que nada interferisse na sua relação.

Pergunto: quantas vezes não só o que chamamos de mundanidade espiritual, mas também o que se intitula de obesidade espiritual interferirá na nossa relação com o Espírito de Deus?

Na paternidade espiritual, o mais importante não é o que possamos pensar ou repetir/dizer, mas a abertura à relação direta com Deus, uma vez que o Seu Espírito já está no íntimo do nosso coração. Então, como acontece na educação (educere = tirar de dentro da pessoa o bem que já lá está semeado), o Pai faz saltar de dentro dos seus filhos o Melhor que está dentro de nós: o seu Espírito Santo, bastando, para tal, que não obstruamos os canais da comunicação com os roídos da verborreia espiritualista ou do solipsismo indiferentista. O melhor que temos a fazer é imitar os sentimentos do Filho Unigénito de Deus, sem qualquer medo de faltarmos às propostas de qualquer corrente espiritualista ou materialista.

[Oração] Rezemos como Jesus nos ensinou:

Pai nosso, que estais nos Céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A lei perfeita é a que mobiliza o nosso interior

[Leitura] 1 Reis 19, 9a. 11-16; Mt 5, 27-32

[Meditação] A regra da “desobriga” quaresmal fundou uma Igreja de fronteiras fechadas e exclusivas: não sais deste “risco”, sais de vez de “pisares” este risco, não entra quem tiver “pisado” este risco. Este tipo de “Religião” é baseado em normas que governam meramente o exterior. O Evangelho desta sexta-feira mostra-nos, mais uma vez, Jesus a fundar uma Igreja que não é meramente uma nova forma de Religião, é mesmo um projeto de Cristianismo que nos mostra Deus a vir ao encontro do interior de cada ser humano, para, de lá, nos governar ao encontro da comunhão com o próprio Deus e com os outros. Portanto, da lei que (des)obriga à Lei que nos implica com a totalidade do nosso ser.

Quando a lei motiva só o nosso exterior, sem vigilância interna, a conversão até pode ser de massas, mas nunca chega a ser cristã. Quando os valores mobilizam o nosso interior até ao ponto de doarmos a nossa própria vida, é porque é coisa séria. Por isso é que há muitas pessoas e movimentos fora da Igreja que podem, muito bem, parecer-se com o projeto evangélico de Jesus. Não basta, pois, estar associado a este ou aquele movimento; se não for desde a “medula” interior não significa que tenha a ver com a proposta de Jesus. Não basta “fazer número”!

Deus criou todo o ser humano à sua imagem e semelhança e não só os cristãos!! Por isso, estes são chamados a conformar-se com o modelo que é Jesus Cristo, para ir ao encontro dos outros e não deixar que se “suicidem” com escolhas contrárias ao evangelho, quer dizer, contrárias à dignidade humana e a todos os valores que promovem esta dignidade humana universal. O Espírito que nos inspira para tal não está nas coisas barulhentas, mas na “ligeira brisa” e no “caminho do deserto” que leva à Fonte inesgotável de todos os bens.

[Oração] Sal 26 (27)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Nenhum ser humano se pode dizer incapaz de religião!

[Leitura] 1 Reis 18, 41-46; Mt 5, 20-26

[Meditação] A busca de infinito é uma capacidade inata do ser humano, de tal modo que, independentemente do que lhe venha a acontecer de bem e de mal, nunca deixará de estar isento nas escolhas que o levem a prosseguir ou a desistir da vida em plenitude.

No entanto, a Palavra de hoje é dirigida a todos os que pensam que pode haver exclusão de pessoas no caminho para Deus. O termo “imbecil”, que Jesus reprova das nossas bocas, quer mesmo dizer “a-religioso”. Portanto, não devemos deixara de chamar algum ser humano de imbecil ou de estúpido por ser feio. É, mais claramente, por ser mentira, uma vez que não podemos dizer que alguém seja “a-religioso”, ou seja, incapaz de, desde o seu íntimo, se relacionar com Deus.

A comunidade da Igreja é chamada a aprender em assembleia a ser instrumento de união e não de separação, tendo em conta que há muitos ritmos e formas de busca de Deus que se podem integrar no mesmo projeto comunitário.

[Oração] Sal 64 (65)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Fernando de Bulhões, o Santo Antónimo das heresias

[Leitura] Sir 39, 8-14 (gr. 6-11); Sal 18 B (19B); Mt 5, 13-19

[Meditação] Há tanta coisa que se perde quando se dizem mentiras ou se escondem as verdades! No evangelho da festa de hoje, Jesus declara-nos «sal da terra e luz do mundo», precisamente como incentivo a procurar a verdade com o tempero das obras da fé. Não são os meros objetos que devemos temer perder, mas o que a mentira nos impede daquilo que a verdade nos permite viver.

Não me enganei no título deste post: o que Santo António pregou é mesmo “antónimo” das heresias, porque é a Palavra sempre antiga e sempre nova, única a descrever e a incentivar-nos à realidade total, muito para além do visível que impede os nossos corações de aspirar pouco. Por isso, quando rezarmos o famoso Responso a Santo António, não lhe peçamos só por coisas materiais que tivermos perdido (embora não seja proibido fazê-lo), mas não deixemos de pedir por seu intermédio a Santidade de que ele foi destinatário para nosso bem.

Que o seu “martelo” bata forte naquela “ferrugem” que há em nós, quanto à nossa resistência à verdade, e nos ajude a endireitar o caminho para a vida eterna, feito de pequenas e grandes coisas que também o Senhor Jesus viveu com o seu exemplo de máxima docilidade ao Amor do Pai.

[Oração] Responso a Santo António:

Se milagres desejais,
Recorrei a Santo António;
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.

 

Recupera-se o perdido,
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

 

Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os paduanos.

 

Repete-se: Recupera-se o perdido…

 

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.

 

Repete-se: Recupera-se o perdido…

 

Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo…

 

Repete-se: Recupera-se o perdido…

 

V: Rogai por nós, bem-aventurado Santo António.
R: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

 

OREMOS

Ó Deus, nós vos suplicamos, que alegre à Vossa Igreja a solenidade votiva do bem-aventurado Santo António, vosso Confessor e Doutor, para que, fortalecida sempre com os espirituais auxílios, mereça gozar os prazeres eternos. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Na lógica do Espírito Santo, separar não é diminuir, mas multiplicar

[Leitura] Act 11, 21b-26; 13, 1-3; Mt 10, 7-13

[Meditação] Uma das coisas que aparece clara no discurso de Jesus é que a Paz de Deus é o maior dom que se pode receber e partilhar, de tal maneira sublime que não se pode desperdiçar, quer dizer não gastá-lo sem critério, muito menos com quem não o pede, aguarda ou não o valoriza. O envio dos apóstolos é, por isso, uma grande garantia da proximidade do Reino de Deus, uma vez que a mensagem que transportam é precisamente a da Paz.

O programa que instaura a Paz de Deus é, no seguimento da Morte e Ressurreição de Jesus, o do Pentecostes em que lança os seus discípulos na missão de proclamar o Reino. Para isso, é preciso que saiam em todas as direções, como se intui no convite atribuído ao Espírito Santo: «Separai Barnabé e Saulo para o trabalho a que os chamei».

Nas nossas comunidades, não nos deve escandalizar ou meter pena, por isso, o aumento daqueles que se dispersa depois da educação/iniciação cristã, após a imposição das mãos no Crisma, enquanto os mais velhos se sedentarizam na mesma vivência da fé. De qualquer forma, os mais novos estão a obedecer a Deus quando os convida a deixar a sua terra, casa, pai e mãe… O que podemos fazer é, de alguma maneira, estar dispostos a acompanhar o seu percurso de vida até à maturidade da opção fundamental da vocação. Acontece no anúncio do Reino como na partilha da Luz da noite santa da Ressurreição do Senhor: a luz repartida não dimimui o seu esplendor, mas multiplica-se a todos os que transportarem uma coluna de cera!

O pedaço de filme que coletei ontem da TV, mostra-nos como que por sementes do Verbo semeadas em culturas ancestrais, aquilo em que somos chamados a pôr a nossa confiança.

[Oração] Sal 97 (98)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Favoritismo e indiferença, as máscaras modernas dos dois pecados originais que nos impedem de pertencer à família universal

[Leitura] Gen 3, 9-15; 2 Cor 4, 13 – 5, 1; Mc 3, 20-35

[Meditação] O Papa Francisco, no segundo capítulo da sua recente Exortação Apostólica “Alegrai-vos e exultai”, alerta-nos contra o individualismo e o desprezo do corpo, como inimigos da Santidade e máscaras de duas heresias antigas: o pelagianismo e o gnosticismo. Portanto, este desprezo noegnóstico do corpo e o individualismo neopelagiano do corpo podem ser, precisamente, ramificações consequentes daqueles pecados contra os dois valores fundamentais da humanidade:

1º — Ser criatura. É um valor fundamental de que o ser humano se esquece quando ignora Deus e se substituiu a Ele. Daqui deriva todo o tipo de desvio do próprio ser. Não admira, pois, que Deus pergunte: «Onde estás?». Esta provocação precisa de uma resposta não geográfica, mas ontológica: onde estarei eu quanto ao “espaço”de criatura que me foi dado, para expandir dentro dos “limites” da vida terrena que me podem possibilitar alcançar a plenitude da vida eterna? Contra o valor e a dignidade de ser simplesmente criatura derivará o tal desprezo do corpo como espaço digno, não só de ser morada de Deus criador, mas também de ser meio de comunicação da Sua graça. Substituir Deus é o primeiro pecado original contra o qual é preciso lutar com uma alta consideração e cuidado para com o corpo, sem favoritismos ou nepotismos que substituam Deus de determinar o que é bem e o que é mal, objetivamente.

2º — Ser irmão/irmã. O segundo pecado original aconteceu desde que a terra foi manchada com o sangue de um irmão (na dramática história de Caim e Abel). O individualismo levam a pensar erradamente que o outro não importe, na hora de considerar a dignidade de cada um e de cada uma. Deste individualismo deriva a indiferença que impede de responder à pergunta divina: «Onde está o teu irmão?».

Ora, para Jesus, considerado louco pelos seus familiares e um estorvo para os chefes religiosos/políticos da comunidade do seu tempo, a familiaridade que confere a cidadania do Reino de Deus é, simplesmente, ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática. Trata-se de uma familiaridade universal e não um “gueto” de cumpridores. As leituras deste 10ç domingo do tempo comum são claras quanto à responsabilidade que a Igreja tem de lutar contra todo o tipo de favoritismo que, automaticamente, gera a indiferença para com os que sofrem e são marginalizados, para alguns viverem dentro de uma redoma de bem-estar eclesial e social, até ao ponto de haver envolvimentos aparentemente santos para se tirar proveitos que não têm a ver com os preceitos de Deus.

Vamos, como nos sugere São Paulo, vigiar a nossa vida, construindo a nossa unidade interior que nos torne capazes de ter um comportamento exterior em conformidade com a Palavra de Deus. Peçamos por intermédio de Maria, Aquela que com a máxima docilidade ao Espírito Santo nos deu à luz o Verbo feito carne, que as nossas famílias e comunidades cristãs sejam inclusivas de todos e não exclusivistas.

Responder à divina “pergunta bisturi” «Que fizeste?» é a melhor forma de vigiarmos a nossa ação exterior, sempre ligada às nossas disposições exteriores, para não andarmos indefinidamente a obedecermos a mecanismos de defesa próprios da infância e da adolescência que, embora naquelas idades sejam aceitáveis, na vida adulta nos impedem de viver a “loucura” que não escandaliza os destinatários do Evangelho, e nos fazem viver uma anormalidade e indignidade próprio de criaturas e filhos/as de Deus (como a “transferência” da responsabilidade para a serpente!!).

O que desejarmos pedir aos outros, mais fortes, peçamos primeiro ao nosso Bom Deus. Ele, desde a nossa consciência, fará as perguntas que nos ajudarão a encontrar as respostas convenientes, para o nosso bem e o bem de todos.

[Oração] Sal 129 (130)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Cristo trespassa através do Padre para todos

[Leitura] Os 11, 1. 3-4. 8c-9; Is 12, 2. 3. 4bcd. 5-6; Ef 3, 8-12. 14-19; Jo 19, 31-37

[Meditação] «Hão de olhar para Aquele que trespassaram» — é a frase com que termina a proclamação do Evangelho desta Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia em que a comunidade da Igreja é convidada a rezar pela santificação dos que exercem o sacerdócio ministerial. Uma vez trespassado pela lança do soldado, o coração de Cristo nunca mais deixou de jorrar «sangue e água», uma vez que, em Sua memória, pediu aos Apóstolos continuarem a realizar o Santo Sacrifício da Eucaristia.

É o Padre que faz a Eucaristia em nome de Jesus Cristo, e em comunhão com o Bispo, em favor de todos os fiéis da Igreja. Também ele, desde a sua humanidade configurada a Cristo, vive trespassado para deixar o sumo Sacerdote chegar à mesa dos fiéis. Quem não for capaz de reconhecer Cristo através desta humanidade configurada a Ele, também não será capaz de O reconhecer na comunidade que celebra a Eucaristia. Não é desde a sua humana perfeição que os presbíteros nos fazem chegar Cristo à assembleia. As ações de Cristo na Igreja têm consistência por elas próprias, uma vez que é Ele que as preside.

A imagem que partilho nesta ocasião, é um monumento a D. Óscar Romero que o Papa Francisco irá canonizar no próximo mês de outubro de 2018. Nos seus escritos de jovem sacerdote, quando estudante em Roma (1940): «É esta a tua herança, ó sacerdote: a cruz. E é esta a tua missão: partilhar a cruz. Portador de perdão e de paz, o sacerdote corre até junto da cama dos moribundos, e uma cruz na sua mão é a chave que abre os céus e fecha o abismo».

Seria sublime se os fiéis acolhessem este “Cristo trespassado” ajudando os padres a purificarem a pastoral de tudo o que é política mundana, partilhando as cruzes dos sacerdotes, para que o amor de Jesus chegue a todos!

[Oração] Sagrado Coração de Jesus que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais! (3x)

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