Publicado em Lectio Humana-Divina

O reino dos Céus tem uma porta que se abre (ou fecha) do lado de cá!!

[Leitura] 1 Pedro 5, 1-4; Mt 16, 13-19

[Meditação] Quase sempre acolhemos uma interpretação do evangelho de hoje a pensar na autoridade deixada por Jesus a Pedro, o primeiro Pontífice da Igreja, capaz de ligar ou desligar o céu à terra, concluindo resignadamente que o Papa “tem a faca e o queijo na mão” quanto àquilo que podemos ou não fazer para sermos salvos. Não será uma visão minimalista da missão de Pedro?

Na primeira leitura Pedro fala aos Presbíteros e à forma de procederem pastoralmente em favor do “rebanho”. Não será hora de pensarmos naquele repto da sinodalidade expressiva que aponta caminhos para o Reino, em vez que andarmos a pensar que o Céu é só para alguns (os que “cumprem”)?

Há que continuar a ler as cartas papais inauguradas por Pedro e continuadas por todos os pontífices até ao nosso Papa Francisco com docilidade e ativar a vontade para cooperarmos com a missão que o Bom Pastor de todas as “ovelhas” lhe/nos deixou de salvar TODA a humanidade.

[Oração] Sal 22 (23):

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.
Ele me guia por sendas direitas por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo
me enchem de confiança.
Para mim preparais a mesa
à vista dos meus adversários;
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.
A bondade e a graça hão-de acompanhar-me
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor
para todo o sempre.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Integração Psico-Espiritual, Lectio Humana-Divina

O diálogo da oração é procedimento que cura os emissores da discussão

[Leitura] Sir 1, 1-10; Mc 9, 14-29

[Meditação] Quando há uma discussão como a que Jesus encontrou hoje no sopé do monte, semelhante às discussões que destroem relacionamentos, no processo complexo da comunicação só há emissores desconectados (que falam sem ouvir) e recetores que sofrem (por não terem quem responda às suas questões fundamentais). Talvez seja este mesmo o “desenho” cerebral da atualmente conhecida “epilepsia”, possessão que tentava destruir aquele filho. A Sabedoria «criada por Deus e difundida por todos os homens» não estava a ser amada e, por isso, não comunicada aos outros segundo a liberalidade humana.

Aquele rapaz com “espírito mudo” terá, porventura, passado muito tempo desde a sua tenra infância a ouvir discussões (quiçá entre o pai e a mãe) sem que eles lhe dessem a oportunidade de fazer as perguntas inquietantes da infância. Não admira que a adolescência, para estes como para muitos pais, tenha a aparência de algum “espírito mau”. E, muitas vezes, adota-se a ritalina como remédio alternativo ao diálogo familiar, que Jesus retoma naquele caso como pressuposto do procedimento curativo. Este é resposta urgente para o menino, aquele é oportunidade para o crescimento na fé daquele pai.

Um psiquiatra norte-americano descobriu, com a ajuda de 40.000 entrevistas, que a oração tem um poder curativo, mesmo a nível físico. Não é novidade, tendo em conta a afirmação de Jesus, de que há males que só saem pelo poder da oração ao Pai. Não podemos deixar passar, também, este dia em que se comemoram os Beatos Francisco e Jacinta, que acreditaram no poder reparador da oração, e exerceram-no mesmo aceitando o sofrimento físico, o elemento orante mais poderoso, por se associar à Paixão de Cristo em favor da salvação da humanidade.

[Oração] Sal 92 (93)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Lectio Humana-Divina

A boa disposição diante das adversidades é passaporte para a perfeição

[Leitura] Lev 19, 1-2. 17-18; 1 Cor 3, 16-23; Mt 5, 38-48

[Meditação] A vida cristã é um parto, também, difícil. Ninguém é cristão por somente ter nascido. As criaturas, apesar de terem dentro de si semeado um desígnio de amor divino, têm de passar pela experiência pessoal do conhecimento e do exercício das faculdades pessoais do intelecto, o sentimento e da vontade, para chegarem a viver o mandamento do amor, tal como Jesus o explicitou com a própria vida.

As adversidades são oportunidades para crescermos, quer venham do exterior, quer do interior. Elas travestem-se de múltiplas formas, sejam as atitudes de outras pessoas, sejam as más circunstâncias da vida terrena, sejam os maus sentimentos do próprio coração. A balança da justiça que nos faz reagir deste ou daquele modo depende como são pesados pensamentos e sentimentos. Mente e coração precisam de um diálogo bem moderado e de uma vigilância confiante, à luz da Palavra de Deus que é amor e não se esquece de nenhum dos seus filhos, aqueles que O imitam no amor aos inimigos.

A perfeição ou santidade perfeita é fruto desta viagem, mais até do que um mero ato de amor circunstancial. No entanto, também é de pequenos gestos que se faz o caminho para essa perfeição que nos faz semelhantes a Deus. Façamo-los, com maior ou menor necessidade de fôlego psíquico e espiritual, porque é de passos corajosos que se faz o alargamento do coração aberto à universalidade. Assim, o “passaporte” não serve somente para a perfeição, mas também para a afeição à vida daqueles de quem muitas vezes desconhecemos o passado e as circunstâncias e, por isso, nos parecem (ainda que o sejam também!) inimigos.

Se conhecessem(os) o dom de Deus…? Se conhecessem(os) o dom da amizade…?

[Oração] Sal 102 (103)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Formação Sacerdotal, Integração Psico-Espiritual, Lectio Humana-Divina

A Santidade pela qual Deus vive em ti

É o tema do encontro de Seminário em Família da Diocese de Viseu que está a coincidir com a celebração da Solenidade de São Teotónio, padroeiro desta Diocese. Nesta ocasião alegra-nos a referência de santidade que descobrimos neste primeiro Santo português e, escavando a fundo, vamos encontrar a origem de toda a Santidade: o amor de Deus que Se dignou criar-nos e salvar-nos por meio de Seu Filho Jesus Cristo, no Espírito Santo.

Ao iniciarmos a aventura deste fim-de-semana, partimos da convicção de que “Deus Não Está Morto“, visualizando o filme com este nome, e fomos ao encontro da Sagrada Escritura para fundamentarmos a nossa fé em Jesus Cristo, Aquele que defenderá a quem não O nega.

Resumimos, assim, os fundamentos da Santidade:

I. A UNIÃO COM CRISTO, QUE NOS VEIO REVELAR O AMOR (O ESPÍRITO) DO PAI
II. NO SER E NA AÇÃO QUE CONFIRMA O SER (ONTOLÓGICA E MORAL)
III. SEGUNDO A PRÓPRIA VOCAÇÃO
IV. A CAMINHO DA PLENITUDE DO REINO
V. EM COMUNHÃO COM OS QUE SÃO DE CRISTO NA IGREJA
VI. EM COMUNHÃO COM OS QUE ESTÃO COM CRISTO NA GLÓRIA (OS SANTOS)

Publicado em Lectio Humana-Divina

O paradoxal «fade in» e «fade out» cristão

[Leitura] Gen 9, 1-13; Mc 8, 27-33

[Meditação] Deus sujeitou de tal modo a criação ao ser humano, fazendo-o Seu cooperador que ele levou a sério o empreendedorismo que isso comporta, «multiplicando-se e dominando a terra». E assim se fez a antiga aliança.

A nova aliança, porém, vem ensinar ao Homem que, para se realizar totalmente a omnipotência divina, a omnipotência humana (que aprendemos a experimentar desde a mais tenra infância) tem de se retirar.

Somos chamados por Jesus a continuar a multiplicar: obras coerentes de vida, sem qualquer tipo de manipulação que degrade a possibilidade de salvação. Isto inclui o antigo a fazer progredir o antigo testamento.

[Oração] Sal 101 (102)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Lectio Humana-Divina

O des-dilúvio é o progressivo acolhimento da graça de Deus

[Leitura] Gen 8, 6-13. 20-22; Mc 8, 22-26

[Meditação] É curioso que na cura deste cego, Jesus tenha de atuar por duas vezes os seus procedimentos de cura. Não me parece por ineficácia, mas talvez por respeito ao ritmo do seu paciente. Pode acontecer que o seu corpo tenha resistências à graça que lhe está a ser oferecida… Também pode acontecer que Jesus respeite o que o cego já vê, interiormente, sem que a cura seja só fruto do Mestre, mas também do esforço do paciente. Nas suas curas, Jesus respeita sempre o parecer do outro, dado que Ele não quer fazer espetáculos com as curas, centrando-a na pessoa do paciente e não em Si (afastando-Se com ele, por isso mesmo).

Penso que, nesta unidade bio-psíquica-racional/espiritual que é o ser humano, o seu progresso, quer no que toca à maturação através do crescimento, quer na restauração a partir de um procedimento de cura, acontece também (e muito) desde o acolhimento da graça circunstancial que lhe é dada.

Esse acolhimento depende das motivações interiores, como aquelas que Noé tinha ao lançar, primeiro o corvo, depois a pomba, com o desejo de realizar o sonho de encontrar terreno firme onde pousara a sua barca e o que ela continha. Na Igreja, essa graça de Deus é partilha através de uma multiplicidade de ações (chamadas Sacramentos). Desde o interior de cada barco, o ser humano precisa de responder, continuamente, à pergunta «Vês alguma coisa».

[Oração] Sal 115 (116)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Lectio Humana-Divina

No trânsito para o Reino os sinais estão na estrada. É preciso é estar atentos!!

[Leitura] Gen 4, 1-15. 25; Mc 8, 11-13

[Meditação] Se nas estradas deste mundo os responsáveis sociais se vão procupando para que as viagens sejam seguras, colocando aqui e ali sinais estratégicos para que os condutores possam chegar a bom porto, quanto mais Deus nos coloca sinais para nos fazer chegar com segurança até Si. Na lógica da fé (se é que se pode falar de lógica), seria absurdo pensar numa estrada para o Reino de Deus que fosse uma rua escura, sem nenhum sinal que o indicasse.

Na estrada para o Reino os “sinais” são pessoas que apelam a uma ação concreta de justiça e caridade. Ao desvalorizar a importância das pessoas podemos estar a fazer o papel dos escribas e dos fariseus que não reconheciam em Jesus o grande sinal do Céu.

[Oração] Sal 49 (50)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo