Publicado em Lectio Humana-Divina

Seguir Jesus é a caminho, para a frente e para cima

[Leitura] Job 9, 1-12. 14-16; Lc 9, 57-62

[Meditação] Ultreia! Suseia! É a interjeição usada pelos que percorrem o Caminho até Santiago de Compostela. Significam, respetivamente, “para a frente” e “para cima”. Representam a alternativa dada por Jesus a quem declara querer segui-l’O noutras direções, como denotam as três situações de chamamento: um quer ir sem destino (aonde quer que fores), outro inclina-se para baixo (sepultura do pai) e o último regride para trás (despedir-se dos familiares).

O Evangelho mostra-nos Jesus praticamente sempre a caminho de Jerusalém, cidade que, para além de ser o lugar da Sua entrega máxima, é, também, símbolo dos “apeadeiros” onde essa entrega é prefigurada.

Por vezes, na sequela de Cristo, há momentos de desventura, como nos testemunha a experiência de Job, em que a descrição parece claramente o retrato de um homem parado, sem saber para onde ir e sem reconhecer a passagem do Deus em quem teima acreditar. É neste tipo de paragens, em que se corre o risco de regredir ou sucumbir, que é precisa a oração, como “garrafa de oxigénio”, mesmo que seja para se dar espaço a essa “voz entre dois silêncios”. Passada a desventura (não há nenhuma que não dê em aventura!), esse novo fôlego ajudará a retomar o caminho… para a frente e para cima!

[ Oração] Sal 87 (88)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Lectio Humana-Divina

Onde se cava túmulos, Jesus pode abrir tesouros!

[Leitura] Job 3, 1-3. 11-17. 20-23; Lc 9, 51-56

[Meditação] Enquanto o ser humano não constatar que «foi concebido o Homem-Deus», corre o risco de se ver tentado a amaldiçoar o dia do seu próprio nascimento, como Job em dia de desespero. Da mesma forma, enquanto o Homem não encontrar Aquele que pode dar verdadeiro sentido à sua vida, pode ver-se lançado à “arena” do mundo onde as feras o cercam para atentar contra a sua vida. Uns, desesperados pela situação em que se encontram, desejam a morte; outros, presunçosos de ser donos de tudo e de todos, cavam os túmulos onde querem ver fechados aqueles cujo lucro lhes parece ser só incómodos.

Aí… onde parece que a morte é desejada ou provocada, Jesus pode abrir o caminho que leva a descobrir o tesouro da vida eterna. À beira dos males do mundo, todos os nascimento parecem inúteis. À luz do nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus, todos os nascimentos fazem sentido, porque é Deus que dá a vida, mesmo que seja para ser vivida na “cerca” deste mundo e que nem sempre se veja o caminho. Também Jesus, desde o Seu nascimento até aos últimos dias da Sua vida terrena, conheceu obstáculos, mas fez deles uma oportunidade para a revelação de um caminho de vida surpreendente, quando os “filhos do trovão” Lhe propunham cavar mais fossos de morte.

A “outra povoação” é o lugar a procurar sempre que o acolhimento da vida não acontecer, até que cheguemos à pátria definitiva. É, também, o espaço humano e geográfico onde se pode fazer da vida uma resposta vocacional, como foi a de São Vicente de Paulo, entre os séculos XVI e XVII, transpondo obstáculos com a ousadia do anúncio da mensagem de Jesus Cristo, lá onde os hábitos humanos não coincidiam com o Seu projeto, e com a urgente prática da caridade em favor dos pobres.

[Oração] Sal 87 (88)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Integração Psico-Espiritual, Lectio Humana-Divina

Fazer-se simples, entre a humildade e a tolerância

[Leitura] Job 1, 6-22; Lc 9, 46-50

[Meditação] A humildade e a tolerância são as duas “mãos” nas quais podemos aventurar-nos a “balançar” para (re)aprendermos a simplicidade das crianças. Uma dessas “mãos”, a sinistra (ou esquerda), é-nos dada por Job, com a sua humildade a toda-a-prova diante das adversidades do mal; a outra “mão”, a dextra (ou direita) é nos oferecida por Jesus Cristo, com o convite a tolerarmos o bem desenvolvido na diferença ou na distância.

A vida “prega-nos” partidas, como se costuma dizer, e as regras parecem mudar a meio do jogo, como hoje de manhãzinha lamentava um defensor da exclusividade dos Táxis tradicionais frente ao aparecimento, agora, legalizado dos Uber. Ter ou não ter razões não é a questão; a questão é estar posto à prova da vida que muda de circunstâncias, onde nem tudo é objetivamente mal, nem tudo é objetivamente bem. Não é por acaso que o Papa Francisco nos convida, na vocação como na vida, a saber discernir nas áreas cinzentas, pois nem tudo é preto ou branco.

A cristalização da vida em regras rígidas, mesmo por parte de quem é aparentemente idóneo, faz cair em desvios. Foi por isso que Deus deixou que Satanás liderasse o processo dos pertences de Job, exceptuando a sua pessoa. Deus quer homens livres de tudo e de todos. O fechamento da missão em grupos exclusivos, mesmo que sejam aparentemente bem fundamentados, leva a sectarismos. Foi por isso que Jesus definiu sr o maior aquele que se faz pequeno aos olhos de todos, respeitando a missão de quem não é contra Ele, mesmo sendo diferente.

JOAN D. CHITTISTER, na sua aventura de vida transposta em livro, faz-nos contemplar como é possível, por vezes, sermos assinalados pela luta e transformados pela esperança (Segnati dalla lotta, trasformati dalla speranza, Ed. San Paolo 2006). Desde a sua experiência de sofrimento dentro da própria vinda consagrada, aparentemente injusto e proveniente de onde ou de quem não se esperava, esta autora mostra-nos como a luta pode tornar-se num viveiro de esperança. Para isso, propõe-nos uma paradigma da luta, ajudando-nos a ser como Job, a saber ser resilientes e a seguir a sequela proposta de Jesus, sem nos darmos ao luxo de sermos “zelotes de exclusivismos”.

[Oração] Sal 16 (17)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Lectio Humana-Divina

Demos ouvidos a Jesus que está no pobre!

[Leitura] Am 6, 1a. 4-7; 1 Tim 6, 11-16; Lc 16, 19-31

[Meditação] «Lázaro», do hebraico «Eliezer» é um nome com o significado positivo “Deus socorreu” ou “Deus ajudou”, dado a uma pessoa ajudada, abençoada ou glorificada pelo Senhor. É curioso que Jesus, como o profeta Amós ao evocar José, tenha dado um nome ao pobre Lázaro, dignificando a sua existência concreta. Ao rico, deixa-o ficar sem nome, para demonstrar que quem o é injustamente tem a sorte de ser deportado para o exílio do esquecimento.

A lição deste Domingo é clara: é insuportável a má riqueza de quem não se aflige com a mísera pobreza dos outros. Mas… será assim tão evidente encontrar um caminho que nos leve a sair da indiferença? É muito fácil de se cair em excentricidades, quando alguém ganha uns tostões a mais. Dá até a impressão que assim não custa a ganhar, na forma como rápido se gasta no conforto. Este ciclo vicioso de ganhar-gastar facilmente, para além de ser injusto, é criador de muros que fazem do pobre um ser invisível aos olhos de tais ricos.

Uma vez que Deus, em Jesus Cristo, Se identifica com os mais pobres, ao ser criado esse muro que separa pela parte dos ricos egosístas, estes acabam por não ser vistos por Deus, uma vez que o seu coração é um cofre forte fechado a sete chaves. O Papa Francsico advertiu desta maneira:

A parábola alerta de maneira clara: a misericórdia de Deus por nós está vinculada à nossa misericórdia pelo próximo; quando esta falta, também aquela não encontra espaço no nosso coração fechado, não pode entrar. Se eu não escancarar a porta do meu coração ao pobre, aquela porta permanece fechada. Inclusive para Deus. E isto é terrível!

— PAPA FRANCISCO, Audiência de 18 de maior de 2016

Sigamos a recomendação do Apóstolo Paulo: guardemos o mandamento do Senhor, não fechado a “sete chaves”, mas com o cumprimento da «justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão». Quando a caridade é verdadeira, aí habita Deus!

Ler outro post sobre o mesmo Evangelho: Os portões (in)transponíveis entre os “pobres ricos” e os “ricos pobres”

[Oração] Sal 145 (146)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Em Jesus, basta o fazer e o dizer em sinergia total

[Leitura] Co 11, 9 – 12, 8; Lc 9, 43b-45

[Meditação] É curioso que os que admiravam Jesus eram motivados pelo que Ele fazia, mais, porventura, do que por aquilo que Ele mesmo dizia, uma vez que a sua mensagem era simples e a apontar o Reino que não é deste mundo. Como sabemos, rejeitava os títulos e as honras que O distraíssem da sua missão. Contemplo esta postura do Mestre no Papa e nos Bispos, de quem, por vezes, as multidões de hoje admiram mais, também, o que eles fazem do que o que dizem. Exemplo nítido disso foi, para as multidões de jovens, o Papa João Paulo II.

Ainda mais curioso, para quem contemplar Jesus mais de perto, pela imitação, na ação que tenta pôr a Sua Palavra em prática, é perceber que o que o Evangelho nos relata do que Ele fez está em perfeita união com o que disse. Isto faz-nos pensar, nos dias de hoje, no “achismo” que não leva a lado nenhum, como as grandes reuniões nas Organizações internacionais com grandes pareceres e discursos, mas com poucos resultados práticos quanto à missão que deveriam urgentemente levar à prática.

«Vaidades das vaidades» como protagoniza Coelet, pode ser tudo o que é discurso que não leva a nenhuma prática ou aprendizagem. “Falar menos e fazer mais” ou “muito ajuda quem não atrapalha” como diz o povo sábio, sendo que quem não sabe “meter a mão na massa”, também não vale a pena aparecer com discursos bem intencionados. A boa intenção tem de ser ação comungada, para o benefício de não haver divergências na prática, mesmo que as haja na teoria. Dizem que uma boa teoria leva a uma boa prática; para o cristão a Palavra basta, requerendo-se, a partir da sua boa compreensão, o desenvolvendo de uma sinergia entre o que fazemos e o que ouvimos do Evangelho. Quando os místicos dizem que «só Deus basta» (Santa Teresinha, etc.), talvez queiram dizer-nos que o que Ele disse e fez em Jesus basta. Imitêmo-l’O da melhor forma possível!

[Oração] Sal 89 (90)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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O tempo verbal de Jesus é o “tem de ser” sem títulos nem rodeios

​[Leitura] Co 3, 1-11; Lc 9, 18-22

[Meditação] A sabedoria de Coelet tem-nos vindo a mostrar o “Génesis” do Tempo, apresentado, também, como “criatura” que Deus cronometrou numa certa ordem, para que o homem pudesse compreender o princípio e o fim de todas as coisas que há debaixo do céu. Jesus sabe, também, que não escaparia à fugacidade do tempo e, por isso, não se deixou distrair com as suas rápidas alternâncias.

Lembrado de ter ouvido falar do fatídico recenseamento que o pai do então Herodes Antipas mandou fazer com o intuito de O matar, porque não sofre de “apagões” na memória, Jesus faz uma sondagem entre os seus, dando conta de que, afinal, entre outros títulos, também O querem fazer rei à moda do mundo, pondo-O, no “nascimento” para a sua vida pública, a correr o risco de ver o seu projeto novamente “abortado” às mãos de um herdeiro igualmente invejoso.

Agora, Jesus não se importa com a ignomínia da morte, tanto quanto com a possibilidade real de que este segundo Herodes Lhe “mate” a missão de salvar a humanidade, uma vez que ao juntar as peças do “puzzle”com a ajuda da mesma sondagem confirmada por Jesus, procurava vê-l’O com a perplexidade de se ver perseguido por Aquele a quem o seu pai não conseguiu tirar a vida.

Maduro, sem rodeios e sem se apegar ao título, mesmo que merecendo-o, Jesus opta pelo imperativo do tempo “tem de ser”, não para fugir, mas para Se entregar convenientemente em obediência ao Pai, diante de quem orava sozinho. Imitando-O, fora do “paraíso” inicial que simboliza a infância de cada ser humano, cada jovem e adulto é chamado a reconfigurar a vida segundo o mesmo imperativo de aproveitamento do tempo para fazer o que tem de ser feito, para não se ver deitado às “garras” dos “reis” que o usam mal à custa de súbditos e cúmplices.

[Oração] Sal 143 (144)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Jesus é a novidade que tudo muda!

​[Leitura] Co 1, 2-11; Lc 9, 7-9

[Meditação] Um dos “muros” em que, frequentemente, “batemos com a mente” (lamentamos), com ou sem razão, é a afirmação ligada (ou não) ao facto de a cultura atual não se importar com a memória das heranças do passado. E dizemo-lo como se isso fosse inédito! A sabedoria de Coelet quebra-nos esse “muro” de uma mente fixada nas modas que nada mudam.

A perplexidade de Herodes entre o que ouvia dizer sobre o que Jesus fazia e os títulos que Lhe atribuiam “empurrava-no” para a contemplação da sua Pessoa. Tal era a força da Luz que o atraia para fora das litanias que os seus subditos estavam habituados a recitar, ignorando a história e os seus (mal)feitores.

O leitor poderá, também, ficar perplexo diante da resposta à pergunta: que motivos, por detrás daquela perplexidade, levarão Herodes a procurar ver Jesus? Também este “Antipas” não se deve estar a recordar com que finalidade é que o seu pai “O Grande” matou aqueles Santos Inocentes. Quer, urgentemente, dissipar as dúvidas sobre aquele “Sol” que parece, também a ele, estar a “fazer sombra”.

Para os menos perplexos, Jesus é o único refúgio seguro, através das gerações, que há que olhar de frente, sem medo, porque “não tira nada, dá tudo” (Bento XVI).

[Oração] Sal 89 (90)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo