Publicado em Lectio Humana-Divina

Praticar primeiro o que perfuma a alma, depois o que condimenta o prato

[Leitura] 2 Tes 2, 1-3a. 14-17; Mt 23, 23-26

[Meditação] O povo diz que a montra, geralmente, mostra o que vai no interior. E se não for assim à primeira vista, mais tarde ou mais cedo tudo se vem a revelar. É o que acontece com a miséria social: não é sempre porque alguns trabalham menos ou são menos espertos do que outros. Há sempre um lastro de farisaismo hipócrita na sociedade, que deixa que idosos vivam com uma mísera reforma que só dá para os medicamentos para combater as debilidades físicas que aumentam e para alguns poucos alimentos para saciar o corpo cujas forças físicas diminuem. Aqueles que esta sociedade deveria cuidar melhor − idosos e crianças − acabam por ser aqueles que a sociedade consumista e o sistema educacional coloca em segundo patamar, a julgar pelo orçamento que se gasta com os mesmos.

Escribas e fariseu do tempo de Jesus sabiam que “grão a grão enche a galinha o papo”, fazendo com que o dízimo das ervas aromáticas plantadas nos canteiros caseiros lhes dessem algum rendimento. Jesus revela-lhes que há um “canteiro” mais perto deles que lhes pode “render” muito mais vida, a eterna, se eles o quiserem por primeiro, sem prejudicar ninguém, sobretudo os mais pobres. Trata-se de colocar primeiro os valores do Reino: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Estes é que são os “condimentos” fundamentais do Reino de Deus que podem não saciar o corpo, mas que perfumam a alma!

Não é sempre com o objetivo de obter rendimentos materiais que o ser humano tergiversa os verdadeiros valores. Outras vezes é por causa do poder e da fama. Os três tipo de tentação estão sempre pressentes como possibilidade de mudar de assunto ou usara de subterfúgios para se obter o que se deseja e não o que é objetivamente bem, bom e belo. Quem quiser colaborar com a construção de uma nova ordem social seguindo a lógica de Jesus Cristo, pode sempre imitar Etty Hillesum:

Eu não acho mais que se possa melhorar alguma coisa do mundo exterior sem antes ter feito a nossa parte dentro de nós… devemos procurar em nós mesmos, não em outro lugar.

[Oração] Sal 95 (96)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Lectio Humana-Divina

Porta estreita: o espaço por onde espreita, no tempo, a luz da glória divina

[Leitura] Is 66, 18-21; Hebr 12, 5-7. 11-13; Lc 13, 22-30

[Meditação] Quem não deseja a cura na doença e a paz na tristeza? Porém, acontece, frequentemente, na alegria nos despistarmos pelo caminho da tristeza e na saúde descuidarmos a prevenção do que faz sofrer. Por isso, em qualquer “matrimónio” − seja o dos esposos, seja a esponsalidade entre cada crente ou consagrado e Deus − a correção permite a consistência da relação em todas as circunstâncias, mesmo que isso nos cause um sofrimento que será só momentâneo na vida terrena: «na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida» (do Consentimento, no Ritual do Matrimónio).

Num outro texto litúrgico desta semana ouvimos os discípulos fazer uma pergunta idêntica a Jesus sobre os que se salvam: «Quem poderá então salvar-se?» (cf. Mt 19, 23-30). A pergunta de hoje não se refere à qualidade de «quem», mas ao número de «quantos». Segundo Mateus, a resposta de Jesus refere-se ao que só Deus, que é o único Bom, pode fazer (o impossível). Em Lucas, a resposta de Jesus refere-se ao que o homem pode/deve fazer como procedimento para acolher a salvação: entrar na “porta estreita”. Portanto, quanto à qualidade só a Bondade de Deus pode julgar e possibilitar; quanto à contingência da quantidade, depende da resposta da liberdade humana no espaço de tempo que lhe é permitido viver na terra.

Segundo o Papa Francisco, “o tempo é superior ao espaço”. Esta afirmação da Evangelii Gaudium (nn. 222-225) surge como um dos 4 princípios úteis à construção do bem comum e da paz social de um povo. Trata-se de assumir a tensão (que ele chama de “bipolar”) entre a plenitude e o limite, que caracteriza toda a realidade humana, pessoal ou colectiva:

Existe uma tensão bipolar entre a plenitude e o limite. A plenitude gera a vontade de possuir tudo, e o limite é o muro que nos aparece pela frente. O «tempo», considerado em sentido amplo, faz referimento à plenitude como expressão do horizonte que se abre diante de nós, e o momento é expressão do limite que se vive num espaço circunscrito. Os cidadãos vivem em tensão entre a conjuntura do momento e a luz do tempo, do horizonte maior, da utopia que nos abre ao futuro como causa final que atrai. Daqui surge um primeiro princípio para progredir na construção de um povo: o tempo é superior ao espaço. (n. 222)

Ora, a plenitude está em Deus e é Ele que nos pode “abrir a porta” para acedermos à mesma; já o limite, este encontra-o o ser humano cada vez que se confronta com as contingências que o separam da perfeição de Deus. Por isso, na sua história com o Povo, Ele apresenta-se como um Pai que acompanha o ser humano com sentimentos e ações de paternidade, suscitando e esperando respostas filiais, como descreve a Carta aos Hebreus e, como também garante o Papa Francisco, não o faz sem Se colocar no lugar do outro e sentir o seu coração, dialogando… Por isso, é útil a correção e o sofrimento causado não só pelos limites, mas pelas más (re)ações que se decide fazer diante dos mesmos. Está provado que educar pressupõe sempre desagradar aos que se educam, sendo que isso não represente sempre a correção de um mau comportamento, mas, em sentido positivo, a defesa dos sonhos que se “matam” se não se dedicar tempo na educação ou se esta se fizer às pressas.

O objetivo de Deus foi alcançado em Jesus Cristo, que no monte do calvário possibilitou a que pudéssemos contemplar a sua glória, obedecendo-Lhe até à morte de cruz e merecendo a exaltação de Ressuscitado. A educação humana e a da fé requerem-se, no tempo e nos espaço, para resolver aquele bipolarismo da tensão entre a plenitude e o limite, sofrido na nossa humanidade e que pode resultar em distúrbio psicológico grave se não se for resolvendo com tal educação. Resistir a esta educação é fonte de infelicidade e, em última análise, de guerras interiores, familiares e entre povos e nações. Aceitá-la de bom agrado é responder ao convite de nos encontrarmos todos para contemplar a glória de Deus naquele monte prometido. Participemos neste desafio, como aconselha Etty Hillesum, começando por melhorar alguma coisa a partir do interior de cada um de nós.

[Oração] Sal 116 (117)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Publicado em Formação Sacerdotal, Lectio Humana-Divina

O que não for encontro entre misericórdia e fidelidade é representatividade enganosa

[Leitura] Ez 43, 1-7a; Mt 23, 1-12

[Meditação] É curioso que, no Pontifical Romano, quando se acolhem os candidatos à formação presbiteral, na admissão às Ordens Sacras, o Bispo interroga os candidatos começando por dizer: «Filhos caríssimos: Os pastores e mestres encarregados da vossa formação…», etc. Se, na Eucaristia em que se insere este rito, calha a proclamar-se o texto evangélico de hoje, corremos o risco de ouvir a consciência dizer-nos o mesmo que Jesus diz dos que se sentam na cadeira de Moisés. É preciso um melhor texto para acolher aqueles que a Igreja quer formar, sabendo que o que se diz programa a vida, quando a vida se quer praticada em coerência com o que de bem se diz. Na verdade, os formadores não fazem de “mestres”, sendo que a sua humilde missão é a de, continuadamente, apontarem como referência de toda a formação o Mestre único e verdadeiro.

Já estou a ouvir alguns a dizer que essa palavra está em minúscula… Ok! Da minúscula à Maiúscula vai só um pedaço de vaidade que surge na esquina do processo formativo, lá onde é difícil de fazer o que o Mestre manda ensinar. E o que é mais fácil de acontecer é esconder na “batina” os pecados e mostrar só com palavras o que está escrito no Livro que todos têm como referência. Mas… responda-se à pergunta: a verdadeira Escritura não é a Palavra feita vida, como Jesus, Ele próprio, na sintonia do que disse e fez, é a Palavra feita carne?

A glória de Deus habita na terra, como diz o salmo, quando se encontram a misericórdia e a fidelidade. Para que haja frutos, Deus contribui com o que é bom, fazendo o que é justo. Somos chamados a responder com atitudes que promovam a paz iluminada pela sua justiça que é misericórdia. No meu humilde reparo, na Igreja, aquele encontro entre a misericórdia e a fidelidade já acontece entre as duas fontes dinâmicas entre si: a Sagrada Escritura e o Magistério Petrino. Para quê mais confusões? Para quê mais correntes? Pedro senta-se na cadeira que Jesus lhe deixou, que é uma forma de vida e uma Sua representação na autenticidade (e não um assento de veludo!), assim com os Presbíteros se deveriam sentar na cadeira do Bispo quando o substituem nalguma celebração (mais uma contradição dos cerimoniais nas sedes catedralícias). Quando algum poder humano se sobrepõe ao que Jesus disse, sobrepondo-o, há que perguntar à Palavra de Deus e ao Magistério autêntico. Tudo o resto não é só perda de tempo como, inclusivamente, atraso da salvação, onde a Igreja é chamada a ter o seu papel que não lhe será tirado como ouvinte da Palavra (parafraseando Lc 10, 42).

[Oração] Sal 84 (85)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Revivemos hoje, quando amamos a Deus acima de tudo e ao próximo como a nós mesmos

[Leitura] Ez 37, 1-14; Mt 22, 34-40

[Meditação] Conforme a educação cristã que recebemos, podemos correr o risco de observar unilateralmente o conteúdo do Evangelho hoje proclamado: amar o Senhor Deus com todo o coração, alma e espírito, e amar o próximo como a nós mesmos. Pode haver quem pense que este mandamento é um mero objeto de cumprimento, quando poderá ser um princípio de vida nova que já se pode experimentar neste mundo. Amar a Deus e ao próximo é, já, forma de reviver.

Não será que a reevangelização tão necessitada na Europa também será a uma resposta plural a uma tradição unilateral de vida cristã, exageradamente assente num sacramentalismo sem prévia profecia e de cumprimento de tradições culturais sem avaliação da objetividade do dever (muitas vezes mais perante a subjetividade própria e dos homens do que diante de Deus)? Na primeira leitura, damos conta como Deus demonstra a Ezequiel o seu poder de dar a vida aos ossos ressequidos mediante a tarefa da profecia diante dos escombros da morte.

A provocação farisaica do episódio evangélico de hoje surge como reação ao facto de Jesus ter calado os saduceus sobre a ressurreição dos mortos, demonstrando-lhes saber como é a vida nova do Reino e dos sinais que a declaram na história do Povo de Deus. Pergunto: não será que a nossa prática da fé cristã, por causa da carga legalista em que tem estado enclausurada (por uma visão unilateral do Evangelho), tem-se negado a vislumbrar a novidade que está por detrás do que vemos, manifestando a coragem de uma aproximação de quem sofre, lá onde uma fé de mero cumprimento (fundamentalista, apoiado somente em códigos) nos limita as pernas enferrujas pelo medo. Um caso real destes dias é a falta de aproximação política e humanitária de Alepo, onde continuam pequeninos a perder a esperança de vida por causa do mal causado por aqueles que, no fundo, já a perderam há muito.

[Oração] Sal 106 (107)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Vontade de Deus, a textura que nunca passa de moda para a veste do Reino

[Leitura] Ez 36, 23-28; Mt 22, 1-14

[Meditação] Se o ser humano não fizer por aceitar o convite a entrar no banquete do Reino, quer dizer, por acolher a sua forma eterna de viver, pelo menos, fará Deus a sua parte. Como é “de Deus”, no Reino vigora a sua vontade salvífica. A parábola de Jesus demonstra a paciência de Deus, o seu respeito para com a liberdade humana e a sua firmeza quanto à pedagogia da gradualidade. Não vale a pena andarmos com rodeios e com modas: no final, é o Batismo bem vivido na prática que conta, no amor com que se viveu o estado de vida, pessoal e comunitariamente.

Até certos partidarismos, a certa altura, se não se retiram como os andaimes, serão incapazes de ajudar, possuindo para além da vocação essencial que é a da Santidade (vocação universal). Pelo contrário, Jesus fez tomar parte os pobres e pecadores, indiscriminadamente, para nos demonstrar como até eles, na sua indigência material e moral, eram capazes de aderir à única Vontade que salva, a do Amor infinito de Deus. Todos os instrumentos de que o Espírito Santo se serve, na Igreja, representam o esforço de Deus, feito pela via imanente (desde “baixo”) para nos atrair ao caminho de felicidade plena.

Não foi ao acaso que a Congregação para a Doutrina da Fé publicou recentemente o documento “Iuvenescit Ecclesia” sobre a relação entre os dons hierárquicos e carismáticos para a vida e missão da Igreja. Suponho que seja para trazer algum equilíbrio à confusão institucional que reina “às portas” do banquete celeste, nas várias texturas com que, por vezes, se quer propor (ou impor!) a veste nupcial. Muitas vezes, o que se percebe dessa confusão, à primeira vista é o postulado “confundir para reinar”, começando por rasgar-se, infelizmente, o elementos identitário das instituições e, sobretudo, do povo de Deus. São claros os objetivos do referido documento:

A Congregação para a Doutrina da Fé, com o presente documento, deseja referir-se, à luz da relação entre dons hierárquicos e carismáticos, aos elementos teológicos e eclesiológicos cuja compreensão possa favorecer uma fecunda e ordenada participação das novas agregações na comunhão e missão da Igreja. Com este objetivo, serão primeiramente apresentados alguns elementos chave, quer da doutrina sobre os carismas presente no Novo Testamento quer da reflexão do Magistério sobre estas novas realidades. De seguida, partindo de alguns princípios de ordem teológico-sistemática, serão oferecidos elementos identitários dos dons hierárquicos e carismáticos juntamente com alguns critérios para o discernimento das novas agregações eclesiais. (n. 3)

Trabalhemos, vindos de todos os estilos de vida e de todas as latitudes carismáticas, no Espírito de Comunhão que o Pai e o Filho nos deram, no mesmo “tear” , para que, à entrada do Reino, todos tenham aquela veste, cuja textura é, unicamente, a da extraordinariamente amorosa Vontade de Deus que salva!

[Oração] Sal 50 (51)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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O que apascenta recebe o mesmo Reino dos que é chamado a apascentar

[Leitura] Ez 34, 1-11; Mt 20, 1-16a

[Meditação] A Palavra de Deus é uma “espada de dois gumes” em qualquer tempo e situação. Diante o episódio dos trabalhadores contratados a horas diferentes e pagos segundo a mesma moeda, coroado com a máxima «os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos» vem-me à mente a ideia de que não vale a pena andarmos a alimentar uma forma de viver a fé com um zelo farisaico, porque, na hora, devida, os bens do céu são do Senhor e Ele distribui-os conforme quer. São d’Ele! Não cabe a nós senão aceitar o convite a entrarmos na sua lógica. Não vá acontecer (como se suspeita, por vezes!) que aconteçam com os bens do Reino o que acontece com os bens de uma nação: os que detêm o poder político usam os bens dos pobres para se enriquecer a seu bel prazer. Ainda bem que é de forma diferente, Senhor, com os bens do alto!

Portanto, o zelo dos pastores, à luz da Palavra de hoje, penso dever ser correspondente às necessidades das ovelhas sem que disso tire proveitos. “Ter cheiro a ovelhas” pode significar, no convite do Papa Francisco, estar marcado pelas mesmas caraterísticas dos que somos chamados a servir, o que faz com que os pastores não sejam uns intocáveis ou alienáveis das contingências das suas “ovelhas”. É neste sentido que o Papa, porventura, olha para uma Igreja que não sai do monte em que tudo se providencia estar bem, esquecendo-se por vezes dos que vivem debilmente (seja física, psíquica ou moralmente) nos vales da existência. É preciso deixar de aprovisionar dentro para obrigar a sair para fora, com pouco em matéria, mas muito no coração. Neste sentido, no meu humilde ver, os acórdãos com os sistemas de segurança social são uma “muleta” que impede a Igreja de sair. Quero dizer que ainda não me parece ser o modelo ideal para que a Igreja seja a antecâmara do Reino, em matéria de pastoral social. Jesus Cristo nasceu e habitou no vale da existência humana, para, de braços dados com a humanidade, levá-la a subir o monte da salvação. Imitá-l’O nesta matéria parece ser um imperativo evangélico que não precisa de muitos argumentos para se propor.

[Oração] Sal 22 (23)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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O Reino por detrás da resposta conveniente a duas questões primordiais

[Leitura] Ez 28, 1-10; Mt 19, 23-30

[Meditação]  Ao episódio do jovem rico (Mt 19, 16ss), sucedem-se os ensinamentos de Jesus sobre a humildade e a pobreza como condições para se entrar no Reino de Deus. Podemos compreendê-las, também nós, na resposta a duas perguntas contidas no Evangelho:

«Quem poderá então salvar-se?» Só Deus é que nos salva, a salvação é um dom seu à humanidade, em Jesus Cristo, e não acontece como fruto de qualquer ciência ou extravagância dos homens. A profecia de Ezequiel é um aviso disso mesmo ao soberano que se faz passar por um deus, mas que não se pode livrar da morte dos que se avizinham dele para o matar. Não vale a pena termos pretensões divinas. É a condição humilde de criaturas que nos fará encontrar em Deus o sentido verdadeiro da nossa existência. Portanto, fazer passara um “camelo” (animal com duas bossas ou corda grossa de aportar os navios) não é o grosso problema! O mais grave problema é convencer o ser humano de que não pode substituir Deus!

«Que recompensa teremos?» Ainda bem que Pedro pressupõe esta pergunta com a confirmação de que deixaram tudo para seguir Jesus. De facto, para obtermos a herança da vida eterna, é necessário assumirmos fazer parte de uma fraternidade universal que supõe a renúncia a preferir os laços de sangue ao seguimento do Mestre. Sendo Ele que nos veio dar a Vida verdadeira, há que escolher fazer parte do seu projeto, vendendo tudo e dando aos pobres.

Na resposta a estas duas questões, confirma-se a nossa atitude perante duas questões primordiais, das quais depende todo o edifício da nossa existência e do acolhimento do projeto da salvação: a humildade em aceitar ser-se criaturas e não substituir Deus (drama de Adão e Eva), contra todo o tipo de homicídio; aceitar ser irmãos de todos a partir da relação com Jesus Cristo (drama de Caim e Abel), contra todo o tipo de fratricídio. Toda a vida de Jesus na terra foi uma resposta constante e conveniente às duas perguntas do Evangelho, pois Ele «sendo rico fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9).

[Oração] Cântico (analisando a própria situação diante de Deus e dos irmãos, manifestando a direção que se quer tomar, acolhendo o convite e a força de Deus para se entrar no seu Reino):

Senhor,
quem entrará no santuário p’ra Te louvar? (bis)
Quem tem mãos limpas, um coração puro,
quem não é vaidoso e sabe amar. (bis)

Senhor,
eu quero entrar no santuário p’ra Te louvar. (bis)
Oh, dá-me mãos limpas, um coração puro,
arranca a vaidade, ensina-me a amar. (bis)

Senhor,
já posso entrar no santuário p’ra Te louvar. (bis)
Teu sangue me lava, Teu fogo me queima,
o Espírito Santo inunda o meu ser. (bis)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo