A redenção é a encarnação da Palavra na aceitação original do corpo!

[Leitura] Tg 5, 9-12; Mc 10, 1-12

[Meditação] Como solução para os problemas derivados da dureza do coração humano, Jesus reenvia para a originalidade da criação de Deus. Nada na criação é contra o ser humano e nada do que Jesus tenha proposto para redimir o ser humano contradiz a “imagem e semelhança”  que Deus quer aperfeiçoar em cada pessoa.

No entanto, ao longo da história houve sempre desvios quanto à postura correta quanto à forma de ver quer os problemas derivados da dureza humana, quer de propor uma solução para eles. Não foi à toa que o Papa Francisco nos voltou a convidar a refletir nas heresias do individualismo neoplagiano e no desprezo neognóstico do corpo (cf. Cap. II da Exortação Apostólica “Alegrai-vos e exultai”).

No entanto, hoje, a Igreja é chamada a saber acolher, acompanhar e integrar as situações difíceis, porque, na verdade, o Criador também não quis que o ser humano fizesse experiências erradas de amor, para as quais Jesus Cristo, na Igreja, também deixou formas de sanação, através de um caminho de discernimento desde a consciência pessoal até ao ideal da comunhão com o mesmo Deus criador e redentor da humanidade.

[Oração] Sal 102 (103)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

É Jesus que lança os alicerces do ecumenismo prático

[Leitura] Tg 4, 13-17; Mc 9, 38-40

[Meditação] À parte da inveja dos que se principiaram na primeira escola do discipulado de Jesus − que aqui não tem lugar qualificar, mas apenas justificar pelo facto de os “de fora” fazerem milagres e os que O seguiam mais de perto não conseguirem (veja-se a difícil cura do filho epilético narrada em Mc 9, 14-29) − o Evangelho de hoje mostra-nos a abertura de Jesus aos “homens e mulheres de boa vontade” que, embora não seguindo de perto os seus ensinamentos, tinham uma sensibilidade para a prática dos valores contidos neles, talvez pela admiração que Lhe nutriam, apesar de não terem condições (culturais, políticas, morais, espirituais, etc.) para O poderem acompanhar.

Estão aqui os elementos que permitiram a Igreja refontalizar-se quanto ao que está contido do Decreto Conciliar Lumen Gentium e que abre portas ao chamado “ecumenismo prático” que une cristãos e não-cristãos na promoção da vida e da dignidade da pessoa humana, como despiste a todo o tipo de fundamentalismo que que negue aquele fundamento.

Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e connosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida recta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demónio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões.

Lumen Gentium, n.º 16

Lumen Gentium n. 16

[Oração] Sal 48 (49)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

As discussões no caminho de santidade nem sempre têm a ver com a meta correspondente

[Leitura] Tg 4, 1-10; Mc 9, 30-37

[Meditação] Não tem sido infrequente o diálogo sobre a diferença entre fazer o Caminho de Santiago e de Peregrinar até Fátima, apontando como diferenças a acentuação da importância dos benefícios do caminho no primeiro caso e do cumprimento da promessa de chegar à meta no segundo caso. Nem sempre os argumentos são fáceis de harmonizar entre estas duas experiências espirituais, descobrindo-se uma dialética entre elas, talvez nunca possível de remover, tal a sua ligação com a sua correspondência ao núcleo da alma humana.

A pergunta de Jesus − «Que discutíeis no caminho?» − prende-se com a qualidade de uma peregrinação que vai desde o interior de cada um até à meta que Ele estava a agendar no seu programa: «O Filho do homem vai ser entregue… mas Ele, três dias depois…» Como os discípulos ficaram calados, não tendo uma resposta satisfatória quanto à correspondência entre “meio” e “fim”, Ele propõe-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». Esta resposta diz-lhes que a meta (ser o primeiro) terá de implicar, no caminho, a diligência do serviço.

Não é à toa que, no Caminho de Santiago, há uma regra fundamental para quem vai num grupo: o que estiver com menos condições físicas para caminhar é que marca o ritmo do caminho, ficando todos os outros atrás e ao lado. Este critério penso estar em sintonia com o remate final do Mestre: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

[Oração] Sal 54 (55)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A graça da cura vem sempre depois da oração coleta

[Leitura] Tg 3, 13-18; Sal 18 B (19B), 8. 9. 10. 15; Mc 9, 14-29

[Meditação] Na segunda-feira após o Pentecostes, a Igreja, pela primeira vez, convidou-nos a celebrar a Memória obrigatória dedicada à Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja. É uma boa forma de retomarmos a vivência/celebração do Tempo Comum, desta vez na 7ª semana do mesmo. O trecho do Evangelho, tomado do lecionário ferial (só nas Festas é que se costumam tomar do Santoral ou caso as razões pastorais o inspirem), faz-nos contemplar uma cura que tem a ver com a relação entre um pai e um filho.

O primeiro aspeto que ouso partilhar, fruto da minha humilde reflexão é o de que, frequentemente, nos esquecemos que a Oração coleta (da Missa principalmente) não serve só para convocar os fiéis, mas também para invocar (como o conteúdo da mesma sempre insinua) a graça do Senhor que está quando dois ou três se reúnem em nome d’Ele (cf. Mt 18, 20). Portanto, coletam-se os fiéis para, juntos, se coletar a graça que o Senhor oferece pelo Sacramento. Foi o que Jesus conseguiu no final e apesar de tudo, com a oração unânime ao Pai, no mesmo Espírito Santo.

O segundo aspeto, partilho-o em comunhão com a análise psico-esiritual de Anselm Grün e Maria-M. Robben (em “Come curare le ferite dell’infanzia”), que sugerem que o capítulo novo do evangelho segundo S. Marcos se dedica à cura na relação pai-filho. Sem culpar o pai de tal possessão, quer analisar-se tal relação que por vezes é falida: o pai diz que o filho está possesso por um espírito impuro; por sua parte, o filho não emite nenhum som, mas manifesta-se de muitas outras maneiras (ficando rígido e espumando…). Na verdade, na relação com o pai, não encontrou espaço para falar de si e dos próprios sentimentos. Entre os dois há uma ausência total de comunicação. Não têm mais nada para se dizerem. Talvez a mudez do filho nos reenvie para uma mudez do pai, uma vez que talvez o pai também não tenha conseguido nunca emitir os seus sentimentos reais, mas apenas descrever os sinais da doença do filho.

O terceiro aspeto é a afirmação de que, frequentemente, a cura de alguém como um filho pode implicar a cura do pai (o mesmo se pode considerar entre uma filha e a própria mãe), o que permitirá a cura da relação entre ambos. Naquele cenário, podemos olhar para o fogo para o qual as forças do mal atiram o filho como se se tratasse a paixão, a sexualidade, a agressividade; e a água como símbolo do inconsciente em que ficam “arquivadas” todas as forças que “falam” sem palavras, mas com sintomas físicos que acabam por declarar o que existiu ou não existiu no crescimento de um filho. É curioso que aquele pai não peça a cura só para o seu filho: «Mas se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e socorre-nos». Pede para a relação recíproca.

O quarto e último aspeto é o da fé que preside à oração. Declara-lhe Jesus: «Se posso?… Tudo é possível a quem acredita». Por um lado, sugere àquele pai que também ele pode, desde a fé no Pai do céu, curar o filho a partir de uma nova relação com ele. Este filho levanta-se, apoiado pela mão de Jesus e, também, no descanso de uma nova relação com o pai. Aos discípulos diz o mesmo: não se pode curar estas doenças a não ser pela oração. Deixemos, hoje, que Maria nos inspire desde a sua capacidade de crer, mantendo os discípulos em oração no cenáculo na espera do Espírito Consolador, tão necessário nos relacionamentos humanos, para que, pelos mesmos, nos sintamos parte de um só Corpo, o do Filho Unigénito do Pai.

[Oração] Desde sempre que os filhos, para obter algo dos pais, frequentemente foram ter com as mães, em primeiro lugar ou reenviados por eles, para se obter a satisfação dos desejos filiais. Rezemos, pois, à Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja:

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe santíssima, abençoai as nossas crianças e a sua relação com os pais, a quem as confiais. Guardai-as com cuidado maternal, para que nenhuma delas se perca. Defendei-as contra as ciladas do inimigo e contra os escândalos do mundo, para que sejam sempre humildes, mansas e puras. Ó Mãe nossa, Mãe de misericórdia, rogai por nós e, depois desta vida, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce sempre virgem Maria. Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Pentecostes: do «Deus connosco», pelo «Deus em nós» ao «Deus para todos»

[Leitura] Act 2, 1-11; Sal 103 (104); 1 Cor 12, 3b-7. 12-13 / Gal 5, 16-25; Jo 20, 19-23

[Meditação] Com a Ascensão de Jesus ao Céu e o envio do Espírito Santo, os discípulos de Jesus começaram a viver uma nova etapa da história, em que da presença visível de Jesus Cristo se dá lugar à ação invisível do Espírito Santo. Podemos, por isso, afirmar que os Atos dos Apóstolos é o «Evangelho do Espírito Santo», uma vez que o mesmo descreve a Sua ação inspiradora nos discípulos que proclamam as palavras e imitam os gestos de Jesus Cristo.

Os textos do Pentecostes podem ajudar-nos a enumerar três aspetos pelos quais acolhemos o «Deus em nós» no Espírito Santo que Jesus “soprou” sobre os seus discípulos e que a Igreja continua a acolher pelos Sacramentos da Iniciação Cristã:

1º – Uma linguagem esclarecida e esclarecedora sempre apoiada na Palavra e traduzida para ser compreendida por todos. Jamais, na Igreja, podemos andar a dizer coisas que, em vez de nos levar a sair para fora e ser compreendidos por todos, nos entretêm dentro com caricaturas de linguagem que só anestesiam quem a inventa inutilmente.

2º – Estratégias pastorais unânimes que confirmem quer a Palavra do Senhor, quer a identidade de uma Igreja a quem Ele deixou uma missão concreta de cooperar com a sua salvação, destinada a todos os povos.

3º – Uma abertura de coração universal e inclusiva que deixe passar o “sopro” consolador e misericordioso de Deus à vida da humanidade caída, para que se restaure nela a “imagem e semelhança de Deus”.

[Oração] Rezar a Sequência o Pentecostes:

Vinde, ó santo Espírito,
vinde, Amor ardente,
acendei na terra
vossa luz fulgente.

 

Vinde, Pai dos pobres:
na dor e aflições,
vinde encher de gozo
nossos corações.

 

Benfeitor supremo
em todo o momento,
habitando em nós
sois o nosso alento.

 

Descanso na luta
e na paz encanto,
no calor sois brisa,
conforto no pranto.

 

Luz de santidade,
que no Céu ardeis,
abrasai as almas
dos vossos fiéis.

 

Sem a vossa força
e favor clemente,
nada há no homem
que seja inocente.

 

Lavai nossas manchas,
a aridez regai,
sarai os enfermos
e a todos salvai.

 

Abrandai durezas
para os caminhantes,
animai os tristes,
guiai os errantes.

 

Vossos sete dons
concedei à alma
do que em Vós confia:

 

Virtude na vida,
amparo na morte,
no Céu alegria.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Will… Willing… Willingness… na resposta ao Amor do Bom Pastor

[Leitura] Act 25, 13b-21; Jo 21, 15-19

[Meditação] Nas vésperas do Pentecostes, Jesus não nos deixa por menos: com as perguntas que faz a Pedro, após a Ressurreição, quer certificar-Se que também nós, antes de recebermos o Espírito Santo que nos impele à missão da Igreja, respondamos ao Seu Amor (que é, na verdade, o próprio Espírito Santo), respeitando a gradualidade no crescimento da nossa resposta para o Amor.

Na língua inglesa, há três palavras que nos ajudam a “dissecar” a expressão da nossa “vontade” na resposta ao seguimento apostólico do Senhor:

1. Will será a prontidão ou a capacidade de tomar decisões; pode ser o “primeiriar-se” proposto pelo Papa Francisco na “Alegria do Evangelho” (n.º 24). Depois da primeira resposta de Pedro à pergunta «Tu amas-me mais do que estes?», Jesus pede que o Apóstolo apascente os seus cordeiros. Dá-nos a impressão que o Senhor o queira colocar em estágio, cuidando daqueles que oferecem menos resistência.

2. Willing será disposição correta que permite atuar através de decisões. Depois da seguna resposta, o Senhor pede que Pedro apascente as suas ovelhas. Dá a impressão que Pedro já passou o estágio, sendo capaz de acompanhar os cristãos adultos.

3. Willingness será o estado no qual o sujeito não tem necessidade de persuasão para tomar decisões; potência a responder; predisposição, estado de prontidão para uma decisão, de forma permanente, na fidelidade. À terceira resposta, Jesus não só pede que Pedro continue a apascentar as suas ovelhas, como insinua que ele mesmo será um “cordeiro” a ser levado para onde ele não quer, como Jesus, que foi como que «um cordeiro levado para o matadouro», quando deu a Sua vida na Cruz.

Neste texto do Evangelho, contemplamos a pedagogia de Jesus que pode e deve ser imitada pelos pedagogos cristãos de hoje (educadores e formadores), em que a formação do coração coloca questões à espera de respostas, no crescimento em maturidade que permita sair de uma comunidade educadora para uma Igreja em saída numa contínua missão em formação.

[Oração] Sal 102 (103)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A união no mal distrai da união para o bem

[Leitura] Act 22, 30: 23, 6-11; Jo 17, 20-26

[Meditação] Ainda no domingo passado, na Solenidade da Ascensão do Senhor, ouvíamos o evangelista Marcos, com a sua visão de comunidade desburocratizada e universal, transmitir-nos o ímpeto da pregação para que a Palavra seja levada “a toda a criatura”, para que todos possam acreditar em Jesus Cristo, de forma a não caírem na condenação.

Hoje (quinta-feira da VII semana da Páscoa), reparemos que os fariseus e saduceus se unem contra Paulo, quando este cumpre aquele ímpeto pregador, partindo da naturalidade farisaica a que pertence. A sua pregação devide aqueles, uma vez que os saduceus não acreditam na ressurreição dos mortos.

Acontece, assim, com a pregação de Paulo o mal menor daquela separação dos seus inimigos, para que aconteça o bem possível da salvação de alguns.

[Oração] Sal 15 (16)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

O “testamento” de Jesus é um mandamento dinâmico, gratuito e universal!

[Leitura] Act 1, 15-17. 20-26; Jo 15, 9-17

[Meditação] A forma como aconteceu a eleição do Apóstolo Matias é bem clara de como deve ser a performance da relação entre a Cabeça que é Cristo e o seu Corpo que é a Igreja, após a Solenidade da Ascensão. Nesta aprendemos que os responsáveis da Igreja não substituem Aquele a que são configurados para servir o Povo de Deus. “O Espírito Santo e nós resolvemos…” (Act 15, 28) é o leitmotiv de todo o início de ação programática desta aventura (e não “nós e o Espírito Santo”, como, por vezes o ativismo pastoral ousadamente propõe, que não aparece no Novo Testamento).

O mandamento de Jesus, presente no Evangelho desta Festa de hoje, é diferente de um testamento em três coisas: no emissário, na forma e nos destinatários:

  TESTAMENTO MANDAMENTO
EMISSÁRIO Uma pessoa morta O Ressuscitado
FORMA Para transferir bens materiais Para transmitir a Salvação gratuita
DESTINATÁRIOS Para alguns familiares e amigos Para que todos, acreditando, sejam salvos

Invoquemos o Espírito do Pentecostes que nos foi enviado pelo Pai e pelo Filho Unigénito, para que este Corpo de que Cristo é a Cabeça não se deixe manipular pela mundanidade espiritual que nos larga ao drama do ativismo que nos dispersa em vez de nos fazer pregar a Palavra que pode levar a todos a acreditar na Salvação. Primeiro oração e a fraternidade, depois… o trabalho, confiando na promessa de Jesus, antes de colocar a nossa natureza humana junto do Pai.

[Oração] Sal 112 (113)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A inviolabilidade da vida humana não é para se morrer bem, mas para se viver (eternamente) bem!

ASCENSÃO DO SENHOR | SEMANA DA VIDA | 52º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

[Leitura] Act 1, 1-11; Ef 1, 17-23; Mc 16, 15-20

[Meditação] Num momento em que mais de 37 mil peregrinos se encontram em Fátima, não é fantasia nenhuma afirmar que o ser humano tem inscrita no seu interior a necessidade de buscar a verdade plena que se encontra em Jesus Cristo, a única capaz de nos tornar livres (cf. Jo 8, 32). É neste tema que se centra a Mensagem do Papa Francisco para o 52º dia Mundial das Comunicações Sociais, respondendo à urgência de combater as noticias falsas (“fake news”) com as quais muitos órgão de comunicação social sobrevivem, deixando um lastro de mentira que manipula a vida, sobretudo dos mais pobres e mais débeis. Nesta mesma solenidade da Ascensão do Senhor se inicia a Semana da Vida, onde somos convidados a defender, mais uma vez, a inviolabilidade da vida humana, quando os que governam a sociedade nos tentam impor a eutanásia como solução para o sofrimento em desespero. Esta é uma boa “hora” para os cristãos “acordarem” e, não ficando a olhar para os céus, reativarem esforços de esclarecimento em favor da dignidade da vida humana, conforme a vontade de Deus.

No Evangelho da Solenidade, Jesus Cristo garante-nos que, apesar de ter subido aos Céus, nunca deixará os seus discípulos órfãos, contrariamente à tendência humana de, na Sua ausência, ignorar que o Senhor coopera com quem Lhe é fiel. O povo costuma dizer «patrão fora, feriado na loja», o que neste âmbito nos leva a metaforizar desta maneira: para quem não crê em Jesus Cristo, tudo vale, fazendo-se passar por dono de uma suposta verdade, direcionada ao lucro a todo o custo e em favor próprio, com produtos que garantem aliviar os sofrimentos e estresses dos outros. Naturalmente que a consciência destes “outros” é manipulada no sentido de continuarem a sentir-se necessitados desses produtos que prometem aliviar o sofrimento, mas, ao final, nem sequer a angústia aliviam, só a aumentando num círculo de vício. Pois é neste ponto que o Papa nos convida a anunciar a única verdade libertadora, a única capaz de nos ajudar a identificar as necessidades essenciais para a vida humana, que se resumem no dom pascal da Paz.

Abriu-se, mais uma vez, a “caixa de pandora”: como não há produtos que solucionem todas as doenças, dando-se conta que a ciência tem limites, alguns propõem, com a mesma limitada ciência, pôr fim ao sofrimento com a perversa sugestão de pôr fim à vida da pessoa. É este o círculo vicioso da economia sem ética: é ser o grande “predador”, não aceitando que haja um Deus acima de si. Naturalmente que este tipo de economia sem ética tem um rosto ou rostos que habitam uma política sem escrúpulos, porque sem Deus. A perversidade chega até ao ponto de corromper as bases da nossa civilização, pela desobediência ao que consta nos artigos 24º e 25º da Constituição da República Portuguesa.

A liturgia desta Solenidade e o convite à celebração da Semana da Vida, incluem o grande “paliativo” do encontro que leve a ver bem, a julgar sobre os problemas envolvidos e agir em conformidade com aquilo em que se acredita. E a partir da Igreja, é preciso dar mais atenção à promessa do Senhor, mais do que na formação de “partidos”: «Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas;
se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». Andamos, por exemplo, há muitos anos, a fazer da Santa Unção uma “seringa” para se morrer com dignidade, do que uma petição para se viver com dignidade. Até quando, Senhor? De que modo podemos fazer as “exéquias” a esta pastoral “eutanásica”?

Há muito mais vida para vivermos que está «escondida com Cristo em Deus (cf. Col 3, 3). Para obedecermos aos desígnios do Amor que nos promete esta vida, somos convidados a promover o diálogo ente a ciência e a fé (e vice-versa) para que estas se multipliquem em afetos que possibilitem sobreviver ao desespero causado pelo sofrimento nas situações de limite. Segundo assegura Henrique Raposo, o «desencontro entre a técnica médica (que aumenta cronologicamente a vida dos idosos) e a moral familiar (que coloca o velho num canto) é a brecha da muralha por onde entra o veneno da eutanásia». O segredo é a Família! Vamos a programar e a atuar uma pastoral familiar de todos e para todos, sem as “gaiolas” em que deixamos oprimir a família cristã!

[Oração] Sal 46 (47); Oração pela Vida:

Pai Santo, Amor Criador,
Senhor da vida, Deus providente
e todo-poderoso: desde toda a
eternidade quisestes o ser e a vida de
cada um de nós, e enviastes o vosso
Filho ao mundo a fim de que tenhamos
a Vida e a tenhamos em abundância.

Dai-nos o vosso Espírito vivificante
para que, sempre, em qualquer
circunstância e sem exceção alguma,
defendamos, amemos e sirvamos a
vida, dignidade, direitos e integridade
de cada ser humano – desejado
ou imprevisto, são ou enfermo,
escorreito ou deficiente – desde o
momento da sua conceção, ou fase
unicelular, e em todas as fases da sua
existência até à morte natural, e,
indo, assim, ao vosso encontro,
alcancemos a felicidade eterna.

Por nosso Senhor Jesus Cristo,
vosso Filho, que é Deus convosco
na unidade do Espírito Santo. Ámen.

Oração pela Paz, única verdade que liberta:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.

Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão.

Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.

Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.

Vós sois fiel e digno de confiança;

fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:

onde houver ruído, fazei que pratiquemos a escuta;

onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;

onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;

onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;

onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;

onde houver superficialidade, fazei que coloquemos interrogações verdadeiras;

onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;

onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;

onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.

Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A memória do sofrimento atenua-se quando nos deixamos olhar por Jesus

[Leitura] Act 18, 9-18; Jo 16, 20-23a

[Meditação] Os textos evangélicos destes dias antes da Solenidade da Ascensão de Jesus têm um tom de despedimento testamentário. No entanto, as palavras de Jesus não anunciam somente uma outra forma de presença, mas incluem a promessa de um reencontro. Este interregno entre a convivência com Jesus, o tempo do Espírito e o reencontro com Jesus na última vinda encontra na experiência do parto uma explicação eloquente: de facto, uma  mulher grávida, entre a conceção e o dar à luz, vive na expetativa da surpresa que será a nova vida de uma criança, cujo questionamento culminará nas dores de parto. Assim também é a vida cristã: uma gestão de expetativas, entre a fantasia da fé e o realismo da esperança, que culminará na caridade que é o dar a própria vida pelos outros, em nome de Jesus.

É o olhar de Jesus, com toda a sua ternura, que nos permite como que relativizar os sofrimentos do caminho, para, juntos, celebrarmos a meta.

[Oração] Sal 46 (47)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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