O que virá a ser deste Menino, que vemos debruçados no berço do altar, na nossa vida?

[Leitura] Is 63, 16b-17. 19b; 1 Cor 1, 3-9; Mc 13, 33-37

[Meditação] Há duas cenas da vida quotidiana que nos podem ajudar a aproximarmo-nos  das leituras deste I Domingo do Advento:

1ª – A primeira cena é aquela vez em que tivemos de fazer algo de repentino para que uma comida lá em casa não se estragasse, por exemplo, um pedaço de carne, fazendo tudo o que foi preciso para não a ter de deitar fora, inclusivamente cozinhá-la para a servir com paladar o mais saboroso possível. Pois assim é o nosso Deus, que nos enviou o Seu Filho, para salvar a nossa carne com a Sua Carne. Outrora, Deus falou de muitos modos, como se fosse um vinhateiro que vem para cobrar o fruto do que é seu. Nestes tempos, veio pelo seu amado Filho para nos salvar com a sua morte e ressurreição, pagando o preço dos nossos pecados. Esta cena fala-nos de que é bom trabalhar.

2ª – A segunda cena é aquela que às vezes acontece quando andamos tão ocupados com os nossos afazeres que nem damos conta se algo de extraordinário acontece na nossa terra, pensando que nem sempre o que é extraordinário se faz anunciar pela TV ou as mais populares redes sociais. Também assim veio e continua a vir o Filho de Deus: faz-Se Filho do homem, nascendo como um dos mortais, ou melhor, experimentando a condição dos últimos da sociedade. Esta cena sugere-nos que é preciso associar ao trabalho a atenção ao mais importante, sendo que o mais importante não nos é ditado pela sociedade, pela família ou os amigos, mas por Deus.

Na diocese de Viseu, somos convidados a refletir o tema «Família, berço de Deus para a humanidade». Que a celebração do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo que se aproxima possa encontrar em nós a coragem de Lhe prepararmos o caminho, através do cuidado para com a(s) família(s).

[Oração] Sal 79 (80); Oração na família:

Senhor, ajuda cada membro da nossa família a estar atento e vigilante às necessidades da família inteira. Que cada um de nós contribua para que a nossa família possa ser uma verdadeira ‘manjedoura’, onde Jesus nasce!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

No meio das contrariedades deste mundo, germina o Reino!

[Leitura] Dan 7, 2-14; Lc 21, 29-33

[Meditação] Ao lermos o Livro de Daniel, não sabemos bem como interpretar todos os elementos estranhos que compõem a sua profecia. Sambemos, porém, à luz do Evangelho, que servem de sinais para comunicar que os acontecimentos do mal não têm a última palavra.

A lógica do Reino não é, assim, tão difícil de compreender que não a possamos, inclusivamente, pôr em prática. Se assim não fosse, Jesus não no-lo teria vindo anunciar. O desafio é, mesmo, não darmos a última palavra ao que nos mete medo, nos acontecimentos da história de hoje, sendo que, apenas, não tenhamos medo das “coisas de Deus”!

Louvemos o nosso Criador e tudo aquilo que Ele fez bem feito para nos servir de motivação no sentido de trabalharmos para o bem. Ele verá com todo o seu poder, em Jesus Cristo que renasce nos corações daqueles que O temem e servem.

[Oração] Dan 3, 75ss:

Montes e colinas, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Plantas que germinam na terra, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Mares e rios, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Fontes, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Monstros e animais marinhos, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Aves do céu, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Animais e rebanhos, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A autodefesa é inimiga do testemunho cristão!

[Leitura] Dan 5, 1-6. 13-14. 16-17. 23-28; Lc 21, 12-19

[Meditação] Há uma “moeda espiritual” a devolver a Deus (uma vez que a César se deve a moeda material), a do testemunho cristão, na qual reconheço várias séries de duas faces a caracterizar a aventura da semelhança com Deus:

1. O martírio branco e o martírio de sangue;

2. O reconhecimento da fragilidade pessoal e o empenho de amor praticado nas obras da fé;

3. O ambiente eclesial sempre a necessitar de purificação e o mundo social a precisar que a Igreja seja «hospital de campanha»;

4. Um rei com “pés de barro” a significar o poder do capitalismo politicamente mal orientado e a sabedoria de Deus presente num homem simples.

[Oração] Daniel 3,62.63.64.65.66.67:

Sol e lua, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Estrelas do céu, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Todos os ventos, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Fogo e calor, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.
Frio e geada, bendizei o Senhor,
louvai-O e exaltai-O para sempre.

[ContemplAção] Veja-se este vídeo.

Deixemos Jesus Cristo reinar, sem confusões e rodeios quanto à caridade

[Leitura] Ez 34, 11-12. 15-17; Sal 22 (23), 1-2a. 2b-3. 5-6; 1 Cor 15, 20-26. 28; Mt 25, 31-46

[Meditação] Uns jovens crismados encontrando-se com o Papa Francisco, aproveitaram para lhe perguntar o que deveriam fazer para estarem comprometidos com a missão da Igreja. Sua Santidade, sem rodeios, propôs-lhes: ide já, sem demoras, viver o que está escrito no capítulo 25 do Evangelho segundo S. Mateus!

O Papa poderia ter-lhes dito: não andastes dez anos na catequese? Vamos a cumprir tudo o que aprendestes! Antes, poupou-os da confusão que, por vezes, mesmo dentro da Igreja, paira quanto ao cumprimento do Reino: o Evangelho de Jesus Cristo. Confundir para reinar, é o mote da atitude de muitos, adiando a missão da Igreja que é: deixar Jesus reinar, nas escolhas que se fazem e nas decisões que se tomam.

Por vezes, confundimos a parte com o todo, esquecendo-nos que o Rei Universal é «tudo em todos». Portanto, na missão da Igreja, a parte não pode ser confundida com o todo, mas nela podemos reconhecer o Tudo que é Cristo, por exemplo, quando Ele se identifica com os pequeninos. Então, sirvamo-Lo enquanto estamos na parte, sem termos a pretensão de nos autoreferenciarmos (penso em indivíduos e grupos de indivíduos…, na Igreja e no mundo).

[Oração]

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Temp(l)o que não santifique, não serve o ser humano

[Leitura] 1 Mac 4, 36-37. 52-59; Lc 19, 45-48

[Meditação] Chegou, também, à religião o epíteto americano “time is money”, com a sensação generalizada de que se sem dinheiro não podemos ter tanta saúde e bem-estar psicológico, então também não iremos ter uma satisfatória vida espiritual. Mentira! Se não houver coisas à venda ao redor dos nossos templos, a possibilidade da santificação que leva à vida eterna não está obscurecida. A menos que a Palavra de Deus e os Sacramentos nos estejam vedados pela caricatural “falta de tempo”.

A Palavra de Deus e o conhecimento da atitude de Jesus a que por ela temos acesso ensinam-nos, precisamente, que o que santifica é tudo aquilo que não dá lucro material mas… espiritual! Conta a anedota que só as moedas pequenas é que vão para o céu, porque foram somente essas que entraram nela… para ser dadas aos pobres! E só quando há uma flagelo grandioso é que as notas, porventura, lá entram… como se houvesse pobres nessas ocasiões! É por isso que o Santo Padre está sempre a avisar que a Igreja não é uma ONG (Organização Não Governamental), como a ONU ou outras. A sua missão é outra, sem, naturalmente, se esquecer do cuidado integral do ser humano. Se Paulo disse «para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro» (Fl 1, 21), é porque estava convencido que a direção da vida não é enchermos a dispensa desta vida, mas de outra vida maior e mais plena.

Não foi ao acaso que os Macabeus deixaram escrita a coragem da morte diante da infâmia de não prestar culto ao verdadeiro Deus e, como hoje lemos, de celebrar a dedicação de um templo que esteja isento do culto a outros deuses. Não são fábulas, os testemunhos de mártires como o dos vietnamitas Santo André e seus Companheiros! Não é para obtermos uma “graça a baixo preço”, como nos sugere o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, mas a alto preço como o foi a dádiva de Cristo na Cruz (e não outra). Ainda me mete impressão o custo da missa (chamado estipêndio pelos mortos) que não seja o Sacrifício da Missa (de Cristo para todos!). Os templos apontam para o verdadeiro Templo que é Cristo ou, então, não servem o ser humano.

As dinâmicas da cidade eterna podem fazer “trabalho de equipa” com as dinâmicas da cidade terrena, mas não se confundir ou homologar para que estas reinem em favor próprio, desmesurando o horizonte para que aquelas nos foram inspiradas. Estou cada vez mais convencido que as estruturas ou atividades que não têm em conta, objetivamente (ou intersubjetivamente), o bem integral do ser humano, essas tendem a falecer com o tempo. Então, haja Templo e não detritos de templos…! Para que o ser humano viva a sociedade “em cheio” para uma vida plena!

[Oração] Convida-se a rezar a Palavra com o Prefácio da Dedicação da Igreja:

Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças sempre e em toda a parte, por Cristo, Nosso Senhor. Nesta casa visível, que nos destes a graça de construir, incessantemente concedeis os vossos favores à vossa família que, neste lugar, peregrina para Vós. Aqui nos dais o sinal admirável da vossa comunhão connosco, e nos fazeis participar no mistério da vossa aliança; aqui edificais o vosso templo, que somos nós, e fazeis crescer a Igreja, presente em toda a Terra, na unidade do Corpo do Senhor, que um dia tornareis perfeita na visão de paz da celeste cidade de Jerusalém. Por isso, com os anjos e os santos, nós Vos louvamos no templo da vossa glória, e Vos bendizemos e glorificamos, cantando a uma só voz: Santo, santo, santo… 

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Coloca-se a render quem deixa Deus reinar!

[Leitura] 2 Mac 7, 1. 20-31; Lc 19, 11-28

[Meditação] Diante da parábola que Jesus nos conta hoje, é nítido que a ineficácia do servo advém da falta de afeto ao seu rei. Por vezes, acontece assim com o ser humano: sentindo-se independente e ignorando que os talentos lhe foram dados por Deus para o bem de todos, quer reinar individualmente.

Está claro: o que de uma pessoa, pouco ou muito, não for partilhado, diminui. O que for partilhado, aumenta. Na verdade, é como Jesus diz: quem coloca a render segundo a lógica de Deus, vê o seu crédito pessoal a aumentar, ainda que, como aconteceu com a mãe dos Macabeus, esse crédito só se venha a conhecer no Céu. É lá que está o maior “banco” de mérito!

[Oração] Sal 16 (17)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A forma como escolhemos morrer mostra como decidimos viver eternamente!

[Leitura] 1 Mac 1,10-15.41-43.54-57.62-64; Lc 18, 35-43

[Meditação] O Livro dos Macabeus é uma boa prova de que a fé na ressurreição (de Jesus e a nossa) também foi preparada por homens e mulheres que fizeram boas escolhas na forma como viviam essa fé, mesmo correndo o risco de morrer.

A fé é um dom de eternidade que implica ser vivido na prática em conformidade com o que simboliza. O “símbolo” une duas partes de uma realidade total que coexistem (enquanto houver tempo) em dimensões separadas, mas relacionadas pela fé. A vida prática pode favorecer essa relação íntima (função de “símbolo”) ou contradizer essa mesma ambição espiritual (função de “diábolo”).

O Evangelho mostra-nos que o grito do cego une a Jesus, enquanto que os que vão à frente o tentam separar. Cuidado! Nem tudo o que se vê (dentro ou fora) no tocante à vida da fé e da realidade do mundo é o que parece à primeira vista. Quando esta nos engana, associemos-lhe ou ouvido para a escuta dos que gritam à procuram da salvação, como os pobres, como nos diz o Papa Francisco, em cuja atenção nos podem proporcionar a cura da cegueira da indiferença.

[Oração] Sal 118 (119):

Fico indignado à vista dos ímpios,
que desertam da vossa lei.
Cercaram-me os laços dos ímpios,
mas não esqueci a vossa lei.
Livrai-me da violência dos homens,
para que eu guarde os vossos preceitos.
Aproximam-se os meus iníquos perseguidores,
que estão longe da vossa lei.
Longe dos ímpios está a salvação,
porque não observam os vossos preceitos.
Ao ver os pecadores, sinto-me triste,
porque não guardam a vossa promessa.

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O talento que as mães têm de proporcionar a entrega dos filhos!

[Leitura] Prov 31, 10-13. 19-20. 30-31; Sal 127 (128), 1-2. 3. 4-5; 1 Tes 5, 1-6; Mt 25, 14-30

[Meditação] No encerramento da Semana dos Seminários, escutámos a parábola dos talentos, mais uma pedagogia de Jesus para aprendermos a aproveitar o tempo da vida no sentido de pormos a render as aptidões de cada um através de uma resposta a uma motivação de um convite amoroso de Deus.

A parábola deixa-nos entrever um aspeto da escuta-resposta nem sempre sublinhado na pastoral das vocações e importante muito aquém da utilidade das mesmas: o tipo de relação entre o servo e o seu Senhor. O estilo serviçal-patrão, como vemos, incute o medo e não deixa pôr a render nada; pelo contrário, o estilo servo-Senhor, entendido como amado-Amante, poderá atiçar o fogo do Espírito a uma entrega que possa vir a dar frutos em favor de muitos.

Há tempos perguntavam-me em ambiente de formação de formadores se alguém que não tinha sido amado pudesse vir a amar como presbítero. Depois de aprofundar, concluí que sim, desde que se recuperasse o ser através de relacionamentos significativos (cf. Otto F. Kernberg). No entanto, aquém de qualquer obstáculo que atrase uma entrega vocacional, há que considerar o amor daqueles mediadores fundamentais da vida: os pais e os educadores (professores, catequistas, etc.), perguntando-lhes: que efeito dessa causa de amor que diariamente reservam aos vossos filhos/educandos? Ou estamos em tempo de “seca”, como acontece coma falta de água em Viseu?

Fazer os filhos olhar a pobreza dos outros pode ser mais uma motivação inspirada por Deus a partir do Papa Francisco no I Dia Mundial dos Pobres, para levar alguns a entregar-se pelo Presbiterado.

[Oração] Para a oração, explorem-se estes subsídios.

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Quem segue a Cristo não deve olhar para trás!

[Leitura] Sab 13, 1-9; Sal 18 A (19), 2-3. 4-5; Lc 17, 26-37

[Meditação] A formação dos candidatos ao sacerdócio pode muito bem ser descrita com o texto do Livro da Sabedoria, proclamado nesta sexta-feira . Na verdade, em vista a um seguimento que tenha como consequência uma configuração com Cristo própria dos presbíteros, é preciso deixar a ignorância para se afastar da insensatez que é desconsiderarmos o poder de Deus.

O futuro presbítero NÃO é formado para ser um homem de poder, mas, não olhando para trás (para os “poderes mundanos”), para ser capaz de manifestar com o que é e o que faz, o poder de Deus.

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O Reino de Deus não se deixa roubar por espertos, mas conquistar por benfazejos

[Leitura] Sab 7, 22 – 8, 1; Sal 118 (119), 89. 90. 91. 130. 135. 175; Lc 17, 20-25

[Meditação] O Reino de Deus já chegou, mas não se deixa roubar, mas conquistar. Os fariseus estavam preocupados com o “quando” e “onde” para o poderem “roubar” (registando-o com alguma patente legal), mas Jesus responde-lhes com o “como” de que é exemplo, sofrendo e sendo rejeitado.

De facto, vivemos num mundo em que as pessoas ou instituições tendem registar em seu nome o que fazem, mesmo até dentro da pastoral da Igreja. Tendemos a fazer do Reino o nosso reino. É como o povo diz: queremos ter o “rei na barriga”! Como Paulo disse: «não é uma questão de comer e beber, mas de justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Rm 14, 17).

O “estômago” que é capaz de digerir o Reino de Deus é mais o coração: depende se queremos aceitar viver como Jesus viveu. Não é uma questão do ter, mas do ser com os outros e para os outros. Por isso, ele só é visível no “nós”. É patente de Deus e latente nos corações crentes que se juntam para fazer o bem.

Assim, a Semana dos Seminários é oportuna para se descobrir da escuta e resposta vocacional (não só do presbiterado, mas também da vida consagrada e do matrimónio!) é uma forma para sairmos do individualismo e irmos ao encontro da família da Igreja, na e a partir da qual podemos viver e partilhar a experiência do Reino de Deus.

[Oração] Para a oração, explorem-se estes subsídios.

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