O que queres fazer PARA SERES GRANDE?

[Leitura] L 1 Act 13, 14. 43-52; Sal 99 (100), 2. 3. 5 L 2 Ap 7, 9. 14b-17 Ev Jo 10, 27-30; Mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial de Oração pelas Vocações

[Meditação] Quase sempre, quando queremos provocar uma criança ou adolescente sobre o seu futuro, perguntamos «o que queres ser quando fores grande?» (basta o leitor colocar a frase do título deste post no Google e este troca imediatamente a pergunta pela trivial, não sendo encontrados resultados para a pergunta do título). Esta interrogação sublinha, sobretudo, a idade física no tempo, deixando para segundo plano aquilo que poderá ajudar a criança ou adolescente a ser grande. É curioso que nunca fazemos a pergunta desta forma a um jovem, de modo que, também, timidamente, fechamos esta questão no foro privado de uma consciência muitas vezes perdida ou desorientada. No entanto, podemos provocar: Jovem, sabes o que te poderá ajudar a fazer ser grande aos olhos de Deus? Queres discernir?

É neste sentido que o Papa Francisco nos convida a arriscar com coração na promessa de Deus que está em cada um de nós. Este “arriscar” é um deitar-se à aventura de descobrir o desígnio de amor que Deus sabe que poderá encher de felicidade duradoira a vida de cada pessoa. Neste Domingo IV da Páscoa − Domingo do Bom Pastor −, no Evangelho, Jesus deixa-nos claro que a sua voz é a “onda” de sintonização de cada “ovelha” com o seu Pastor. Conhecê-l’O é fundamental para cada um conhecer o seu caminho para o Pai. Aliás, ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida.

Portanto, em catequese ou pastoral vocacional, talvez seja uma perda de tempo perguntar “que queres ser quando fores grande?”, embora se refira ao ser, mas é necessário colocar este ser em contacto, nas perguntas que fazemos, com as grandes possibilidades existenciais de ser o mais possível à imagem e semelhança de Deus, durante o tempo da esperança (humana e cristã) de vida. Perguntemos, pois: “o que queres fazer PARA SERES GRANDE?”. Trata-se de colocar o ideal a que se aspira ao fazer de hoje, no discipulado missionário. Trata-se de arriscar, hoje, com coragem, a promessa que aguarda ser cumprida no tempo de vida de cada um, na relação com os outros. A pergunta tradicional protela a formação. A pergunta revolucionária propõe trabalhar no ser, em colaboração com a preliminar graça de Deus, de modo que «Que queres fazer para seres grande?» é uma pergunta que pode fazer-se em todas as idades, sugerindo a pedagogia da gradualidade.

[Oração] Pelas Vocações:

Deus, nosso Pai,
ao enviares o Teu Filho Jesus,
quiseste vir ao nosso encontro.
Queremos agradecer-Te, hoje,
por continuares a chamar,
no barco da Igreja,
pescadores para o alto mar,
para a missão de chegar a todos.
Concede-nos,
pela graça do Batismo,
o dom da escuta da Tua voz
e da resposta generosa.
Desejamos abrir-nos ao “sonho maior”:
discernir a vocação
que nos torna servidores
da alegria do Evangelho.
Dá-nos a coragem de arriscar,
como a jovem Maria,
para sermos portadores da Tua promessa.
Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

As tentações, do «show off», pela Palavra “on”, ao Espírito “in”

[Leitura] L 1 Deut 26, 4-10; Sal 90 (91), 1-2. 10-11. 12-13. 14-15 L 2 Rom 10, 8-13 Ev Lc 4, 1-13

[Meditação] Toda a vida adulta saudável, do ponto de vista humano e cristão, precisa de iniciar e passar por provas; todas as energias e saberes que se vão adquirindo na fase a que se chama de iniciação infanto-juvenil servem para uma original felicidade, mas por onde e a que preço?

A teologia do 1º domingo da Quaresma mostra-nos como Jesus, o Filho de Deus, não descartou aqueles energias de «Filho do homem», mas conhecendo-Se a Si mesmo, utilizou o que nessa condição seria alavanca para fazer as escolhas de verdadeiro Filho de Deus. As três tentações apresentadas no Evangelho são três “ideologias” saídas da “caixa de pandora” que é a tendência primordial de o homem se substituir a Deus (cf. Gn 3), impondo o ter acima do ser, o poder acima do  e o prazer/aparecer acima do serviço. Os antídotos para essas “mordidelas” da serpente são: o “pão” da Palavra, a “força” da humildade e a “beleza” do serviço.

Com a esmola (na relação com os outros), a oração (na relação com Deus) e o jejum (na relação consigo próprio/a), restauramos a nossa forma psico-social de estar presentes, o que reverte a favor de uma ecologia integral, à maneira do que o Papa Francisco sugere, na sua Mensagem para a Quaresma de 2019. Numa sociedade que nos incentiva ao exibicionismo desumanizante e inútil, a Palavra de Deus é o caminho que nos leva a aventurarmo-nos pelas sendas do Espírito de Amor que nos garante a verdadeira felicidade.

[Oração] Salmo 91:

Tu, que habitas sob a proteção do Altíssimo, e moras à sombra do Omnipotente, diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela; meu Deus, em Vós confio». Nenhum mal te acontecerá, nem a desgraça se aproximará da tua morada. Porque o Senhor mandará aos seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra. Poderás andar sobre víboras e serpentes, calcar aos pés o leão e o dragão. «Porque confiou em Mim, hei de salvá-lo; hei de protegê-lo, pois conheceu o meu nome. Quando Me invocar, hei-de atendê-lo, estarei com ele na tribulação,

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A vocação cristã é chamamento divino, não mero entendimento humano

[Leitura] L 1 Sir 3, 3-7. 14-17a (gr. 2-6. 12-14); Sal 127 (128), 1-2. 3. 4-5 L 2 Col 3, 12-21 Ev Lc 2, 41-52

[Meditação] Um dos aspetos que me salta à vista da fé nesta Festa da Sagrada Família é, desde a proclamação do Evangelho, a total confiança em Deus e um coração aberto de Maria e José, para “gerirem” tudo o que acontecia com o Menino Jesus. Esta família é modelo para as nossas famílias, como igrejas domésticas, pela forma como, contando com a pureza de Maria e a castidade de José, se ajustavam diante dos fatores internos e externos do mistério que era o Filho de Deus humanado.

Aquela ocasião que tinha tudo para parecer um desastre — a perda do Menino no Templo entre os doutores — acaba por se mostrar um salto temporal no desenvolvimento da missão que Jesus viria a exercer na sua vida adulta, na vida pública. Esta forma de ver este episódio, pela dimensão vocacional, traz a lume algumas perguntas, cuja resposta é decisiva para o bem da nossa Igreja particular, desde a sua dimensão de famílias domésticas até à sua relação com a Igreja universal:

– Se a experiência dos acólitos se fica por uma mera diversão de infância, como poderá colocar-se uma futura resposta vocacional mais madura? (Jesus, desde que foi ao Templo a partir dos 12 anos, nunca mais deixou de lá ir!)
– Terá a inconsistência de uma resposta a um possível chamamento de Deus a uma via de consagração alguma coisa que ver com a inconsistência da fé nas famílias? (Maria e José acreditaram sempre, apesar das contradições presentes naquele Menino!)
– Que lugar a dimensão vocacional terá na dinâmica pastoral de uma Igreja particular (diocese), sem que outras dimensões a diminuam por uma simples razão prática ou social? (A atividade de Jesus foi sempre de anúncio e cura, sem deixar, pelo caminho, de chamar a Si colaboradores…!)

Muitas outras perguntas se poderiam fazer. Unicamente aqui se quer reforçar a mesma provocação que, neste dia da Sagrada Família, foi lançada a Maria e a José por Jesus, Palavra feita carne: «não sabíeis que deveria estar na casa de meu Pai?» Portanto, quando aos pais parece perder-se o controle sobre o futuro dos filhos, deverão perguntar-se: que desígnio de amor e de forma Deus Pai quererá realizar na vida deste menino ou desta menina?

[Oração] Oração à Sagrada Família

Jesus, Maria e José,
em Vós contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
confiantes, a Vós nos consagramos.

 

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.

 

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais haja nas famílias
episódios de violência, de fechamento e divisão;
e quem tiver sido ferido ou escandalizado
seja rapidamente consolado e curado.

 

Sagrada Família de Nazaré,
fazei que todos nos tornemos conscientes
do carácter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projecto de Deus.

 

Jesus, Maria e José,
ouvi-nos e acolhei a nossa súplica.
Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A vida cristã não é o jogo do monopólio da verdade!

[Leitura] Num 11, 25-29; Tg 5, 1-6; Mc 9, 38-43. 45. 47-48

[Meditação] Começo esta reflexão com a confissão de formador para o sacerdócio ministerial, que poderá ser alargada ao ser da Igreja, chamada a ser pedagoga e mãe que ajuda a caminhar para o Reino:

Na formação dos adolescentes e jovens para o sacerdócio, sempre que é difícil caminhar ao lado deles (por causa da falsa ambição de muitos afazeres pastorais) deste a imaturidade humana e cristã à aquisição de uma melhor vivência dos valores do ser padre, dei-me conta de que, institucionalmente, o mais fácil era defendermo-nos com o regulamento da comunidade, passando a pautar o (não) crescimento  pela atenção à observância das normas prescritas que nos ajudasse a avaliar o caminho e as etapas. No final, corremos o risco de ter um melhor ou pior cumpridor, em vez de uma afetiva configuração com Cristo Sacerdote.

Penso que é a mesma tendência da Igreja, quando dá mais importância às leis canónicas que às pessoas no seu caminho na busca da verdade, como se todos tivéssemos de o fazer desde os mesmos pressupostos existenciais. Se calhar, também se correm estes riscos da educação dos filhos nas famílias… Ora, aconteceu o mesmo na história: independentemente das filosofias ou pontos de vista com que se possa observar o acontecimento, a Inquisição teve lugar quando, de alguma forma, a eclesiologia falhou. Com esta afirmação pretende esclarecer-se o seguinte: quando, ao longo da história, foi necessário uma disciplina mais rígida para corrigir certos erros, não é só porque o mundo é mau… (ou qualquer outro “bode expiatório” para onde se queira transferir a responsabilidade dos maus atos humanos); mas, também, de algum modo, a missão da Igreja enfraqueceu, no que toca à evangelização com base na boa nova de Jesus.

Os discípulos de Jesus, com o desejo de ter monopólio sobre Ele, correram sempre este risco ao longo da história. O conhecimento teórico sobre a identidade divina de Jesus foi-se esclarecendo ao longo do estudo ou aprofundamento da fé. Mas, apesar dos instrumentos cada vez mais interdisciplinares, não é fácil passar dessa afirmação «tu és o Messias de Deus» à aceitação de que também façam parte do projeto de Jesus aqueles que não fazem parte na nossa versão institucional do ser Igreja. E facilmente, ao banirmos a possibilidade de que outros também preguem sobre Cristo ou exorcizem em nome dEle, acabamos por banir o próprio Cristo na sua identificação com os pobres e indigentes, segundo o espírito das bem-aventuranças.

Por isso, Jesus, desta vez a João, diz: «Não o proibais (…). Quem não é contra nós é por nós». No que toca à vida cristã, o caminho sinodal é o da comunhão de diferenças. No que toca à formação sacerdotal, o resultado que é o padre em missão será fruto de um caminho feito de síntese vocacional entre as vivências históricas de cada um e os valores que configuram com Cristo Sacerdote (e não a mera aspiração a estes valores, pela importância do modelo da incarnação). Para o seu projeto de salvação Deus quer contar com todos os de dentro e os de fora do Cristianismo, desde que não sejam contra o seu desígnio de amor eterno para todos.

[Oração] Sal 18 (19)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A graça de Deus é conteúdo e forma que se recebe e se dá

[Leitura] Os 11, 1-4. 8c-9; Mt 10, 7-15

[Meditação] O trecho evangélico de hoje prepara-nos para a vivência da Liturgia da Palavra do próximo XV domingo do tempo comum (B), convidando-nos a descartar quer o triunfalismo da missão, quer o tecnicismo com que, por vezes, a perspetivamos. Na verdade, a proximidade do Reino que Jesus nos manda anunciar dispensa os artefactos humanos, assim como as suas frequentes euforias; basta-nos partilhar a graça que Ele nos dá, da forma que Ele sugere.

Muitos pensam que a graça de Deus é um ganho aquém de um dom. Se assim fosse, os limites e pecados dos apóstolos não teriam deixado chegar a boa nova até nós. Certamente a pobreza com que foram enviados nem sequer os deixou ser devorados por algum escrúpulo que impedisse de caminhar para levar essa mensagem de amor aos seus destinatários. A graça é DE Deus e, quando a partilhamos, não a diminuímos. É verdade que o nosso bom comportamento, a beleza das nossas ações e o bem presente nas nossas atitudes podem favorecer a Evangelização. No entanto, há “ratoeiras” instaladas nos escrúpulos, nas euforias e nos exageros de algumas ações missionárias. Parafraseando o Papa Paulo VI aos presbíteros: se cuidarem da pobreza, na sua forma secular de simplicidade de vida, os outros conselhos evangélicos (castidade e obediência) certamente acontecerão como benefícios colaterais.

Que o Senhor nos dê a graça de antepormos a tudo o seu amor, acolhido e não desperdiçado para que o mesmo chegue aos pobres, aos pecadores e aos afastados. São estes os primeiros destinatários da missão, como Jesus disse e fez!

[Oração] Sal 79 (80)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A esperança é um exercício da vontade

[Leitura] Os 2, 16. 17b-18. 21-22; Sal 144 (145); Mt 9, 18-26

[Meditação] Diz D. Tonino Bello: «Pensa-se que a esperança seja uma espécie de armário de desejos perdidos. E, pelo contrário, é um exercício da vontade». É o que está a ser experimentado por aqueles que, na Tailândia, estão a viver a aventura transformada em drama. Aquelas crianças e o seu instrutor, assim como os seus pais e os socorristas estão a pôr em prática esta grande verdade: não basta belos pensamentos e desejos eufóricos se não houver uma vontade firme de os coordenar na prática, a favor da defesa da vida humana. Graças a Deus, neste momento, não faltam expressões e imagens que desviam as atenções do Mundial da Rússia para este Santo Resgate. Graças a Deus, a globalização não é só um efeito da técnica; é, antes de mais, um preceito de humanidade, como vemos no testemunho daquele médico anestesista que se envolveu no resgate da Tailândia.

No Evangelho de hoje, encontramos, também, esta forma de viver ousadamente a esperança quer na mulher que procura tocar no manto de Jesus, quer no chefe que O procura para Lhe pedir a vida da filha. Não se trata do relato de meras aflições, mas do valor da vida humana, muito aquém de pensamentos ou desejos fúteis. No centro do Evangelho, como se de uma gruta se tratasse, Jesus responde com o convite à confiança, seja para as situações de doença, seja para a eminência da morte física como a daquele herói mergulhador que deu a vida.

Como hoje se costuma dizer em Gestão, também em conformidade com o Evangelho: pensemos globalmente e ajamos localmente. Como aqueles que nos dão o testemunho de vida no resgate de outras vidas.

[Oração] Oração pelos meninos da Tailândia, seus socorristas e suas famílias:

Senhor, Vós que amais infinitamente todos os vossos filhos, especialmente as crianças, e que nos dissestes que só entrará no céu quem a elas se assemelhar, pedimo-Vos com fé e carinho: protegei todas as pessoas envolvidas no resgate dos meninos presos na caverna da Tailândia. Por intercessão de Santa Bárbara, padroeira contra as chuvas fortes, pedimo-Vos especialmente esta graça: se for da vossa vontade, que não chova mais na região daquela caverna na Tailândia, para que os trabalhos de resgate sejam feitos o mais rápido possível, e que não haja mais perda de vidas humanas. Por intercessão de Maria Santíssima, nossa Mãe, confortai as famílias que aguardam aflitas pelos seus filhos! Concedei sabedoria e discernimento a todos os profissionais envolvidos no resgate, especialmente os mergulhadores! Dai paz e força aos meninos e ao técnico, que ainda se encontram presos dentro da caverna! Senhor, nós confiamos em Vós!

Fonte: ALETEIA

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

O seguimento do Mestre é uma combinação entre disposição e predisposição

[Leitura] Am 2, 6-10. 13-16; Mt 8, 18-22

[Meditação] As palavras “disposição” e “predisposição” podem ajudar-nos a compreender o tipo de seguimento que alguém pode empreender no caminho do Mestre Jesus Cristo. “Disposição” manifesta uma inclinação pessoal para o seguimento, um tipo de colaboração ordenada ou metódica na relação com Jesus. “Predisposição” manifesta tendência natural ou vocação. Este modo coloca Deus no processo, porque o seu amor vem primeiro. Aquele modo implica mais o sujeito, mesmo ignorando a primazia de Deus.

Podemos contemplar nos dois casos que se apresentam a Jesus no texto do Evangelho de hoje, quer a disposição meramente pessoal, quer a falta de predisposição em seguir o Mestre. Portanto, ter disposição em seguir Jesus nem sempre significa predisposição em segui-l’O e vice-versa: também há quem possa estar chamado e não o siga de facto. Importante é que estes dois modos se combinem no seguimento, para que haja um discipulado missionário conforme ao projeto de amor que Deus revelou em Jesus Cristo.

Para que esta combinação aconteça é preciso ser simples e humildes: simplicidade para se reconhecer destinatário do amor de Deus, antes da consideração da família de sangue, e humildes em aceitar o seu projeto como ele é e não como nos apraz.

[Oração] Sal 49 (50)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Elias e Eliseu, uma prefiguração da paternidade espiritual

[Leitura] Sir 48, 1-15 (gr. 1-14); Sal 96 (97), 1-2. 3-4. 5-6. 7; Mt 6, 7-15

[Meditação] Hoje temos Jesus, novamente, a ensinar-nos a oração do Pai-nosso como forma de abreviar a nossa relação com o Pai do Céu, incentivando-nos, ao mesmo tempo, da tendência de dizermos muitas coisas para O chamarmos à atenção.

Entre Elias e Eliseu existia algo parecido com a relação entre Jesus e o Pai, que somos chamados a acolher como filhos: em Elias estava um fogo imenso (prefigurador do Espírito do Amor do Pai) e em Elias uma capacidade para nunca se desligar do seu mestre na arte de profetizar, não deixando que nada interferisse na sua relação.

Pergunto: quantas vezes não só o que chamamos de mundanidade espiritual, mas também o que se intitula de obesidade espiritual interferirá na nossa relação com o Espírito de Deus?

Na paternidade espiritual, o mais importante não é o que possamos pensar ou repetir/dizer, mas a abertura à relação direta com Deus, uma vez que o Seu Espírito já está no íntimo do nosso coração. Então, como acontece na educação (educere = tirar de dentro da pessoa o bem que já lá está semeado), o Pai faz saltar de dentro dos seus filhos o Melhor que está dentro de nós: o seu Espírito Santo, bastando, para tal, que não obstruamos os canais da comunicação com os roídos da verborreia espiritualista ou do solipsismo indiferentista. O melhor que temos a fazer é imitar os sentimentos do Filho Unigénito de Deus, sem qualquer medo de faltarmos às propostas de qualquer corrente espiritualista ou materialista.

[Oração] Rezemos como Jesus nos ensinou:

Pai nosso, que estais nos Céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Will… Willing… Willingness… na resposta ao Amor do Bom Pastor

[Leitura] Act 25, 13b-21; Jo 21, 15-19

[Meditação] Nas vésperas do Pentecostes, Jesus não nos deixa por menos: com as perguntas que faz a Pedro, após a Ressurreição, quer certificar-Se que também nós, antes de recebermos o Espírito Santo que nos impele à missão da Igreja, respondamos ao Seu Amor (que é, na verdade, o próprio Espírito Santo), respeitando a gradualidade no crescimento da nossa resposta para o Amor.

Na língua inglesa, há três palavras que nos ajudam a “dissecar” a expressão da nossa “vontade” na resposta ao seguimento apostólico do Senhor:

1. Will será a prontidão ou a capacidade de tomar decisões; pode ser o “primeiriar-se” proposto pelo Papa Francisco na “Alegria do Evangelho” (n.º 24). Depois da primeira resposta de Pedro à pergunta «Tu amas-me mais do que estes?», Jesus pede que o Apóstolo apascente os seus cordeiros. Dá-nos a impressão que o Senhor o queira colocar em estágio, cuidando daqueles que oferecem menos resistência.

2. Willing será disposição correta que permite atuar através de decisões. Depois da seguna resposta, o Senhor pede que Pedro apascente as suas ovelhas. Dá a impressão que Pedro já passou o estágio, sendo capaz de acompanhar os cristãos adultos.

3. Willingness será o estado no qual o sujeito não tem necessidade de persuasão para tomar decisões; potência a responder; predisposição, estado de prontidão para uma decisão, de forma permanente, na fidelidade. À terceira resposta, Jesus não só pede que Pedro continue a apascentar as suas ovelhas, como insinua que ele mesmo será um “cordeiro” a ser levado para onde ele não quer, como Jesus, que foi como que «um cordeiro levado para o matadouro», quando deu a Sua vida na Cruz.

Neste texto do Evangelho, contemplamos a pedagogia de Jesus que pode e deve ser imitada pelos pedagogos cristãos de hoje (educadores e formadores), em que a formação do coração coloca questões à espera de respostas, no crescimento em maturidade que permita sair de uma comunidade educadora para uma Igreja em saída numa contínua missão em formação.

[Oração] Sal 102 (103)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Todos, em Igreja(s) para o Reino! Exorcizem-se os métodos e instituições!

Estamos a viver um tempo de velocidades extenuantes, em que tudo o que se faz já coloca o enfoque no términus da própria atividade, o que prova a autorreferencialidade pessoal e institucional do que vemos fazer. Sem querer generalizar, quase que se vive a atividade pelas atividade, sem processos de continuidade. No filme “Lucy” (Luc Besson, 2014), a aproximação entre a criatura e o eterno acontece na unidade tempo-espaço. O Papa Francisco propõe que, no caminho da Igreja para o Reino, o tempo é superior ao espaço, dada a importância da memória acima da experiência casual.

Daqui podemos tirar esta ilação: não é um “detrito de fé” presente numa experiência pessoal e grupal, num determinado tempo e espaço, que deve ditar a máxima do viver cristão ao encontro do seu horizonte. Quando muito, podemos ser convidados a mover-nos para a totalidade da unidade da Igreja que, hoje, está também em “periferia”, dada o acumular de muitas experiências sem reflexão por parte de pessoas e instituições autocentradas.

Há sempre um “perigo” na boa institucionalização dos moções do Espírito, não tendo a ver com Este divino amor, mas como humanamente os Seus dons são acolhidos: é o de se querer perpetuar ou apresentar como absoluto o que é perecível, enquanto que o que vem de Deus é absolutamente capaz de nos mover/cativar para o seu Ser infinito, por ser vocacionalmente surpreendente.

Falta muita coragem para a avaliação das estruturas, em favor da “salvação as almas”. Penso que é por aqui que o “daimon” pessoal e social trabalha, mais do que pela institucionalização meramente humanidade quem deve ou não ser exorcizado (refiro-me aos simples que temem a Deus  − e que por isso, não devem ter mais nada a temer − que andam a servir de cobaias no velho “tubo de ensaio” do exorcismo).

Igreja(s) de Jesus: move-te/movam-se… para o Reino!!  É a via luminosa do Ecumenismo a tua/vossa cura. Não se fique aquém da semana de oração pela unidade dos cristãos (que costuma ser em janeiro de cada ano) na aspiração do horizonte, nem se recuse o mais além do que se aspire. Como sugere a protagonista do filme sopracitado, o discipulado-missão exige o máximo das nossas capacidades e não só 10% do que o nosso pensamento pode atingir. Por isso, é necessário aliar uma fé firme em Deus e uma forte comunhão no seu amor para com todos.