Todos, em Igreja(s) para o Reino! Exorcizem-se os métodos e instituições!

Estamos a viver um tempo de velocidades extenuantes, em que tudo o que se faz já coloca o enfoque no términus da própria atividade, o que prova a autorreferencialidade pessoal e institucional do que vemos fazer. Sem querer generalizar, quase que se vive a atividade pelas atividade, sem processos de continuidade. No filme “Lucy” (Luc Besson, 2014), a aproximação entre a criatura e o eterno acontece na unidade tempo-espaço. O Papa Francisco propõe que, no caminho da Igreja para o Reino, o tempo é superior ao espaço, dada a importância da memória acima da experiência casual.

Daqui podemos tirar esta ilação: não é um “detrito de fé” presente numa experiência pessoal e grupal, num determinado tempo e espaço, que deve ditar a máxima do viver cristão ao encontro do seu horizonte. Quando muito, podemos ser convidados a mover-nos para a totalidade da unidade da Igreja que, hoje, está também em “periferia”, dada o acumular de muitas experiências sem reflexão por parte de pessoas e instituições autocentradas.

Há sempre um “perigo” na boa institucionalização dos moções do Espírito, não tendo a ver com Este divino amor, mas como humanamente os Seus dons são acolhidos: é o de se querer perpetuar ou apresentar como absoluto o que é perecível, enquanto que o que vem de Deus é absolutamente capaz de nos mover/cativar para o seu Ser infinito, por ser vocacionalmente surpreendente.

Falta muita coragem para a avaliação das estruturas, em favor da “salvação as almas”. Penso que é por aqui que o “daimon” pessoal e social trabalha, mais do que pela institucionalização meramente humanidade quem deve ou não ser exorcizado (refiro-me aos simples que temem a Deus  − e que por isso, não devem ter mais nada a temer − que andam a servir de cobaias no velho “tubo de ensaio” do exorcismo).

Igreja(s) de Jesus: move-te/movam-se… para o Reino!!  É a via luminosa do Ecumenismo a tua/vossa cura. Não se fique aquém da semana de oração pela unidade dos cristãos (que costuma ser em janeiro de cada ano) na aspiração do horizonte, nem se recuse o mais além do que se aspire. Como sugere a protagonista do filme sopracitado, o discipulado-missão exige o máximo das nossas capacidades e não só 10% do que o nosso pensamento pode atingir. Por isso, é necessário aliar uma fé firme em Deus e uma forte comunhão no seu amor para com todos.

A unidade dos presbíteros na unidade da Igreja: um tributo à complementaridade

Hoje, o Card. Carlo M. Martini (em Come Gesù gestiva il suo tempo) faz-me compreender como a unidade de vida (interior e exterior) dos presbíteros, à luz do Decreto Presbyterorum ordinis, não pode realizar-se sem a unidade da Igreja. O sucesso de uns sempre esteve ligado à compelentaridade da comunhão da Igreja, de forma interdependente.

Pergunto: não estará a acontecer na Igreja o que se passa com a crise que invade as nossas famílias? A amalgama de ideologias − incluindo alguns “ensaios” de espiritualidade − que, de dentro e de fora, influenciam a vida social em que se procura incarnar a vida da fé têm uma força fragmentarizadora da qual ainda não seremos capazes rapidamente de dar conta e de minimizar os seus danos (quer para os padres, quer para as comunidades).

Em vez de nos debruçarmos com entusiasmo is0lado a experimentar espiritualidades (frequentemente as que dão resposta imediata aos problemas humanos), deveríamos (a meu aviso humilde, mas contundente do que fere a unidade) fazer ensaios de complementaridade, para que alguém possa vir a colher frutos não só de uma entrega feliz de consagração em favor dos outros, mas também de comunidades vivas que não fiquem somente apegadas às varandas do “sempre assim se fez” a ver passar os andores de lamentações pelos danos causados pela falta de unidade. Esta não é um “credo” de alguns , mas proposta para todos os que se declaram cristãos.

Para quando adiaremos o atrevimento da mudança. Quanto mais tempo demorarmos a entender que a distância é só (de uns e de outros, incluindo instituições) da unidade querida por Cristo, mais adiamos a possibilidade de uma experiência feliz de Igreja a caminho do Reino. Num tempo em que escasseiam as vocações: famílias, escusais de ficar à varanda a ver procissões de andores… não haverá presbíteros para os presidir. Contrariamos esta tendência?!

“Cingir os rins” é não deixar que o medo interior impeça os combates exteriores

[Leitura] Jer 1, 17-19; Mc 6, 17-29

[Meditação] É possível que algumas incoerências ou inconsistências da vida interior (normal) do ser humano adormeçam a consciência para o esforço a travar batalhas com o mundo exterior em que habita e interage com os outros. Por isso, a liturgia de hoje faz-nos ouvir a voz profética com o convite a não ter medo no confronto com o mal. O que confia acima das suas próprias forças, realiza o bem que não tem origem nele, mas em Deus, que tudo pode!

Como aconteceu com João Baptista e os Profetas que o precederam (Jeremias, etc.), a denúncia do mal nunca foi em vão, mas ao mesmo tempo protagonista do anúncio do bem. Entre aquela e este, por vezes, não é fácil para o ser humano, seja ele crente ou não, seja leigo ou consagrado, distinguir o que é a luta interior e o combate exterior. É nítido, no relato do Evangelho, que Herodes não tinha os “rins cingidos” com a verdade que João Baptista lhe pregava, não calando os medos que o impediram de dar um testemunho da verdade libertadora.

Na antropologia bíblica, os rins são os “cúmplices” do segredo pessoal e o lugar da intimidade. A partir deste órgão do corpo humano, a ciência bíblica sugere que se saiba calar interiormente a força do mal, para que exteriormente se possa deixar falar a verdade fundamental. Consagrar a vida a Deus e ao bem dos irmãos implica, pois, vestir, desde já, o que nos é prometido e percorrer este caminho entre a luta interior e o combate exterior, que coincide com a aproximação de diálogo entre o bem real que se quer conquistar e as realidade aparente que nem sempre persegue o mesmo horizonte.

[Oração] Sal 138 (139)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

A “tarde” do amor humano não desconheça a frescura da “manhã” com que Deus nos ama

[Leitura] 1 Tes 1, 1-5. 8b-10; Mt 23, 13-22

[Meditação] Conhecemos de Santo Agostinho a seguinte bela manifestação da sua conversão:

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz…

Um professor de Psicologia disse-me, um dia: “Quando dizemos a Deus que O amamos, quase sempre estamos a ser mentirosos. Porque, frequentemente, essa afirmação egoísta é feita tendo como pressuposto a necessidade que temos do seu amor”. Esta afirmação aclarou em mim o voluntarismo com que, também frequentemente, servimos os outros, nem sempre pelo bem-em-si, mas para “engordar” o próprio “ego”.

Na “manhã” da vida, os jovens podem correr o risco de ignorar que o Amor que pressupõe qualquer mérito humano exige uma resposta. E esta, como no caso de Agostinho, pode não passar de uma retórica feita de perguntas ou procuras sem o sentido previsto pelo Criador. Menos mal que esta Beleza sempre antiga e sempre nova nunca deixa de ser a mesma. A “retórica” humana é que, enquanto adia a prática do bem, se perde em experimentações vãs, enquanto que o amor de Deus nunca corre esse risco do vazio.

Há uma semelhança entre esta “retórica” e a hipocrisia atribuída aos escribas e fariseus com os quais Jesus se debate no Evangelho. Ambas são forjadas no coração pervertido que olha para o que é secundário (ouro e oferenda) sem a ligação fundamental com o que é primário (santuário e altar).

Na “tarde” da vida, haverá sempre oportunidades para responder à ordem do amor que sempre nos amou na prática. Estaremos à altura de o acolher?! Um coração convertido é aquele que se deixa habitar por Aquele que lhe pode dar uma resposta verdadeiramente satisfatória para as questões fundamentais da vida humana.

[Oração] Sal 149

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A rede e o tesouro: o enigma propiciatório para o caminho

[Leitura] Ex 40, 16-21. 34-38; Mt 13, 47-53

[Meditação] Na 1ª Semana dos Exercícios Espirituais, Sto Inácio de Loiola propõe-nos, para um apropriado discernimento dos espíritos, o discernimento entre virtude e pecado; e na 2ª Semana o discerniento entre o bem real e o bem aparente. Este segundo tipo de discernimento é mais difícil que o primeiro, mas não é menos importante que o primeiro para ajudar num mais maduro crescimento vocacional.

Por isso, vislumbrando o tesouro como símbolo do primeiro tipo de discernimento (entre virtude e pecado) e a rede como símbolo do segundo tipo de discernimento (entre bem real e bem aparente), vejo no Evangelho de hoje a sugestão de que o tesouro se refere a uma conversão moral ou ética, que implica discernir entre o bem e o mal segundo critérios antigos e atuais; enquanto que o trabalho de puxar a rede implica a ação humana, orientada pelos Anjos, de separar a verdade da mentira, entre o ser e o aparecer, para um caminho cuja transparência coincide com a realidade do Reino de Deus.

Para a superação deste enigma pessoal, são propiciatórios quer o Sacramento da Reconciliação, quer a Direção Espiritual, esta para o trabalho da rede e aquele diante do Tesouro que é a abundante misericórdia de Deus.

[Oração] Sal 83 (84)

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O Reino de Deus entre a expropriação e apropriação vocacional

[Leitura] Ex 34, 29-35; Mt 13, 44-46

[Meditação] Não é descabido que os presbíteros ponham tudo o que tenham para a realização da missão pastoral, incluindo a sua côngrua sustentação, conforme se lê na provisão episcopal da tomada de posse de um serviço na diocese.

As pequeninas parábolas do Reino são como que uma espécie de “provisão vocacional” não só para os que se oferecem mediante uma consagração especial, mas também para os que escolhem formar uma Família pelo Matrimónio.

No caso de quem encontra um tesouro no campo, poderíamos pensar que, conhecendo-o somente quem o encontrou, poderia imediatamente escondê-lo em sua própria casa. Porém, aquele tesouro sem o campo não seria, por si só, valioso. Daí que seja condição vender tudo para adquirir o campo onde ele se encontra escondido. Se o tesouro é o seu modo pessoal de ser feliz, o campo seria o ambiente de comunhão (comunidade) sem o qual não pode realizar a felicidade. É o caso de quem se deixa expropriar para o serviço espiritual aos outros. Impressiona-me, por isso, muito negativamente que haja padres que queiram realizar a missão da Igreja sozinhos, sem este espírito de comunhão. E o mesmo se diga dos leigos frequentemente mais clericalistas que os padres, muitas vezes dentro de movimentos ou associações.

No outro caso, o daquele que vai vender tudo para comprar a pérola (sem o campo) pode ser o de quem escolhe o projeto de fundar uma nova Família através do Sacramento do Matrimónio. Este é chamado a estar no mundo (campo sem dono) apropriando-se, nele, de uma porção de pessoas que ajuda a encaminhar para o Reino de Deus. Também me impressiona negativamente, hoje, a existência tentadora de quem vive o Matrimónio e a Família de uma forma privada, como que por uma nova espécie de “fuga mundi”, enquanto que os que escolhem a vida consagrada se tornam cada vez mais seculares.

Estes dois tipos de vocação – Especial Consagração e Família pelo Matrimónio – são cada vez mais necessários em diálogo no campo da Igreja, sem qualquer espécie de “igualdade de género”, para que não aconteça uma homologação das vocações, que seria nociva para a sua missão de construir o Reino. Não são despropositadas a este respeito as imagens de esponsalidade divina que trespassam o Antigo Testamento (em relação ao Povo) e o Novo Testamento (em relação à Igreja) e que bem podem fundamentar a necessidade aquele diálogo.

Também não é por acaso que a nova Ratio fundamentalis que regulamenta a formação sacerdotal proponha que nos estudos teológicos dos rapazes que se consagram pela Vida Religiosa sejam formados para perceber a riqueza do campo que é a Diocese em que os seus carismas se exercem; e os candidatos a presbíteros diocesanos sejam instruídos pelo valor dos institutos de vida consagrada. Não faltará qualquer coisa deste género nos Cursos de Preparação para o Matrimónio e nos projetos de formação que propõem os movimentos da família?!

[Oração] Sal 98 (99)

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A Santidade pela qual Deus vive em ti

É o tema do encontro de Seminário em Família da Diocese de Viseu que está a coincidir com a celebração da Solenidade de São Teotónio, padroeiro desta Diocese. Nesta ocasião alegra-nos a referência de santidade que descobrimos neste primeiro Santo português e, escavando a fundo, vamos encontrar a origem de toda a Santidade: o amor de Deus que Se dignou criar-nos e salvar-nos por meio de Seu Filho Jesus Cristo, no Espírito Santo.

Ao iniciarmos a aventura deste fim-de-semana, partimos da convicção de que “Deus Não Está Morto“, visualizando o filme com este nome, e fomos ao encontro da Sagrada Escritura para fundamentarmos a nossa fé em Jesus Cristo, Aquele que defenderá a quem não O nega.

Resumimos, assim, os fundamentos da Santidade:

I. A UNIÃO COM CRISTO, QUE NOS VEIO REVELAR O AMOR (O ESPÍRITO) DO PAI
II. NO SER E NA AÇÃO QUE CONFIRMA O SER (ONTOLÓGICA E MORAL)
III. SEGUNDO A PRÓPRIA VOCAÇÃO
IV. A CAMINHO DA PLENITUDE DO REINO
V. EM COMUNHÃO COM OS QUE SÃO DE CRISTO NA IGREJA
VI. EM COMUNHÃO COM OS QUE ESTÃO COM CRISTO NA GLÓRIA (OS SANTOS)

No mistério da Redenção, a obediência é um diálogo

[Leitura] Hebr 5, 7-9; Jo 19, 25-27 ou Lc 2, 33-35

[Meditação] A obediência de e a Cristo está dolorosamente “grávida” de salvação: é o que, resumidamente, nos inspira o trecho da primeira leitura da Memória de Nossa Senhora das Dores. Junto à Cruz onde Jesus nos deu a Sua Vida, a capacidade d’Aquela mulher gerar novos filhos no Filho é, também, obediência dialogada no acolhimento silencioso a que João “abre a porta” como modelo de discípulo.

Na Igreja, seja na vivência da vocação ou em ambientes educativos, o tema da obediência precisa de ser sempre avaliado à luz deste mistério da Redenção, para ser capaz de gerar novos verdadeiros discípulos. Nossa Senhora das Dores: Rogai por nós!

[Oração] Sequência da Memória de Nossa Senhora das Dores − Stabat Mater de Pergolesi, interpretada pelo contratenor Andreas Scholl e a soprano Barbara Bonney (texto em português):

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Com o Nascimento de Maria, o Amor prepara as entranhas da Salvação

[Leitura] Miq 5, 1-4a ou Rom 8, 28-30; Mt 1, 1-16. 18-23; LUMEN GENTIUM

[Meditação e Oração] No Capítulo VIII da Constituição Dogmática Lumen Gentium, que descreve o papel da «Bem-aventurada Maria Mãe de Deus no Mistério de Cristo e da Igreja», podemos encontrar as introduções aos cinco mistérios da Vida de Maria, que ainda antes dos Mistérios da Vida de Cristo (da Alegria, da Luz, da Dor e da Glória) poderíamos (sem a ousadia de os querer inaugurar) recitar os Mistérios da Esperança. Na verdade, na natividade de Maria, nasceu a verdadeira esperança da humanidade. Não é à toa que, na Igreja, a invocamos como Nossa Senhora da Esperança nas “entranhas” da Igreja em que se formam e geram os que servem no Ministério. De facto, toda a missão da Igreja, em que, à imitação de Maria, muitos se deixam amar e servem o Amor de Deus, através de uma vida de consagração, estendem essas “entranhas” do Espírito para que a Redenção possa culminar na Salvação de toda a humanidade. Sobretudo a pensar nos jovens que acolhem o Espírito do chamamento do Senhor para a possibilidade a virem a consagrar-Lhe a vida, partilham-se as seguintes meditações que podem iluminar a oração mariana de hoje:

1º Mistério: A Imaculada Conceição. Maria encontra-se já profeticamente delineada na promessa da vitória sobre a serpente, feita aos primeiros pais caídos no pecado. Ela é, igualmente, a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emmanuel. (LG 55) Ao passo que, na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria, os fiéis ainda têm de trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. A Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo.  (LG 65) A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor. (LG 68)

2. Natividade. Unida a Ele [Cristo] por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predilecta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem a todas as demais criaturas do céu e da terra. (LG 53) O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para mãe, precedesse a encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida. É o que se verifica de modo sublime na Mãe de Jesus, dando à luz do mundo a própria Vida, que tudo renova. Deus adornou-a com dons dignos de uma tão grande missão; e, por isso, não é de admirar que os santos Padres chamem com frequência à Mãe de Deus «toda santa» e «imune de toda a mancha de pecado», visto que o próprio Espírito Santo a modelou e d’Ela fez uma nova criatura. (LG 56)

3. Anunciação. Efectivamente, a Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predilecta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem á todas as demais criaturas do céu e da terra. (LG 53) Enriquecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como «cheia de graça»; e responde ao mensageiro celeste: «eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». (LG 56)

4. Apresentação. Com ela, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar o homem do pecado com os mistérios da Sua vida terrena. (LG 55) Quando O apresentou no templo ao Senhor, com a oferta dos pobres, ouviu Simeão profetizar que o Filho viria a ser sinal de contradição e que uma espada trespassaria o coração da mãe, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos. (LG 57) Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial. (…) Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude», e também melhor se cumpram os seus mandamentos. (LG 66)

5. Assunção. É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus (LG 55), Aquela que na santa Igreja ocupa depois de Cristo o lugar mais elevado e também o mais próximo de nós (LG 54). Depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo. (LG 62) A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor. (LG 68) Dirijam todos os fiéis instantes súplicas à Mãe de Deus e mãe dos homens, para que Ela, que assistiu com suas orações aos começos da Igreja, também agora, exaltada sobre todos os anjos e bem-aventurados, interceda, junto de seu Filho, na comunhão de todos os santos, até que todos os povos, tanto os que ostentam o nome cristão, como os que ainda ignoram o Salvador, se reunam felizmente, em paz e harmonia, no único Povo de Deus, para glória da santíssima e indivisa Trindade. (LG 69)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

O que não for encontro entre misericórdia e fidelidade é representatividade enganosa

[Leitura] Ez 43, 1-7a; Mt 23, 1-12

[Meditação] É curioso que, no Pontifical Romano, quando se acolhem os candidatos à formação presbiteral, na admissão às Ordens Sacras, o Bispo interroga os candidatos começando por dizer: «Filhos caríssimos: Os pastores e mestres encarregados da vossa formação…», etc. Se, na Eucaristia em que se insere este rito, calha a proclamar-se o texto evangélico de hoje, corremos o risco de ouvir a consciência dizer-nos o mesmo que Jesus diz dos que se sentam na cadeira de Moisés. É preciso um melhor texto para acolher aqueles que a Igreja quer formar, sabendo que o que se diz programa a vida, quando a vida se quer praticada em coerência com o que de bem se diz. Na verdade, os formadores não fazem de “mestres”, sendo que a sua humilde missão é a de, continuadamente, apontarem como referência de toda a formação o Mestre único e verdadeiro.

Já estou a ouvir alguns a dizer que essa palavra está em minúscula… Ok! Da minúscula à Maiúscula vai só um pedaço de vaidade que surge na esquina do processo formativo, lá onde é difícil de fazer o que o Mestre manda ensinar. E o que é mais fácil de acontecer é esconder na “batina” os pecados e mostrar só com palavras o que está escrito no Livro que todos têm como referência. Mas… responda-se à pergunta: a verdadeira Escritura não é a Palavra feita vida, como Jesus, Ele próprio, na sintonia do que disse e fez, é a Palavra feita carne?

A glória de Deus habita na terra, como diz o salmo, quando se encontram a misericórdia e a fidelidade. Para que haja frutos, Deus contribui com o que é bom, fazendo o que é justo. Somos chamados a responder com atitudes que promovam a paz iluminada pela sua justiça que é misericórdia. No meu humilde reparo, na Igreja, aquele encontro entre a misericórdia e a fidelidade já acontece entre as duas fontes dinâmicas entre si: a Sagrada Escritura e o Magistério Petrino. Para quê mais confusões? Para quê mais correntes? Pedro senta-se na cadeira que Jesus lhe deixou, que é uma forma de vida e uma Sua representação na autenticidade (e não um assento de veludo!), assim com os Presbíteros se deveriam sentar na cadeira do Bispo quando o substituem nalguma celebração (mais uma contradição dos cerimoniais nas sedes catedralícias). Quando algum poder humano se sobrepõe ao que Jesus disse, sobrepondo-o, há que perguntar à Palavra de Deus e ao Magistério autêntico. Tudo o resto não é só perda de tempo como, inclusivamente, atraso da salvação, onde a Igreja é chamada a ter o seu papel que não lhe será tirado como ouvinte da Palavra (parafraseando Lc 10, 42).

[Oração] Sal 84 (85)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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