navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: At 5, 34-42; Sl 26 (27), 1. 4. 13-14; Ev: Jo 6, 1-15

Depois da catequese sobre o Batismo, com Nicodemos, o Senhor começa a dar-nos a mão para uma mais profunda compreensão sobre a Eucaristia. E para isso, proclamamos o texto da multiplicação dos pães e dos peixes, acontecimento próximo da Páscoa.

Não raramente ouvimos o lamento, infelizmente verosímil, de que a economia tem estado acima da política e que de esta frequentemente espezinha a ética. Basta olhar para as causas e consequências da guerra. Mas não precisamos de ir tão longe (para quem a guerra que mata diariamente inocentes não estar perto): o bem-estar irrefletido apela sempre a uma economia desenfreada, levando a afrouxar normativas sociais reguladoras, esquecendo-se o fundamento e a vocação da dignidade do ser humano.

No Evangelho, Jesus deixa clara uma ética no que toca ao cuidado dos outros, numa situação particular. Começa por provocar os discípulos, encaminhando-os de uma economia capitalista a uma economia de comunhão, seguindo o seguinte percurso:

> Onde comprar? > O que custa não chega > Há aqui quem tenha para partilhar > Mandar sentar > Dar graças pelo que já se tem > Distribuir o que se tem > Recolher o que sobrou (poupar) > Sair de cena, centrando a atenção no bem comum mais do que no feitor do bem.

“Mandar sentar” começa por ser a primeira consideração da ética: pôr as pessoas à mesa, independentemente do que se tem que fazer para lhes dar de comer. É um símbolo do reconhecimento da dignidade fundamental de todas as pessoas. “Mandar sentar” é um manifesto sobre o facto de que as pessoas valem mais do que os bens e que a boa distribuição destes é para as pessoas.

Quanto a Comunidade do Seminário Interdiocesano aprendeu Doutrina Social da Igreja com o Dr. José Carlos Miranda, começámos, antes de abordar a “questão social”, por considerar primeiro a dignidade da pessoa humana na sua relação com o Criador, Inteligência superior peimeira à quem chegamos através da sua Revelação que Deus faz de Si, anterior a toda a matéria e de Quem dependemos.

Gamaliel intuiu esta “ética” fundamental do Cristianismo diante do tribunal judaico em que se estavam a julgar aqueles que seguiam a Cristo. Se Deus estava com eles, quem poderia estar contra eles? E advertiu a terem cuidado, porque se a iniciativa do que eles faziam provinha de Deus é porque a sua existência não iria acabar. Assim me ensinou um professor: se o afã no que fazemos tem em vista prioritária o bem dos outros, o que fazemos perdurará; se o nosso afã é a nossa autorreferencialidade que fabrica a indiferença aos problemas humanos, as nossas instituições falecerão. Portanto, na aprendizagem pessoal e pastoral, vejamos bem o caminho em que os nossos processos e instituições perseguem.