navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: At 11, 19-26; Sl 86 (87), 1-3. 4-5. 6-7; Ev: Jo 10, 22-30

«Vós sois um canal, não um filtro» ─ Foi este mote que o Santo Padre Leão XIV deixou a dez sacerdotes que ordenou neste passado Domingo do Bom Pastor, em Roma, apelando a um ministério de proximidade, com portas abertas a todos.

“Hoje, mais do que nunca, especialmente onde os números parecem indicar um distanciamento entre as pessoas e a Igreja, mantende a porta aberta! Deixai entrar e estai sempre prontos para sair. Este é outro segredo para a vossa vida: vós sois um canal, não um filtro.”

O Papa alertou para o perigo de a necessidade de segurança transformar as comunidades em espaços fechados e defensivos. E assinalou a ligação entre a missão dos sacerdotes e a sua presença na sociedade, sublinhando que devem ser “cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social”.

“Quanto mais profundo for o vosso vínculo com Cristo, tanto mais radical será a vossa pertença à humanidade comum. Não há oposição, nem competição, entre o céu e a terra: em Jesus, eles unem-se para sempre”.

Então, para respondermos ao chamamento a ser «canais e não filtros», requer-se mais empenho na “pastoral do adro”. É o que vemos explicitado na experiência dos primeiros cristãos (não só com este nome, mas com o conteúdo da fé), como nos relatam os Atos dos Apóstolos. A Igreja em expansão é uma experiência comunitária de rua, não de um espaço fechado nem de relações fechadas.

No Evangelho, vemos em semente o que significa ser canal e o que significa ser filtro. Os judeus estavam a ser filtros, porque queriam manipular toda a informação. Queriam saber quem era o Messias para o manipular. Ainda não tinham percebido que Ele estava a ser canal de uma relação íntima com Deus Pai. Moral da história: quem filtra muito tende a correr o risco de ─ até por vezes sem querer ou sem o saber ─ deitar a perder elementos ou pessoas que podem ser úteis para sempre; já quem tende a ser canal, deixa passar a informação útil para todos, para que que todos possam ser úteis para o projeto do Reino.

A respeito da “pastoral do adro” é significativa a iniciativa de D. José Miguel Pereira, Bispo da Guarda, dentro do trabalho sinodal que está a realizar na sua diocese, de realizar um encontro intitulado, precisamente, “Assembleia Diocesana Adro“, para reforçar o diálogo com a sociedade civil. Seguindo o método “Reunir e Ouvir”, trata-se de uma iniciativa que nasce como sinal de abertura da Igreja ao território e às instituições que nele atuam. D. José Pereira destacou no final da Assembleia a importância de “construir conjuntamente melhores formas de serviço”, valorizando o diálogo por áreas de atuação e a partilha de experiências. Manifestou também gratidão pela confiança demonstrada: “Comove ver como continuam a dar crédito à Igreja, reconhecendo-a como parceira de proximidade e de renovado empenho.”

Portanto, sejamos diante de todos, canais da graça de Deus e não filtros. Por palavras e obras sejamos transparência da intimidade com Jesus, à maneira do que Ele mesmo fazia com o Pai. Peçamos o Espírito Santo para isso.