O amor é a força que nos amadurece como frutos na árvore da vida

[Leitura] 1 Cor 12, 31 – 13, 13; Lc 7, 31-35

[Meditação] Diz o psicólogo (positivo) comportamentalista norte-americano Martin Seligman que a nossa vida poderia ser dividida em duas metades: a da expansão, na qual vivemos a aspirar a tudo que desejamos e procurando viver todas as experiências que consideramos úteis para a nossa felicidade; e a do afunilamento, que implica a escolha de uns poucos fatores pelos quais, de forma mais madura, se consideram essenciais para uma vida bem conseguida. Em geral, considera-se a década dos 40 anos como a fronteira destas duas metades, embora o dado etário não signifique tudo.

De facto, o Apóstolo Paulo tem razão: não podemos andar toda a vida a falar, sentir e pensar como crianças. A perfeição que tudo consegue implica a qualificação de pouca quantidade de fatores pelos quais se rege o sucesso pessoal, nas várias dimensões da vida humana. Daí que a qualificação de uma geração se pode medir pelos frutos produzidos com a força daquele “sol” que é o amor. E se na primeira fase da vida (de expansão) é um amor “de atração” e de resposta ao dom da seiva que vem de um tronco da nossa árvore genealógica, na segunda metade (de afunilamento) ele reveste-se de esforço e abertura no dar-se na partilha de vida, na satisfação das necessidades mais urgentes da nossa humanidade.

S. João Paulo II inspira-nos que o caminho do amor é o que vai do Sacramento da Penitência ao Sacramento da Eucaristia, quer dizer, da conversão à comunhão. Podemos dizer, também, do mero contacto insidioso com a árvore do conhecimento do bem e do mal (que apenas governa a vida terrena) ao saborear os frutos da árvore da vida (eterna). Penso ser esta a relação que, em Paulo, se declara entre as virtudes da fé e da esperança (estas para saber lidar com a primeira árvore) e a da caridade (alimento da segunda árvore com que se constrói a ponte para o céu).

[Oração] Sal 32 (33)

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Da multiplicação que anestesia o temor ao verdadeiro dom que instaura o amor

[Leitura] Ex 16, 2-4. 12-15; Ef 4, 17. 20-24; Jo 6, 24-35

[Meditação] Temos vindo a constatar através da comunicação social o que se está a passar na Venezuela. É estranha a forma como os acontecimentos são noticiados, como se meramente houvesse lutas políticas entre poderes alternativos, em vez da cada vez mais nítida existência de uma ditadura que se quer impôr pelo ciclo vicioso do medo e das concessões que vão anestesiando o mesmo, no controle da resolução injusta da pobreza.

Jesus caminhou sobre o mar das inconsistências humanas para nos levar da mera saciação do temor ao acolhimento do verdadeiro amor, através de uma mais justa distribuição dos bens naturais, mas tendo como base axiológica (ética) a proclamação de dons sobrenaturais.

Os povos em vias de desenvolvimento (chamam-se hoje assim, para não os desclassificarmos com o chavão “sub-desenvolvimento”) não são mais desenvolvidos porque causa daquele ciclo vicioso: se este tem garantias de ser mantido, para o povo (parece que) está tudo bem, em vez de mudar da obediência a um político que faz de deus para a adoração de um Deus que tudo faz para que o curso da história humana seja feliz.

Por vezes, também é assim com os habitantes dos países ditos “desenvolvidos”: estando de estômago cheio e de saúde controlada, parece-lhes estar tudo bem, quando, na verdade, nem sempre parece darem conta da vida divina que subjaz no fundo de tudo o que nos acotnece de bem; e dos males que têm a sua raiz nalguma acédia humana.

Quer no caminho das comunidades cristãs, quer no desenvolvimento humano com o qual se promove a resposta pessoal ao chamamento de Deus, convém verificarmos com que conjunto de neurónios estamos a pensar: se com um cérebro em vias de ser inteligente na resposta ao dom da fé ou se com um estômago sempre a pedir a saciação de bens perecíveis.

[Oração] Sal 77 (78)

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Vale mais descansar um pouco com Jesus do que ter férias grandes…

[Leitura] Jer 23, 1-6; Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34

[Meditação] … sem Ele. É assim que muitos partem ao desvario para férias, não ao encontro de um futuro melhor, mas como fuga de um presente vazio. Os Apóstolos voltara para junto de Jesus cheios de memórias boas do que tinham realizado em nome d’Ele. O seu descanso, ainda que pouco, dada a urgência da missão, era merecido. Uma vida vazia de sentido cansa mais do que uma vida cheia de trabalho. Daí que muitos partam para férias que, ainda que “grandes” em extravagância, nunca chegarão a evitar aquele cansaço profundo.

Parafraseando a primeira leitura, os que regressam de “férias grandes” sem Deus correm o risco de regressar à vida vazia, impondo uma série de coisas sem sentido (de vida eterna) aos outros. Deus há de pedir contas aos que pisam ou ultrapassam o limiar desse risco!

São Paulo — o Apóstolo que renunciou à extravagância de uma religião que não ligava a Deus e passou ao combate da fé em favor dos irmãos — afirma-nos que «Cristo é, de facto, a nossa paz», vindo para derrubar todas as inimizades e unir-nos a todos num só povo, pela sua Cruz. Estar perto dela dá-nos mais força do que o descanso unido a todos os prazeres do mundo.

[Oração] Sal 22 (23)

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A esperança é um exercício da vontade

[Leitura] Os 2, 16. 17b-18. 21-22; Sal 144 (145); Mt 9, 18-26

[Meditação] Diz D. Tonino Bello: «Pensa-se que a esperança seja uma espécie de armário de desejos perdidos. E, pelo contrário, é um exercício da vontade». É o que está a ser experimentado por aqueles que, na Tailândia, estão a viver a aventura transformada em drama. Aquelas crianças e o seu instrutor, assim como os seus pais e os socorristas estão a pôr em prática esta grande verdade: não basta belos pensamentos e desejos eufóricos se não houver uma vontade firme de os coordenar na prática, a favor da defesa da vida humana. Graças a Deus, neste momento, não faltam expressões e imagens que desviam as atenções do Mundial da Rússia para este Santo Resgate. Graças a Deus, a globalização não é só um efeito da técnica; é, antes de mais, um preceito de humanidade, como vemos no testemunho daquele médico anestesista que se envolveu no resgate da Tailândia.

No Evangelho de hoje, encontramos, também, esta forma de viver ousadamente a esperança quer na mulher que procura tocar no manto de Jesus, quer no chefe que O procura para Lhe pedir a vida da filha. Não se trata do relato de meras aflições, mas do valor da vida humana, muito aquém de pensamentos ou desejos fúteis. No centro do Evangelho, como se de uma gruta se tratasse, Jesus responde com o convite à confiança, seja para as situações de doença, seja para a eminência da morte física como a daquele herói mergulhador que deu a vida.

Como hoje se costuma dizer em Gestão, também em conformidade com o Evangelho: pensemos globalmente e ajamos localmente. Como aqueles que nos dão o testemunho de vida no resgate de outras vidas.

[Oração] Oração pelos meninos da Tailândia, seus socorristas e suas famílias:

Senhor, Vós que amais infinitamente todos os vossos filhos, especialmente as crianças, e que nos dissestes que só entrará no céu quem a elas se assemelhar, pedimo-Vos com fé e carinho: protegei todas as pessoas envolvidas no resgate dos meninos presos na caverna da Tailândia. Por intercessão de Santa Bárbara, padroeira contra as chuvas fortes, pedimo-Vos especialmente esta graça: se for da vossa vontade, que não chova mais na região daquela caverna na Tailândia, para que os trabalhos de resgate sejam feitos o mais rápido possível, e que não haja mais perda de vidas humanas. Por intercessão de Maria Santíssima, nossa Mãe, confortai as famílias que aguardam aflitas pelos seus filhos! Concedei sabedoria e discernimento a todos os profissionais envolvidos no resgate, especialmente os mergulhadores! Dai paz e força aos meninos e ao técnico, que ainda se encontram presos dentro da caverna! Senhor, nós confiamos em Vós!

Fonte: ALETEIA

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O seguimento do Mestre é uma combinação entre disposição e predisposição

[Leitura] Am 2, 6-10. 13-16; Mt 8, 18-22

[Meditação] As palavras “disposição” e “predisposição” podem ajudar-nos a compreender o tipo de seguimento que alguém pode empreender no caminho do Mestre Jesus Cristo. “Disposição” manifesta uma inclinação pessoal para o seguimento, um tipo de colaboração ordenada ou metódica na relação com Jesus. “Predisposição” manifesta tendência natural ou vocação. Este modo coloca Deus no processo, porque o seu amor vem primeiro. Aquele modo implica mais o sujeito, mesmo ignorando a primazia de Deus.

Podemos contemplar nos dois casos que se apresentam a Jesus no texto do Evangelho de hoje, quer a disposição meramente pessoal, quer a falta de predisposição em seguir o Mestre. Portanto, ter disposição em seguir Jesus nem sempre significa predisposição em segui-l’O e vice-versa: também há quem possa estar chamado e não o siga de facto. Importante é que estes dois modos se combinem no seguimento, para que haja um discipulado missionário conforme ao projeto de amor que Deus revelou em Jesus Cristo.

Para que esta combinação aconteça é preciso ser simples e humildes: simplicidade para se reconhecer destinatário do amor de Deus, antes da consideração da família de sangue, e humildes em aceitar o seu projeto como ele é e não como nos apraz.

[Oração] Sal 49 (50)

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Elias e Eliseu, uma prefiguração da paternidade espiritual

[Leitura] Sir 48, 1-15 (gr. 1-14); Sal 96 (97), 1-2. 3-4. 5-6. 7; Mt 6, 7-15

[Meditação] Hoje temos Jesus, novamente, a ensinar-nos a oração do Pai-nosso como forma de abreviar a nossa relação com o Pai do Céu, incentivando-nos, ao mesmo tempo, da tendência de dizermos muitas coisas para O chamarmos à atenção.

Entre Elias e Eliseu existia algo parecido com a relação entre Jesus e o Pai, que somos chamados a acolher como filhos: em Elias estava um fogo imenso (prefigurador do Espírito do Amor do Pai) e em Elias uma capacidade para nunca se desligar do seu mestre na arte de profetizar, não deixando que nada interferisse na sua relação.

Pergunto: quantas vezes não só o que chamamos de mundanidade espiritual, mas também o que se intitula de obesidade espiritual interferirá na nossa relação com o Espírito de Deus?

Na paternidade espiritual, o mais importante não é o que possamos pensar ou repetir/dizer, mas a abertura à relação direta com Deus, uma vez que o Seu Espírito já está no íntimo do nosso coração. Então, como acontece na educação (educere = tirar de dentro da pessoa o bem que já lá está semeado), o Pai faz saltar de dentro dos seus filhos o Melhor que está dentro de nós: o seu Espírito Santo, bastando, para tal, que não obstruamos os canais da comunicação com os roídos da verborreia espiritualista ou do solipsismo indiferentista. O melhor que temos a fazer é imitar os sentimentos do Filho Unigénito de Deus, sem qualquer medo de faltarmos às propostas de qualquer corrente espiritualista ou materialista.

[Oração] Rezemos como Jesus nos ensinou:

Pai nosso, que estais nos Céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

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Favoritismo e indiferença, as máscaras modernas dos dois pecados originais que nos impedem de pertencer à família universal

[Leitura] Gen 3, 9-15; 2 Cor 4, 13 – 5, 1; Mc 3, 20-35

[Meditação] O Papa Francisco, no segundo capítulo da sua recente Exortação Apostólica “Alegrai-vos e exultai”, alerta-nos contra o individualismo e o desprezo do corpo, como inimigos da Santidade e máscaras de duas heresias antigas: o pelagianismo e o gnosticismo. Portanto, este desprezo noegnóstico do corpo e o individualismo neopelagiano do corpo podem ser, precisamente, ramificações consequentes daqueles pecados contra os dois valores fundamentais da humanidade:

1º — Ser criatura. É um valor fundamental de que o ser humano se esquece quando ignora Deus e se substituiu a Ele. Daqui deriva todo o tipo de desvio do próprio ser. Não admira, pois, que Deus pergunte: «Onde estás?». Esta provocação precisa de uma resposta não geográfica, mas ontológica: onde estarei eu quanto ao “espaço”de criatura que me foi dado, para expandir dentro dos “limites” da vida terrena que me podem possibilitar alcançar a plenitude da vida eterna? Contra o valor e a dignidade de ser simplesmente criatura derivará o tal desprezo do corpo como espaço digno, não só de ser morada de Deus criador, mas também de ser meio de comunicação da Sua graça. Substituir Deus é o primeiro pecado original contra o qual é preciso lutar com uma alta consideração e cuidado para com o corpo, sem favoritismos ou nepotismos que substituam Deus de determinar o que é bem e o que é mal, objetivamente.

2º — Ser irmão/irmã. O segundo pecado original aconteceu desde que a terra foi manchada com o sangue de um irmão (na dramática história de Caim e Abel). O individualismo levam a pensar erradamente que o outro não importe, na hora de considerar a dignidade de cada um e de cada uma. Deste individualismo deriva a indiferença que impede de responder à pergunta divina: «Onde está o teu irmão?».

Ora, para Jesus, considerado louco pelos seus familiares e um estorvo para os chefes religiosos/políticos da comunidade do seu tempo, a familiaridade que confere a cidadania do Reino de Deus é, simplesmente, ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática. Trata-se de uma familiaridade universal e não um “gueto” de cumpridores. As leituras deste 10ç domingo do tempo comum são claras quanto à responsabilidade que a Igreja tem de lutar contra todo o tipo de favoritismo que, automaticamente, gera a indiferença para com os que sofrem e são marginalizados, para alguns viverem dentro de uma redoma de bem-estar eclesial e social, até ao ponto de haver envolvimentos aparentemente santos para se tirar proveitos que não têm a ver com os preceitos de Deus.

Vamos, como nos sugere São Paulo, vigiar a nossa vida, construindo a nossa unidade interior que nos torne capazes de ter um comportamento exterior em conformidade com a Palavra de Deus. Peçamos por intermédio de Maria, Aquela que com a máxima docilidade ao Espírito Santo nos deu à luz o Verbo feito carne, que as nossas famílias e comunidades cristãs sejam inclusivas de todos e não exclusivistas.

Responder à divina “pergunta bisturi” «Que fizeste?» é a melhor forma de vigiarmos a nossa ação exterior, sempre ligada às nossas disposições exteriores, para não andarmos indefinidamente a obedecermos a mecanismos de defesa próprios da infância e da adolescência que, embora naquelas idades sejam aceitáveis, na vida adulta nos impedem de viver a “loucura” que não escandaliza os destinatários do Evangelho, e nos fazem viver uma anormalidade e indignidade próprio de criaturas e filhos/as de Deus (como a “transferência” da responsabilidade para a serpente!!).

O que desejarmos pedir aos outros, mais fortes, peçamos primeiro ao nosso Bom Deus. Ele, desde a nossa consciência, fará as perguntas que nos ajudarão a encontrar as respostas convenientes, para o nosso bem e o bem de todos.

[Oração] Sal 129 (130)

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As discussões no caminho de santidade nem sempre têm a ver com a meta correspondente

[Leitura] Tg 4, 1-10; Mc 9, 30-37

[Meditação] Não tem sido infrequente o diálogo sobre a diferença entre fazer o Caminho de Santiago e de Peregrinar até Fátima, apontando como diferenças a acentuação da importância dos benefícios do caminho no primeiro caso e do cumprimento da promessa de chegar à meta no segundo caso. Nem sempre os argumentos são fáceis de harmonizar entre estas duas experiências espirituais, descobrindo-se uma dialética entre elas, talvez nunca possível de remover, tal a sua ligação com a sua correspondência ao núcleo da alma humana.

A pergunta de Jesus − «Que discutíeis no caminho?» − prende-se com a qualidade de uma peregrinação que vai desde o interior de cada um até à meta que Ele estava a agendar no seu programa: «O Filho do homem vai ser entregue… mas Ele, três dias depois…» Como os discípulos ficaram calados, não tendo uma resposta satisfatória quanto à correspondência entre “meio” e “fim”, Ele propõe-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». Esta resposta diz-lhes que a meta (ser o primeiro) terá de implicar, no caminho, a diligência do serviço.

Não é à toa que, no Caminho de Santiago, há uma regra fundamental para quem vai num grupo: o que estiver com menos condições físicas para caminhar é que marca o ritmo do caminho, ficando todos os outros atrás e ao lado. Este critério penso estar em sintonia com o remate final do Mestre: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

[Oração] Sal 54 (55)

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A graça da cura vem sempre depois da oração coleta

[Leitura] Tg 3, 13-18; Sal 18 B (19B), 8. 9. 10. 15; Mc 9, 14-29

[Meditação] Na segunda-feira após o Pentecostes, a Igreja, pela primeira vez, convidou-nos a celebrar a Memória obrigatória dedicada à Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja. É uma boa forma de retomarmos a vivência/celebração do Tempo Comum, desta vez na 7ª semana do mesmo. O trecho do Evangelho, tomado do lecionário ferial (só nas Festas é que se costumam tomar do Santoral ou caso as razões pastorais o inspirem), faz-nos contemplar uma cura que tem a ver com a relação entre um pai e um filho.

O primeiro aspeto que ouso partilhar, fruto da minha humilde reflexão é o de que, frequentemente, nos esquecemos que a Oração coleta (da Missa principalmente) não serve só para convocar os fiéis, mas também para invocar (como o conteúdo da mesma sempre insinua) a graça do Senhor que está quando dois ou três se reúnem em nome d’Ele (cf. Mt 18, 20). Portanto, coletam-se os fiéis para, juntos, se coletar a graça que o Senhor oferece pelo Sacramento. Foi o que Jesus conseguiu no final e apesar de tudo, com a oração unânime ao Pai, no mesmo Espírito Santo.

O segundo aspeto, partilho-o em comunhão com a análise psico-esiritual de Anselm Grün e Maria-M. Robben (em “Come curare le ferite dell’infanzia”), que sugerem que o capítulo novo do evangelho segundo S. Marcos se dedica à cura na relação pai-filho. Sem culpar o pai de tal possessão, quer analisar-se tal relação que por vezes é falida: o pai diz que o filho está possesso por um espírito impuro; por sua parte, o filho não emite nenhum som, mas manifesta-se de muitas outras maneiras (ficando rígido e espumando…). Na verdade, na relação com o pai, não encontrou espaço para falar de si e dos próprios sentimentos. Entre os dois há uma ausência total de comunicação. Não têm mais nada para se dizerem. Talvez a mudez do filho nos reenvie para uma mudez do pai, uma vez que talvez o pai também não tenha conseguido nunca emitir os seus sentimentos reais, mas apenas descrever os sinais da doença do filho.

O terceiro aspeto é a afirmação de que, frequentemente, a cura de alguém como um filho pode implicar a cura do pai (o mesmo se pode considerar entre uma filha e a própria mãe), o que permitirá a cura da relação entre ambos. Naquele cenário, podemos olhar para o fogo para o qual as forças do mal atiram o filho como se se tratasse a paixão, a sexualidade, a agressividade; e a água como símbolo do inconsciente em que ficam “arquivadas” todas as forças que “falam” sem palavras, mas com sintomas físicos que acabam por declarar o que existiu ou não existiu no crescimento de um filho. É curioso que aquele pai não peça a cura só para o seu filho: «Mas se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e socorre-nos». Pede para a relação recíproca.

O quarto e último aspeto é o da fé que preside à oração. Declara-lhe Jesus: «Se posso?… Tudo é possível a quem acredita». Por um lado, sugere àquele pai que também ele pode, desde a fé no Pai do céu, curar o filho a partir de uma nova relação com ele. Este filho levanta-se, apoiado pela mão de Jesus e, também, no descanso de uma nova relação com o pai. Aos discípulos diz o mesmo: não se pode curar estas doenças a não ser pela oração. Deixemos, hoje, que Maria nos inspire desde a sua capacidade de crer, mantendo os discípulos em oração no cenáculo na espera do Espírito Consolador, tão necessário nos relacionamentos humanos, para que, pelos mesmos, nos sintamos parte de um só Corpo, o do Filho Unigénito do Pai.

[Oração] Desde sempre que os filhos, para obter algo dos pais, frequentemente foram ter com as mães, em primeiro lugar ou reenviados por eles, para se obter a satisfação dos desejos filiais. Rezemos, pois, à Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja:

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe santíssima, abençoai as nossas crianças e a sua relação com os pais, a quem as confiais. Guardai-as com cuidado maternal, para que nenhuma delas se perca. Defendei-as contra as ciladas do inimigo e contra os escândalos do mundo, para que sejam sempre humildes, mansas e puras. Ó Mãe nossa, Mãe de misericórdia, rogai por nós e, depois desta vida, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce sempre virgem Maria. Ámen.

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Will… Willing… Willingness… na resposta ao Amor do Bom Pastor

[Leitura] Act 25, 13b-21; Jo 21, 15-19

[Meditação] Nas vésperas do Pentecostes, Jesus não nos deixa por menos: com as perguntas que faz a Pedro, após a Ressurreição, quer certificar-Se que também nós, antes de recebermos o Espírito Santo que nos impele à missão da Igreja, respondamos ao Seu Amor (que é, na verdade, o próprio Espírito Santo), respeitando a gradualidade no crescimento da nossa resposta para o Amor.

Na língua inglesa, há três palavras que nos ajudam a “dissecar” a expressão da nossa “vontade” na resposta ao seguimento apostólico do Senhor:

1. Will será a prontidão ou a capacidade de tomar decisões; pode ser o “primeiriar-se” proposto pelo Papa Francisco na “Alegria do Evangelho” (n.º 24). Depois da primeira resposta de Pedro à pergunta «Tu amas-me mais do que estes?», Jesus pede que o Apóstolo apascente os seus cordeiros. Dá-nos a impressão que o Senhor o queira colocar em estágio, cuidando daqueles que oferecem menos resistência.

2. Willing será disposição correta que permite atuar através de decisões. Depois da seguna resposta, o Senhor pede que Pedro apascente as suas ovelhas. Dá a impressão que Pedro já passou o estágio, sendo capaz de acompanhar os cristãos adultos.

3. Willingness será o estado no qual o sujeito não tem necessidade de persuasão para tomar decisões; potência a responder; predisposição, estado de prontidão para uma decisão, de forma permanente, na fidelidade. À terceira resposta, Jesus não só pede que Pedro continue a apascentar as suas ovelhas, como insinua que ele mesmo será um “cordeiro” a ser levado para onde ele não quer, como Jesus, que foi como que «um cordeiro levado para o matadouro», quando deu a Sua vida na Cruz.

Neste texto do Evangelho, contemplamos a pedagogia de Jesus que pode e deve ser imitada pelos pedagogos cristãos de hoje (educadores e formadores), em que a formação do coração coloca questões à espera de respostas, no crescimento em maturidade que permita sair de uma comunidade educadora para uma Igreja em saída numa contínua missão em formação.

[Oração] Sal 102 (103)

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