Publicado em Integração Psico-Espiritual, Lectio Humana-Divina

As duas faces da porta da salvação: do lado do Reino a gratuidade; do lado do mundo a gratidão

[Leitura] Rom 3, 21-30a; Lc 11, 47-54

[Meditação] A liturgia de hoje pode ajudar-nos a perceber a caraterística da omnipotência no confronto com Deus. A sua omnipotência é absolutamente amorosa; a “omnipotência” do homem é absolutamente presunçosa, quando existe, excetuando na infância, compreensível por causa da total dependência dos progenitores.

A salvação é sempre uma graça gratuita! O nosso esforço em acolhê-la não pode acrescentar nada como não pode diminuir em nada o mérito infinito do amor de Deus. Esta nossa convicção não infravaloriza o esforço humano. Pelo contrário, enaltece-o já desde o interior de cada pessoa, onde o Espírito atua.

A omnipotência de Deus salva-nos; a nossa presunção pode afastar-nos dela, como nos pode levar a “matar” a salvação própria e dos outros. Portanto, a justiça que salva é Deus que a cumpre (estará, porventura, aqui o sentido da “justificação” paulina). O ser humano pode ou não exercer a sua liberdade em acolhê-la e pactuar com ela nas suas (consider)ações colaborativas. De uma vez por todas: não deixemos de fazer boas ações, mas sem nos estarmos a elevar mais do que Deus nos eleva (pois não é possível!)

[Oração] Sal 129 (130)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Há uma humanização à espera que acabe a perversidade dos incêndios!

Para se fazer a “Lectio Divina” deste dia, veja-se o vídeo abaixo:

[Leitura] Rom 1, 1-7; Lc 11, 29-32

[Meditação] É incrível como ainda há poucas semanas muitos sofreram  e muitos outros se compadeceram pelo flagelo de Pedrógão Grande e ainda hoje continuamos a ver tantas pessoas a sofrer viagens paradas porque muitos mais incêndios lhes bloqueiam as estradas da vida. Não me refiro aos que ontem tiveram que ficar nas estradas do país, mas também dos que perdem as suas casas e os seus entes queridos. Os bodes expiatórios continuarão a ser pessoas dementes? Ou temos por detrás de todos estes episódios de destruição pessoas corruptas? Para que haja humanização, poderá haver, indeterminadamente, diferença entre “reis” e “peões” neste “jogo da vida” como se fosse um jogo de xadrez?

Há outros “incêndios” nesta sociedade que outros “bombeiros” tentam apagar, mas sem grande sucesso, como o foi a carta pastoral que os nossos Bispos de Portugal emitiram sobre a prevenção dos incêndios. Também o Santo Padre se associa a esta atitude profética, anunciando um Sínodo Extraordinário para 2019, sobre a Amazónia.

No entanto, a perversidade de alguns homens dará ouvidos a esta pregação?! Até quando aguentaremos estes ciclos viciosos de uma relação desmedida entre o poder perverso, o dinheiro alheio e o cuidado com esta casa comum? Parafraseando o Apóstolo Paulo, temos de afirmar a todos os que habitam nestes lugares invadidos pelos incêndios, amados por Deus e chamados a serem santos, a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Não tenhamos medo de afirmar os seus valores acima de todo (des)governo humano, mas a caminhar ao lado dos que sofrem, vítimas da corrupção que desumaniza.

[Oração] Sal 97 (98)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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A radicalidade batismal de cada um bastaria, pela conciliação de políticas, para uma economia global

[Leitura] Is 25, 6-10a; Filip 4, 12-14. 19-20;Mt 22, 1-14

[Meditação] É incrível como, na sociedade de hoje, milhares de milhões de euros são tansacionados entre entidades de diverso tipo, sem que isso signifique melhoria de vida para os pobres que acabam por se ver implicados nas taxas do orçamento de Estado. Ao mesmo tempo, a comunicação social controlando, sem escrúpulos, a atenção das pessoas para que a cada mau acontecimento se vá sucedendo outro menos mau ou pior que desvie a atenção (apuramento de responsabilidades sobre o que aconteceu em Pedrógão > Operação Marquês > agora novos incêndios (supostamente causados por ninguém, talvez todos pela mãe natureza) > qualquer dia o Mundial na Rússia). No tocante à governação da polis, já se concluiu há muito a sua qualidade líquida. E no tocante ao Reino de Deus, para os que creem, qual é a “ordem”?

Para descobrirmos essa “ordo amoris” no perfil do Pai eterno, convém, desde a nossa experiência humana, contemplarmos as vezes que estivemos sentados à mesa de uma refeição festiva. Sim! Conhecemos melhor Deus se O contemplarmos na trivialidade das nossas experiências humanas, assim como O desconhecemos quando estamos distraídos ou nos deixamos manipular pelas informações que nos rodeiam. Deus é esse Senhor que prometeu a toda a Humanidade um lugar no banquete eterno de Seu Filho e não descansa enquanto todos os homens e mulheres, bons e maus, não se tiverem sentido convidados!

Na parábola podemos quer rever a história até à vinda de Jesus Cristo, quer antever a experiência do Reino que nos está preparado. Nas personagens que ela contém podemos, também, entrar na cena. Faremos que figuras? A do judeu que prefere sobrevalorizar os seus negócios? A dos pagãos convertidos que querem fazer parte do Reino de qualquer modo? Ou, na melhor das hipóteses, ser servos que colaboram no anúncio deste convite que é dirigido a todos?

Aquela ausência notória do “traje nupcial” por parte de um homem faz-nos compreender que a vivência dos valores do Evangelho por parte de cada pessoa tem uma correspondência direta com a forma como se partilham os bens de uma sociedade é chamada a gerir. A vida cristã não é uma realidade independente da vida social! É por isso que os batizados são chamados a meter-se na vida política: para, nela, colaborarem para que a justiça social seja pressuposto da paz fraternal; para o que a política deve estar acima da economia, para que esta chegue a todos. Como é que isso se consegue? Pondo os valores do Batismo acima da política, uma vez que também esta não pode tudo em relação à obtenção do Reino que nos está prometido.

Exemplo desta vivência da “ordo amoris” é São Paulo, que dava glória a Deus quer estivesse na abundância, quer estivesse na pobreza, correndo mesmo o risco de estar preso. Podemos concluir que não basta exercer este ou aquele ministério para nos sentirmos integrados no Reino; assim como não basta estar puros; é preciso, porventura, “sujarmos as mãos” se for preciso, para levar o mesmo convite a quem dele está longe. Novamente: decisivo para o testemunho cristão não é tando a discrepância entre o que dizemos e o que fazemos, mas uma fé firme em Deus que corresponda com o empenho de amor em favor dos irmãos.

[Oração] Sal 22 (23)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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As necessidades básicas dos outros não incomodam os que servem o Senhor

[Leitura] Mal 3, 13-20a; Lc 11, 5-13

[Meditação] Deus nunca se cansa, porque o amor não descansa. O ser humano é que se cansa de contemplar o amor na sua dupla face de receber e partilhar, esquecendo-se da gratidão que gera a comunhão. O Papa Francisco já nos lembrou que Deus nunca se cansa de perdoar, nós é que nos esquecemos de Lhe pedir perdão. No entanto, a história de Deus com a humanidade não é só uma história de pecado humano; é uma história de fidelidade divina ao projeto da Criação. Aquém do pecado há toda uma precedência do amor paciente de Deus sobre o qual se constrói toda a história da humanidade e de cada homem e mulher em particular, em todas as condições mais básicas foram previstas por Ele para que o se humano possam viver.

A experiência de cada ser humano é marcada por diversos tipos de necessidade dentro das dimensões física, psíquica e de realização ou busca de sentido da vida. Estas, apesar de estarem no ADN da criação do ser humano, reclamam, no plano da redenção, uma fraternidade universal. A partir desta relação, não basta perguntar se o ser humano se portou ou não bem; é necessário perguntar, na sua situação, se tem o básico que precisa para empreender o caminho que o constrói de encontro à imagem do Criador.

Aqueles que temem o Senhor não fecham as portas da caridade, sabendo que esta ressoa com o alarme da insistência de quem precisa da satisfação de necessidades básicas como as que estão na pirâmide acima. À luz da Palavra, afirmamos convictamente que, no topo, está o Espírito Santo, o Amor de Deus, o bem ainda mais básico que todos os bens, sem o qual se experimenta a mais dramática das pobrezas. A maldade está em não reconhecermos estas necessidades mais básicas como património de toda a humanidade. A bondade está na imitação da forma de Deus Pai nos amar.

[Oração] Sal 1, 1-2. 3. 4 e 6

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

 

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A misericórdia do Pai é de uma irracionalidade humoradamente racional

[Leitura] Jonas 4, 1-11; Lc 11, 1-4

[Meditação] Estou a imaginar Jonas com ciúmes, um arquétipo do filho mais velho da parábola do filho pródigo (cf. Lc 15, 11-32): foi chamado a anunciar a conversão aos ninivitas e eles converteram-se diante do amor de Deus. Terá tido Jonas desejos de vingança ao ver a vida que os ninivitas levavam, face aos seus esforços de obediência a Deus? De facto, a misericórdia divina é de uma grande irracionalidade para a lógica humana.

No entanto, a Deus não escapa o drama de Jonas: monitoriza a sua irritação ajudando a racionalizar as suas motivações e a tomar consciência do seu mecanismo de transferência injusta entre o rícino e os ninivitas.

No Evangelho, encontramo-nos com a melhor escola de relação com Deus Pai: Jesus. Nele se sintetizam os melhores mecanismos de adaptação que conhecemos: estou a imaginá-l’O a sorrir (mecanismo do humor) e a recomendar (mecanismo de antecipação) uma forma de relação que reorganiza o sentido da vida, através da oração do Pai-nosso.

Também deve ter sido sob a força desta rel(or)ação que o Papa do sorriso (João XIII) convenceu a Igreja de que deveria organizar-se melhor, adaptando-se aos novos tempos com a integração de antigos e novos valores (com o Concílio Vaticano II). Com ele aprendemos que não há verdadeiro cristianismo sem um autêntico humanismo.

[Oração] Sal 85 (86)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Next! (Próximo!)

[Leitura] Jonas 1,1 – 2,1.11;  Lc 10, 25-37

[Meditação] Certamente já nos aconteceu ou vimos acontecer alguém estar numa fila à espera de ser atendido e, chegando a sua hora, o responsável sai do seu posto e deixa a pessoa à espera um tempo indeterminável… Em vez de ouvirmos a tão esperada expressão “próximo!”, sussurra dentro de nós o lamento “por quanto tempo terei de esperar?” ou “até quanto, Senhor?”.

O exemplo de Jonas retrata o de todos os que estão chamados a dirigir-se a uma lista de necessitados. Por vezes, cansamo-nos das listas de afazeres (“to do lists”), independentemente da gravidade das necessidades dos que nos aparecem à frente. E, outras vezes, não é fácil de observar a hierarquia da urgência das diversas situações em que somos abordados para facultar a nossa ajuda.

A Palavra de hoje pode-nos ajudar a reorganizar os fatores que nos levam a viver aquela Ordo Amoris proposta pelo Evangelho:

1º – Estar a caminho em direção a Deus. Sim, a caminho, porque fecharmo-nos numa igreja durante muito tempo a pensar que resolvemos todas as coisas não nos faz mais nem menos obedientes a Deus…

2º – Parar no caminho quando Ele Se quiser encontrar connosco num irmão ou irmã, seja ele ou ela quem for. “Parar” significa mesmo: parar o relógio e estar diante, sem recuos e frenesins de gente muito (pre)ocupada.

3º – Fazer uma boa administração espiritual do tempo, nos espaços diversos do nosso viver, para não cairmos na tentação de chamarmos “religioso” a tudo o que acontece dentro da igreja e “profano” ou “secular” a tudo o que acontece na rua. Uma boa relação de fé vive-se com Deus e com os irmãos (ao mesmo tempo), seja onde for, mas que seja “em espírito e em verdade” (cf. Jo 4, 23).

No fundo da nossa conscência é que está o “relógio” que nos levará a considerar qual é o próximo a quem o Senhor nos envia (ou que nos é enviado) para O servirmos. Não deixemos que nenhum relógio ou regulamento nos impeça de aproveitar a oportunidade, que pode ser única!

[Oração] Sal Jonas 2, 3. 4. 5. 8

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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Pode ser que a “pedra no teu sapato” venha a ser dada a outrem…!

[Leitura] Is 5, 1-7; Filip 4, 6-9; Mt 21, 33-43

[Meditação] Na vida de quem “habita” a Igreja há sempre algumas “pedras no sapato”: conflitos, imprudências, autossuficiências, incompreensões, insucessos apesar de tanta dedicação, diversos sofrimentos que ferem a esperança… O que fazemos com estas “pedras”? Simplesmente, atira-mo-las fora? Arremessamo-las aos outros? Ou oferecêmo-las a Deus para o fabrico de “pérolas”, dentro da concha da(o) nossa(o) (c)oração? Para aprendermos a lidar com estas “pedras no sapato”, sugiro os seguines passos, à luz da Liturgia da Palavra deste XVII domingo do tempo comum:

1º – “Dançarmos” (mesmo com a pedra dentro do sapato”) ao som do cântico da vinha “cantado” pelo profeta Isaías. Nesta dança descobrimos o amor que Deus Pai colocou em tudo o que criou, fazendo tudo bem feito, e da relação esponsal que propôs e alimentou fielmente em favor do seu Povo. De facto, quando formos capazes só de contemplar a admirável condescendência que Deus Pai colocou na relação connosco (com cada um em particular!) ao preparar-nos as condições para que nascêssemos e crescêssemos para sermos (pelo menos) o que somos hoje, certamente seríamos capazes, também, de dar o segundo passo:

2º – Regressar à intimidade com Deus, no Espírito Santo, para aprendermos a reagir de outra maneira às inquietações. Paulo tem razão: «a paz de Deus está acima de toda a inteligência». Para isso, por momentos, aproveitemos o “deserto” para onde nos levam as inúteis inquietações e os “agraços” da nossa falta de consideração a Deus Pai, para descobrirmos, de novo, «tudo o que é verdadeiro e nobre… justo e puro… amável e de boa reputação… virtude e digno de louvor.. o que devemos ter no pensamento». Daqui acontecerá uma coisa maravilhosa:

3º – O “trespasse” para a Igreja, onde Jesus Cristo é a pedra angular. Na verdade, muito em nós ainda é Antigo Testamento. O Batismo é mais do que uma veste do 3º ano de catequese: não se foi batizado, é-se continuamente e constrói-se a pertença ao Corpo de Cristo com os outros, em missão, irmanados nas águas onde a barca da Igreja de Jesus Cristo navega para o Reino definitivo, onde saborearemos os frutos que Jesus nos veio ajudar a colher da sua Morte e Ressurreição.

Deste tríptico meditativo, saltam outras perguntas, que são “pedras no sapato” da comunidade da Igreja: o que é feito dos jovens que Deus formou com tanto carinho na sua Catequese? Como é que as famílias cuidam dos seus herdeiros (que na realidade são herdeiros de Deus Pai)? Como acontece o trespasse da fase da procura para a fase da decisão vocacional (em resposta ao apelo de Jesus Cristo)? Que fazer dos dons que Deus dá a cada um (no Espírito)?

Que no mês das Missões Nossa Senhora nos ajude a entrar na Missão da Paz!

[Oração] Sal 79 (80)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo