navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 At 10, 25-26. 34-35. 44-48; Sl 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4 L 2 1Jo 4, 7-10; Ev Jo 15, 9-17 ─ No Domingo VI da Páscoa (B) | Dia da Mãe

Hoje é Dia da Mãe. Na mensagem dos bispos da Conferência Episcopal Portuguesa, podemos ler:

O Dom da Maternidade surge do coração de Deus, Ele que é Pai e Mãe, e modelou na Virgem Maria de Nazaré toda a beleza e ternura da Maternidade Divina. Através d’Ela, Deus tornou-se próximo de cada um de nós, fez-se um de nós. Por isso, na maternidade de cada mulher podemo-nos encontrar com a nascente da vida e com o autor da Vida. No Amor de cada Mãe aproximamo-nos de modo eloquente do Amor de Deus por cada um de nós. Não duvidamos que o Amor de Mãe é a mais perfeita metáfora do Amor de Deus.

Está neste parágrafo, em particular, e na mensagem, em geral, a melhor homilia para este 6º Domingo da Páscoa. De facto, a maternidade das nossas mães e o fruto que é cada um de nós é a comparação mais próxima que temos da Maternidade de Maria em relação a Seu Filho Jesus. Elas foram as primeiras a guardar o Mandamento do Senhor, guardando as nossas vidas e ajudando-as a crescer. E não são só servas da vida, mas amigas do Deus da Vida. E isto é fonte de alegria.

O poder criador de Deus é a “Maternidade das maternidades”. E para que em nós haja sempre vida é que Jesus nos convida a permanecer n’Ele para permanecermos em Deus. E qual é o modo? Amarmo-nos uns aos outros como Ele nos amou, dando a vida. O padre Ermes Ronchi afirma-nos que neste Evangelho proclamado estamos como que diante do “berço onde se guarda a essência do Cristianismo. Tudo parte de um facto: tu és amado (como o Pai amou, eu amei), do qual decorre outro facto: todo ser vivo respira não só ar, mas amor e comunidade (permanecei no meu amor). Se esta respiração cessa, ela não vive, e tudo converge para uma meta doce e amiga: eu te disse isso para que a tua alegria seja plena, para que chegue ao seu ponto mais alto”.

Mas há uma condição: guardar os mandamentos de Jesus. À primeira vista ou a primeira reação, o facto de ouvirmos falar de mandamentos depois de ouvirmos falar de amor pode levar-nos a reagir virando o olhar. É que o amor é algo para ser levado a sério. O amor de Deus por nós, por toda a humanidade, é sempre incondicional e perfeito, mas o nosso amor é sempre complicado e sempre imperfeito, ou seja, incompleto. Porque é que o Senhor “fecha” em mandamentos uma realidade que é tão importante para a liberdade? E, rapidamente, Jesus dá-nos a solução: amar a Deus parece ser muito difícil, de forma que Ele mesmo encontrou uma forma de ser possível ─ amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Ou seja trata-se de amarmo-nos uns aos outros ao jeito de Jesus. Dentro dos mandamentos de Jesus ─ que não é um mero conjunto de prescrições ou de leis, quer dizer, é a imitação da sua forma de amar ─ à medida em que ajudamos os nossos semelhantes a ser melhores, tornamo-nos numa melhor versão de nós mesmos. O amor ─ a Deus e ao próximo como a nós mesmos ─ dando a vida é a melhor e, talvez, a única forma de colaborarmos com a Criação e a Redenção, em suma: com o projeto da salvação da humanidade.

Segundo percebemos da 1ª carta de São João, não precisamos nem podemos esperar outra revelação que esta: a de que Ele é amor provado com o envio do seu próprio Filho. E com uma finalidade que não conhece igual dignidade: também nós sermos filhos de Deus. Haverá maior título e dignidade entre os seres humanos? Por isso, o amor é o único “motor” da fraternidade humana.

Um amor assim só pode dar frutos como aqueles que vemos acontecer na primitiva comunidade da Igreja orientada pelos Apóstolos. A conversão e o batismo do oficial do exército romano, de nome Cornélio, fez compreender aos primeiros cristãos, e particularmente ao próprio S. Pedro, que a graça de Jesus Cristo, anunciada no Evangelho, se destina a todos os homens, porque Deus a todos quer chamar à fé e à conversão.