Jesus vê-nos primeiro antes que comecemos a dar os primeiros passos do caminho

Ap 21, 9b-14; Sal 144 (145); Jo 1, 45-51 ─ Festa do Apóstolo São Bartolomeu (Natanael); pequena reflexão sobre Pastoral Vocacional

Nesta Festa estamos diante de um Evangelho que tece um verdadeiro diálogo vocacional, personalizado em Jesus, Filipe e Natanael (Bartolomeu). Quem dera que hoje repetíssemos mais vezes este diálogo, começando por afirmar na estrada “Encontrámos Aquele de quem está escrito…” e deixando que cada pessoa diga o que pensa acerca de Jesus, sem obrigarmos a uma imediata ou irrefletida profissão de fé sem consequências.

Vivemos numa época de grandes confrontos, não só o que se pensa e o que se diz, mas também entre o que se diz e o que os outros pensam, fonte de debates inacabados e de isolamento intelectual, tendencial a gerar patentes individualistas. Jesus aproveitou uma afirmação de Natanael não politicamente correta para o aproximar da verdade que Ele é. A autenticidade é uma qualidade dos que caminham, ao passo que o fingimento frena o passo para Cristo.

Estar “debaixo da figueira” não só diz de alguém que não está no caminho, como afirma a presença de mecanismos de defesa que impedem uma verdadeira relação a caminho. No entanto, Jesus também olha para os que não estão no caminho, aguardando que, por palavras ou atitudes desajeitadas, se comecem a dar os primeiros passos.

E tudo começa com o testemunho de alguém, não que este testemunho seja a fonte, mas a “torneira” insubstituível para que O possamos conhecer e seguir.

A pastoral vocacional hodierna sofre, no meu modo humilde de ver, de um utilitarismo exacerbado, que começa por querer dar a conhecer os objetivos da missão da Igreja e as leis com as quais se tece a entrega. Jesus não começou assim! Para Ele é sempre fundamental conhecer bem as pessoas, reconhecer o que elas valem e como se dispõem a ser acompanhadas como são naturalmente e com liberdade quanto à proposta sobrenatural. Muitos ziguezagues se têm sofrido entre a formação humana e a formação espiritual em comunidades de acompanhamento, por falta de um discernimento que tenha em conta não só os objetivos da missão, mas também a humanidade dos sujeitos.

Precisamos de, pois, de uma pastoral sem pressas. Maria foi apressadamente a casa de Isabel, mas permaneceu lá cerca de três meses (cf. Lc 1, 39-56). Portanto, ir rápido ao encontro, mas permanecer o tempo suficiente na casa dos vocacionados, sem proselitismo vocacional.

Seja como for, até que aconteça na vida de um/a jovem a decisão definitiva em abraçar um estado de vida (seja o matrimónio, o presbiterado ou a vida consagrada), deve ser dada oportunidade de que aconteça algo semelhante ao que se descreve no Livro do Apocalipse: fazer a experiência do cimo do monte, onde testemunhos felizes ajudem a ver as realidades que se prometem pelo caminho de uma entrega especial.

O vosso domínio estende-se por todas as gerações. O Senhor é justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos O invocam, de quantos O invocam em verdade.

─ Sl 144 (145)
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