Sagrado Coração de Jesus: da fonte aos sedentos. E o restauro do fontanário?

[Leitura] Ez 34, 11-16; Rm 5, 5b-11; Lc 15, 3-7

[Meditação] Lectio Divina e Lectio Humana em modo «À Conversa com o Mestre»:

Jonas (à conversa com os seus botões):
Isto de adentrar pela porta da igreja no mês de maio levou-me a perceber que, para além da oração do Terço, há mais: a Eucaristia. E qual o meu espanto, quando ouvi o aviso para a celebração da Solenidade do Coração de Jesus, o meu coração palpitou um pouco mais, como que a pedir-me que não faltasse…

Mestre:
Jonaaaaasssss…!

Jonas:
Siiimm! És Tu, Mestre? Onde estás?

Mestre:
Aqui, bem dentro do teu coração. Esse palpitar é tarefa do Meu Espírito que foi derramado em todos os corações (cf. Rm 5, 5b).

Jonas:
Pensei que eras Tu que me estavas a tentar chamar desde o sacrário onde o padre Te guarda.

Mestre:
Sim, Jonas, Eu chamo sempre deste o sacrário onde Me escondo sempre depois da Eucaristia. E quem sabe disso pode vir sempre ter comigo. Mas, para os mais distraídos, o Meu Espírito palpita dentro do coração de todas as pessoas, a lembrar a sede de mim, estejam onde estiverem.

Jonas:
Pois… mas nem todos O escutam…

Mestre:
Pois não, da mesma forma. Por isso é que, a partir do Sumo Pontífice, propomos diversos dinamismos na Igreja, como por exemplo…

Jonas:
… o Apostolado da Oração!

Mestre:
Isso mesmo, estiveste atento! A partir desse serviço, procura-se sensibilizar as pessoas para a aproximação da infinita fonte que é o Meu Sagrado Coração.

Jonas:
Mas… Mestre, dá-me a impressão que só pessoas idosas é que aderem às iniciativas do Apostolado da Oração. Porque será?

Mestre:
Bem… tens razão! Porque há quem confunda o fontanário com a fonte e, escondendo esta, protegem o fontanário conservando-o sem o restaurar. Lamento…

Jonas:
E isso afasta alguns e não aproxima outros…

Mestre:
Pois é! O Papa Francisco tem razão: a minha Graça não é um prémio para os bons, mas um alimento forte para os fracos… Por isso, a missão principal missão tem a ver com os que andam afastados ou os enfraquecidos. Vou à procura deles para os atrair a Mim e os alimentar.

Jonas:
Quem bom, Mestre, ouvir essas tuas palavras. Até eu, não vejo nenhuma razão para me afastar. No entanto, fico triste com aqueles 99 justos da tua parábola que, por vezes, são aquele “fontanário” que escondem a tua fonte de misericórdia para todos, em especial os que andam perdidos, mas que não deixam de ter sede. O que podemos fazer?

Mestre:
Podemos fazer muito, Jonas. Juntamente com o Espírito Santo e os Apóstolos de hoje, podemos restaurar o fontanário.

Jonas:
Como assim?

Mestre:
Reinventando os modelos e métodos de oração.

Jonas:
Mas… a Eucaristia e o Terço que me levou a ela não chegam?

Mestre:
Vou ser mais claro: a Eucaristia é a fonte propriamente dita, uma vez que pela Liturgia e os Sacramentos Eu estou  no mundo. No entanto, ela ficou como que enclausurada em círculos muito fechados. Na primitiva Igreja, ela era celebrada nas casas dos cristãos, de forma que os vizinhos poderiam mais facilmente aceder a ela ou, pelo, menos saber que Eu estava por perto. Mas, depois, vieram os abusos e as injustiças para com os pobres, por parte daqueles ricos que se consideravam “justos”. Agora, volto a estar muito escondido por detrás dos seus panos…

Jonas:
Pois… precisamos de desenvolver interfaces mais atuais. Utilizando, como metáfora, a informática.

Mestre:
Isso, Jonas, É por aí! Sei que os jesuítas, que são uns aventureiros, desenvolveram várias formas criativas para aproximar os jovens e não só de Mim, através de plataformas renovadas de oração. E estou muito contente!

Jonas:
O “passo-a-rezar.net”, o “clicktopray.org”…

Mestre:
E tens visto os vídeos do Papa? Neles, Francisco convida as pessoas a rezar chamando a atenção para as várias sedes e tribulações que, por vezes, levam as pessoas a sentir-se longe de Mim, perdendo o rasto da relação com o Pai.

Jonas:
Ha, é verdade! Não há método mais atual!

Mestre:
Como vês, na Igreja, continuar a cumprir-se aquilo que ouvimos pelo profeta Ezequiel: «Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei de encontrá-las… Eu as apascentarei em boas pastagens… Eu farei repousar o meu rebanho… Procurarei a ovelha perdida e reconduzirei a tresmalhada…».

Jonas:
Quer dizer, ó Mestre, que o Apostolado da Oração requer uma nova “inteligência social”, para que perceba que alguns modelos do passado não servem para hoje, no que toca à evangelização.

Mestre:
Tu andas a ler as investigações científicas atuais sobre o recente denominado “Q.I. Social”. Bem visto! Saber ler a interação entre as pessoas muito para além do que dizem pelas suas mensagens conscientes ajuda a prevenir muitas desistências e a provocar muitas resistências.

Jonas:
Pois é, há muitas dificuldades subliminares nas ropostas recentes de evangelização, de forma que há muitos que se perdem na confusão. Por isso, os “novos” movimentos ficam rapidamente “velhos”, quando passa a euforia… e a fonte vai ficando longe… O que vale é que Tu não te deixas enclausurar, mas vias ao encontro, precisamente, de quem anda perdido, por quem ainda é pecador…

Mestre:
Isso mesmo, Jonas, com toda a certeza. Eu não Me deixo fechar em esquemas rígidos. Se assim seria, a Igreja já teria acabado há muito tempo e o Reino… esse correria o risco de ficar como obra monumental inacabada. Mas não é assim. Comigo é assim: da fonte à sede das pessoas haja uma torneira simples ou uma mão que leve de beber a quem tem sede, caído no caminho ou enfraquecido pela vida, como sugere o Papa em relação aos idosos que é preciso encontrar.

Jonas:
É mesmo isso, Senhor. Vou também ser Apóstolo, sem me prender a esquemas ultrapassados. Vou à Eucaristia da Solenidade do Teu Sagrado Coração e, depois, vou levar dessa fonte a beber a tua água viva a quem encontrar sedento pelo caminho. 🙂

Mestre:
Eu e o Espírito do Pai estaremos contigo. 😉

[Oração] Sal 22

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo