L 1: Ef 4, 32 – 5, 8; Sl 1, 1-2. 3. 4 e 6 Ev: Lc 13, 10-17
O Evangelho de hoje mostra-nos que Jesus era melhor compreendido pelos simples e fonte de alegria para eles. Porque Ele colocava a pessoa humana à frente de tudo, nomeadamente a instituição religiosa.
Seminaristas, no futuro, como padres, ides confrontar-vos ou ver no meio de situações em que tereis de decidir ao mesmo tempo entre presidir a um momento comunitário e socorrer a um grito de uma pessoa. Obviamente, o que preside não precisa de fazer tudo e os ministérios servem para que um número necessário de agentes pastorais ajudem a que um maior número de pessoas se sinta bem.
Mais uma vez, estava a claro a hipocrisia farisaica: cuidavam dos seus animais em privado, mas uma pessoa não podia ser curada ou libertada do mal em público, em dia de sábado. Hoje vive-se uma inversão desta situação: as pessoas não se importam de mostrar o cuidado que têm para com os animais e em privado não querem saber daquela libertação que precisa a alma. Quer numa, quer noutra situação há falta de bom senso.
O psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl G. Jung, na sua carta a Dr. Lauchenauer, escreveu: O que o público em geral não sabe e dificilmente saberá é que o homem coletivo é subumano, nada mais do que um ser animal. (…) Toda a organização em que não se ouve mais a voz do indivíduo corre o perigo de degenerar num monstro subumano (Cartas 1906, 1945. Vol. I, pág. 291).
As manifestações que estão a acontecer um pouco por toda a parte na Europa, sobre o problema da habitação e não só, colocam a sociedade que somos ao espelho deste Evangelho de hoje. Por vezes, à maneira do chefe da sinagoga que põe a observância da regra à frente da pessoa que sofre, também muitas vezes, em sociedade, muitas pessoas a viver sem condições se vêm ignoradas pelas pelas leis institucionais. Inspirados no Evangelho, na ótica de Jung, poderíamos concluir que qualquer organização que deixe de ouvir a voz do indivíduo corre esse risco.
Um professor meu costumava repetir que se uma instituição tende colocar todo o seu afã na autodefesa ou autossuficiência, tende a falir com o tempo; se, pelo contrário, tender a colocar todo o seu esforço no bem das pessoas concretas, tenderá a prevalecer pelo tempo fora.
