L 1: Gl 3, 22-29; Sl 104 (105), 2-3. 4-5. 6-7 Ev: Lc 11, 27-28
Apesar de parecer o passo mais lógico e natural, na realidade muitas pessoas continuam a usar óculos com lentes antigas ou desatualizadas, mesmo depois de terem ido ao oftalmologista e recebido uma nova prescrição. Existem vários motivos práticos, financeiros e até comportamentais para isso acontecer: usar óculos antigos para usar em atividades que possam danificar as lentes novas; usar enquanto se tiver dificuldades de adaptação às lentes novas, para “descansar” a vista. Porém, continuar a usar uma graduação antiga pode provocar fadiga ocular, dores de cabeça, olho seco e visão desfocada, além de comprometer a segurança em atividades como a condução.
Isto não é sobre oftalmologia, mas uma tentativa de introdução à leitura orante de Gálatas 3,22-29, em que Paulo demonstra que a Lei foi importante para guiar o povo de Deus desde Moisés até Cristo, mas agora, depois que veio Cristo, é nele que encontraremos a justificação pela fé. É a fé que faz que seres humanos, sejam eles quem forem, se tornem filhos de Abraão, herdeiros das suas promessas que Deus lhe fez e que se realizam plenamente em Cristo. Já não pertencemos à Lei, mas a Cristo. É pela novidade de Cristo que nos deixamos iluminar. Negar a Cristo é continuar a viver debaixo do domínio da Lei.
É à novidade da fé na Palavra de Deus que, na anunciação, o sim Maria se volta, não só na atenção e assentimento, mas sobretudo em caminho feito de ações concretas. E este é o primeiro grau de felicidade, mesmo antes que Jesus pudesse ser amamentado ao peito de Maria. Neste episódio, Cristo garante-nos o que é determinante para o maior bem das nossas vidas: ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática. Não há outra fonte de êxito, não há outra check-list que seja mais prioritária para o Reino de Deus.
Hoje comemoram-se duas efemérides civis que nos ajudam a perceber como na sociedade a nossa visão sobre certos temas e circunstâncias da vida humana ainda carecem de visões e ações justificadas pela fé em Cristo. São o Dia Mundial contra a Pena de Morte e o Dia Mundial da Saúde Mental. O que nos recorda estas efemérides é suficiente para verificarmos que a forma de lidar com a saúde mental e a forma de lidar com crimes graves, muitas vezes consequência de abusos na infância (veja-se os casos de Christa Pike e do recente caso de fuzilamento público de um psiquiatra militar nos EUA), anda de mãos dadas com um padrão vicioso de causas e efeitos, que mantém a conduta do ser humano sob uma justiça de méritos ou de retribuição. Não é à toa que a Igreja retirou do Catecismo a hipótese da pena de morte, concebendo-a como “inadmissível” (em 2 de agosto de 2018) e o Papa Leão XIV nos convida neste mês de outubro a rezar pela Pastoral da Saúde Mental.
