Feliz é quem acolhe o Céu e não quem pensa que o merece

Lc 6, 20-26; 1Cor 7, 25-31

O texto das bem-aventuranças é sobremaneira importante, porque paradoxal, quase como se para uma sua compreensão precisássemos de uma “password” que só Deus possui. Por isso, compreender como a pobreza em espírito, o luto, a perseguição, etc. possam dar a paz da plenitude da vida é algo que só pode acontecer na relação com Deus.

A felicidade eterna é uma DECLARAÇÃO de Jesus PARA aqueles destinatários que Ele tem à frente, buscadores de sentido que só se pode obter com a fraternidade, a justiça e a paz. Por vezes, projeta-se, também, da sociedade na Igreja (e quiçá ao contrário também) uma mais manifesta ou mais subliminar luta de classes (no mínimo competição), como se uns já vivessem o céu garantido na terra e outros estivessem de esperar com ele (esperança, por vezes, bem “paga” com desespero e tristeza).

Portanto, o discurso de Jesus não DEDUZ a salvação tanto de um mérito alcançado pelo ser humano com as suas próprias forças, quanto a INDUZ na vida daqueles que esperam e procuram a felicidade eterna através da realização da fraternidade, da justiça e da paz.

O Apóstolo Paulo utiliza o mesmo método indutivo ao aconselhar e não mandar, pois ninguém deve mandar o que não lhe é mandatado. E o seu conselho é fiável pela confiança na misericórdia, que está fundada na justiça de Deus. Quer Paulo dizer: a confiança que o seu conselho merece vem da misericórdia do Senhor para com ele. O tema sobre o qual ele dá conselho é o da vida solteira, adequada para as dificuldades do seu tempo. Por entre linhas, dá a entender que no seu tempo era difícil de viver relacionamentos sérios, daqueles em que cada pessoa põe o bem do outro em primeiro lugar. Esta é a verdadeira definição de castidade. O contrário da castidade é o incesto (“in-castus”). Portanto, o verdadeiro sentido da castidade não é meramente não fazer isto ou aquilo; a verdadeira prática da castidade é fazer o bem em favor dos outros, sem segundas intenções ou interesses egoístas.

Ajuda, em vez de fazermos escolhas baseadas na expetativa de coisas terrenas, fazermos uma opção fundamental apostada na esperança da vida eterna.

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