Quer-se que o Seminário seja uma “píxide” com “pães ázimos”

1 Cor 5, 1-8; Lc 6, 6-11 ─ No início do novo ano formativo do Seminário Interdiocesano de São José

No início da vida comunitária para um novo ano formativo no Seminário, escutámos o Apóstolo Paulo a convidar-nos a ser “pães ázimos” da pureza e da verdade, a partir de uma nova massa sem o velho fermento da malícia e da perversidade. Assim, inspira-nos a pensar no Seminário ─ que acolhe novos aspirantes, acompanha os discípulos e forma os candidatos ao presbiterado ─ como uma píxide com pães ázimos que, um dia, serão levados ao altar do Sacramento da Ordem, para ser servidos e servirem como “outros Cristos” no Povo de Deus e para as multidões da humanidade.

No contexto que vivemos, em que, por um lado, a sociedade exige (a partir de uma comunicação social extenuante) a irrepreensibilidade da Igreja diante dos abusos sexuais e, por outro lado, a própria Igreja oferece reflexão aprofundada e atualizada sobre a “identidade relacional e ministério sinodal do presbítero” (cf. Simpósio do Clero), cada vez mais é preciso centrar a formação e a vivência do ministério presbiteral na vida de Jesus que mandava fazer aos seus discípulos e apóstolos e que Ele mesmo fazia: ensinar/pregar e cuidar/curar. Toda a vocação, em qualquer estado de vida apoiado no Batismo, que se ocupe da coerência entre o ensino e o cuidado para com os outros, não terá tendência a falir.

Com os desafios que se colocam ao mundo e à Igreja, os que o Senhor chama a imitá-lo mais de perto não podem ficar de braços cruzados e com a cabeça pendurada em ideias fundamentalistas, que ignoram as situações sofridas pela humanidade, como se nada fosse connosco. Os cristãos têm a missão de ser fermento de união e harmonia da comunidade, como “alma” do mundo. O individualismo gera omissões. Fazer a diferença implica profetismo, denunciando o mal que rouba ou mata a dignidade humana e anunciando o bem que nos faz viver eternamente.

Com a Humildade, lema do pontificado do beatificado Papa João Paulo I e definição de comunidade (“húmus” onde crescem as sementes da vocação), todos somos chamados a levantarmo-nos e a colocarmos diante do olhar o Mestre as nossas sombras e pecados, para que Ele nos torne crentes, credíveis e críveis.

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