A pobreza é a maior síntese do amor

Jo 12, 24-26

O mandamento do amor, posto em prática, não pode não ter consequências de interação entre o divino e o humano, sendo que, ao mesmo tempo, implica a vivência de um paradoxo: amar a Deus com todas as faculdades pessoais e ao próximo como a nós mesmos implica, ao mesmo tempo, desprezar a própria vida neste mundo para a conservar para a vida eterna.

A pobreza e o pobre são, por isso, a melhor síntese do amor divino incarnado, porque são, ao mesmo tempo, portadores e destinatários do serviço que o incarna. O mandamento do amor e o desprezo da própria vida em favor dos outros são uma questão do “estar” ou agir e não meramente do pensar ou sentir. “Estar presente” com todas as faculdades da pessoa: coração, alma e entendimento (cf. Mt 22, 30), que poderão traduzir-se por vontade, memória e inteligência.

No momento da perseguição, o mártir São Lourenço estava inteiramente presente nos e com os pobres, o seu maior tesouro.

Meu filho, não temas, porque Eu estou contigo. Se passares pelo meio do fogo, nem a chama te abrasará nem o fumo te fará mal.

Antífona de Benedictus

Concretizando o desafio de estar totalmente presentes, poderemos vir a contemplar a promessa da presença divina nos momentos de maior tribulação. A irrepreensibilidade que São Paulo sugere no “espírito, alma e corpo” (1 Ts 5, 23) possibilita a que possamos contemplar a vinda de Jesus Cristo sem que alguma dimensão do nosso ser possa ficar de fora. O projeto pessoal de vida implica, pois, ter presentes estas dimensões do nosso ser, trabalhando reciprocamente em favor da vontade de Deus. Por vezes, pode acontecer que o espírito e a alma queiram e o corpo não, e vice-versa. Assim, o ato de servir Jesus Cristo implica segui-Lo.

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