Dizer “sal” e “luz” com os segredos da Música!

[Leitura] 1 Reis 17, 7-16; Mt 5, 13-16

[Meditação] Hoje foi-me inspirado falar das metáforas evangélicas de “sal” e “luz” através de dois factos da música:

“Ser sal” é, para mim, semelhante à “vibração por simpatia”, em que um corpo musical reage harmonicamente à ressonância de outro instrumento musical. Assim, a força de que Jesus fala pode ser comparável à sensibilidade para vibrar. Vale muito, aqui, considerar o ditado popular “conforme se toca assim se dança”. De facto, não basta que o Evangelho fique fechado nas páginas da Bíblia ou do Lecionário; é necessário que seja proclamado e meditado. E mesmo isto não basta – é necessário que os seus valores sejam vividos ou testemunhados na prática, para que as pessoas que não conhecem o Evangelho-feito-carne que é Cristo possam ser salvas por Ele.

Daqui vem que, para mim, “ser luz” seja mostrar Cristo como, um dia, Feliz Mendelssohn Bartholdy (1809-1847) descobriu e divulgou ao mundo, novamente, as composições de J. S. Bach (1685-1750), que correram o risco de se perder, apesar de tão importantes para a época do Barroco. Conta-se, curiosamente, que Mendelssohn chegou a encontrar folhas de partituras de Bach a servir de embrulho para a carne na cozinha! Assim é a luz do Evangelho: não deve ficar fechada nas páginas de um livro grosso (a Bíblia!) a segurar os outros livros da prateleira (na pior das hiopóteses) ou a enfeitar numa das divisões da casa com o pó do tempo a cobrir as folhas inertes de vidas rotineiras, ignorando as as surpresas de Deus.

Seja como for: o meio mais (sobre)natural que me parece que Deus usa para Se acomodar aos nossos desajeitamentos de tempo e de espaço é o testemunho de uma pessoa que escuta e age segundo a Palavra, imitando o estilo de vida do Mestre, apontando para o eterno na própria carne.

A viúva de Sarepta invocava “jurava por Deus” para invocar a morte diante da falta de bens; o profeta Elias invocava a vida diante do poder de Deus diante da pobreza.

Que a nossa vida cristã não seja um mero trasladar de ossos, como acontece com uma memória de meros contos teóricos, mas o deixara que Deus ilumine a nossa experiência através da ressonância do seu Amor.

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