Para a missão vale mais o ardor no coração do que a euforia na boca

[Leitura] Ef 1, 11-14; Lc 12, 1-7

[Meditação] Se formos fazer uma “reportagem” à conduta de Jesus nas cenas evangélicas, iríamos para o “estúdio” da nossa reflexão com mais fotografias de gestos do que com gravações de áudio. É curioso que a gravação áudio de todo o Novo Testamento demora a escutar 24 horas, pausadamente e com música de fundo, como se pode comprovar pela edição portuguesa da “Bíblia Falada”. Daqui concluímos que, na maior parte do tempo da sua vida pública (3 anos), Jesus caminhou ao encontro das pessoas e realizou gestos salvíficos, acompanhados das essenciais palavras que lhe conferiam significado.

A vida do cristão poderá ser uma coisa diferente desta conduta de Jesus? Não. Não seria vida cristã!

Temo que, por vezes, o nosso empenho profético-litúrgico-social seja intitulado de testemunho, mas vazio de gestos significativos, apesar dos “slogans” motivacionais. Talvez porque falta a estes “slogans” a linguagem gestual que dê sentido, não à atividade em si, mas aos destinatários do Evangelho. Está provado que os “slogans” em excessso poderão constituir “atalhos” para uma via sem sentido, porque descentrada do caminho exigente da cruz. A este respeito, é curioso constatarmos como a maioria das frases com que encabeçamos as nossas atividades eclesiais não concretizam diretamente os conteúdos evangélicos, mas atiram setas para a sede emotiva das pessoas, como “setas de cupido”, com a consequente possibilidade da frustração.

Quando o Papa Francisco nos convidava para uma nova etapa evangelizadora (Evangelii Gaudium, 17), era para sermos evangelizadores com o Espírito de Deus! É este o ardor (e não outro) que nos permite tomar a cruz de todos os dias e seguir Jesus Cristo ao encontro dos irmãos. O ardor prova-se no coração quando surge o confronto entre o impulso evangelizador e o confronto com uma adversidade, que nos pede ultrapassar o medo, na tentativa de deixar transparecer a verdade.

Assim, é mais fácil um fósforo ser capaz de reunir gente mais livre e motivada à volta de uma conversa de lareira, do que a buzina de um altifalante de uma torre de igreja trazer uma multidão crente à Missa. Quanto não poderiam fazer as nossas “velas de Batismo” juntas?!

[Oração] Sal 32 (33)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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