A graça de Deus é conteúdo e forma que se recebe e se dá

[Leitura] Os 11, 1-4. 8c-9; Mt 10, 7-15

[Meditação] O trecho evangélico de hoje prepara-nos para a vivência da Liturgia da Palavra do próximo XV domingo do tempo comum (B), convidando-nos a descartar quer o triunfalismo da missão, quer o tecnicismo com que, por vezes, a perspetivamos. Na verdade, a proximidade do Reino que Jesus nos manda anunciar dispensa os artefactos humanos, assim como as suas frequentes euforias; basta-nos partilhar a graça que Ele nos dá, da forma que Ele sugere.

Muitos pensam que a graça de Deus é um ganho aquém de um dom. Se assim fosse, os limites e pecados dos apóstolos não teriam deixado chegar a boa nova até nós. Certamente a pobreza com que foram enviados nem sequer os deixou ser devorados por algum escrúpulo que impedisse de caminhar para levar essa mensagem de amor aos seus destinatários. A graça é DE Deus e, quando a partilhamos, não a diminuímos. É verdade que o nosso bom comportamento, a beleza das nossas ações e o bem presente nas nossas atitudes podem favorecer a Evangelização. No entanto, há “ratoeiras” instaladas nos escrúpulos, nas euforias e nos exageros de algumas ações missionárias. Parafraseando o Papa Paulo VI aos presbíteros: se cuidarem da pobreza, na sua forma secular de simplicidade de vida, os outros conselhos evangélicos (castidade e obediência) certamente acontecerão como benefícios colaterais.

Que o Senhor nos dê a graça de antepormos a tudo o seu amor, acolhido e não desperdiçado para que o mesmo chegue aos pobres, aos pecadores e aos afastados. São estes os primeiros destinatários da missão, como Jesus disse e fez!

[Oração] Sal 79 (80)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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