As discussões no caminho de santidade nem sempre têm a ver com a meta correspondente

[Leitura] Tg 4, 1-10; Mc 9, 30-37

[Meditação] Não tem sido infrequente o diálogo sobre a diferença entre fazer o Caminho de Santiago e de Peregrinar até Fátima, apontando como diferenças a acentuação da importância dos benefícios do caminho no primeiro caso e do cumprimento da promessa de chegar à meta no segundo caso. Nem sempre os argumentos são fáceis de harmonizar entre estas duas experiências espirituais, descobrindo-se uma dialética entre elas, talvez nunca possível de remover, tal a sua ligação com a sua correspondência ao núcleo da alma humana.

A pergunta de Jesus − «Que discutíeis no caminho?» − prende-se com a qualidade de uma peregrinação que vai desde o interior de cada um até à meta que Ele estava a agendar no seu programa: «O Filho do homem vai ser entregue… mas Ele, três dias depois…» Como os discípulos ficaram calados, não tendo uma resposta satisfatória quanto à correspondência entre “meio” e “fim”, Ele propõe-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». Esta resposta diz-lhes que a meta (ser o primeiro) terá de implicar, no caminho, a diligência do serviço.

Não é à toa que, no Caminho de Santiago, há uma regra fundamental para quem vai num grupo: o que estiver com menos condições físicas para caminhar é que marca o ritmo do caminho, ficando todos os outros atrás e ao lado. Este critério penso estar em sintonia com o remate final do Mestre: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

[Oração] Sal 54 (55)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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