As curas de Jesus restituem não só o direito à cidadania na terra, mas também à do Reino de Deus!

[Leitura] Lev 13, 1-2. 44-46; 1 Cor 10, 31– 11, 1; Mc 1, 40-45

[Meditação] Durante este fim-de-semana pudemos observar na comunicação social a falta de unanimidade quanto à forma de acompanhar os divorciados recasados. Não sei se pesou mais a vontade de alguns agentes de comunicação social quererem dividir os pastores da Igreja Católica ou se a antecipada falta de comunhão intraeclesial na pedagogia pastoral quanto a esse acompanhamento.

O Papa Francisco, em A Alegria do Amor, propôs-nos três passos − acompanhar, discernir, integrar − como forma de abordar aqueles e aquelas que estiverem a viver circunstâncias irregulares quanto ao ideal de vida que é a Família no Matrimónio. Jesus, na sua ação de cumprir o projeto de Deus prefigurado nas etapas do povo que nos são descritas no Antigo Testamento e cumprido no Novo Testamento, fez continuidade, rutura e progresso. Lemos na Exortação Apostólica Verbum Domini, de Bento XVI, no n.º 40:

O próprio Novo Testamento se diz em conformidade com o Antigo e proclama que, no mistério da vida, morte e ressurreição de Cristo, encontraram o seu perfeito cumprimento as Escrituras Sagradas do povo judeu. Mas é preciso notar que o conceito de cumprimento das Escrituras é complexo, porque comporta uma tríplice dimensão: um aspecto fundamental de continuidade com a revelação do Antigo Testamento, um aspecto de ruptura e um aspecto de cumprimento e superação. O mistério de Cristo está em continuidade de intenção com o culto sacrificial do Antigo Testamento; mas realizou-se de um modo muito diferente, que corresponde a muitos oráculos dos profetas, e alcançou assim uma perfeição nunca antes obtida. De facto, o Antigo Testamento está cheio de tensões entre os seus aspectos institucionais e os seus aspectos proféticos. O mistério pascal de Cristo está plenamente de acordo – embora de uma forma que era imprevisível – com as profecias e o aspecto prefigurativo das Escrituras; mas apresenta evidentes aspectos de descontinuidade relativamente às instituições do Antigo Testamento.

Como tal, como podemos vislumbrar a relação entre os que buscam e os que habitam (e já não a separação entre os que praticam e os que não praticam), se a postura pedagógico-pastoral não for de acompanhamento, discernimento e integração com base na obediência ao Evangelho de Jesus Cristo e não meramente a resíduos de uma tradição que não podem ficar meramente colados como copy-past à Tradição?

Na cura tanto da sogra de Simão como da do leproso, Jesus fez rutura com as tradições daquele tempo, quer à etiqueta de Rabi (em relação à mulher), quer à desobediência a uma lei (no que toca ao segregado impuro). Em todos os casos, a sua atitude curativa é de ir ao encontro (da mulher) e de deixar que se aproximem (o leproso). Toca-os e liberta-os da escravidão que os segrega e impede de servir livremente. Esta mudança de paradigma não é mero fundamento de uma nova religião; é, também, um códice que corresponde com a abertura do Reino. Ou seja: onde existe a ousadia de “furar” alguns esquemas, em vez que os manter por mero respeito a uma identidade institucional, então o Reino teima em aparecer.

Mais uma vez aqui se prova uma máxima que pode servir para um exame da consciência indiviudal e coletivo nas nossas comunidades: toda a instituição que esteja mais apta a defender a sua autosobrevivência do que a defesa e realização do bem das pessoas, poderá estar condenada à falência. Urge reconsiderar os seus princípios basilares.

[Oração] Do Dia Mundial do Doente:

Santa Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe,
ensinai-nos a acreditar, a esperar e a amar.
Jesus disse-vos na Cruz:
“Mulher, eis o teu filho”.
Com estas palavras abriu-se, para todos nós,
o vosso coração materno.
“Temos Mãe!”
Confortai-nos, Senhora nossa, com a vossa ternura,
e indicai-nos o caminho para o Reino.
Santa Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe,
somos filhos vossos!
Confiamo-nos ao vosso coração de Mãe
em todos os dias da nossa vida. Ámen.

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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