Publicado em Integração Psico-Espiritual, Lectio Humana-Divina

A sensatez é o azeite da fidelidade e o coração vigilante serve-lhe de almotolia

[Leitura] Os 2, 16b. 21-22; Mt 25,1-13

[Meditação] Teresa de Ávila descobriu a sétima morada, dentro do convento, que ajudou a reformar. Teresa Benedita da Cruz entrou definitivamente nessa morada saindo do convento para a câmara de gás. Não admira que o Papa João Paulo II a tenha proclamado Padroeira da Europa. É modelo naquele tríplice caminho de conversão intelectual, moral e religiosa proposto por Bernard Lonergan (Insight). De facto, o estudo da Filosofia, o contacto com os escritos de Teresa de Ávila e a entrada para o Carmelo refletem essas etapas da conversão cristã sem as quais não se consegue chegar àquela morada que se encontra no núcleo mais profundo do coração humano.

A partir da liturgia da Palavra de hoje podemos discernir o seguinte:

1 – A sensatez é a atitude de quem atua a conversão intelectual. Esta implica um o conhecimento da realidade como ela é e não como ela simplesmente nos é apresentada. Exige um espírito crítico permanente e a humildade para acolher a verdade. Edite Stein, ao ler o Livro da Vida terá exclamado «Aqui está a verdade!». E este encontro mudou toda a sua vida.

2 – A fidelidade é o resultado da conversão moral. Uma vez que se conhece a verdade, a vida prática só pode aproximar-se na coerência com esta, para que tenha autenticidade. Assim, o Catecismo e os Sacramentos permitiram à nossa Padroeira europeia crescer nesta coerência de vida.

3 – O coração vigilante é símbolo do espaço de entrega a um amor ultramundano que constitui a conversão religiosa, capaz de aceitar a totalidade de Deus em todos os limites com a confiança sem medida. O silêncio e a oração, assim como a ajuda aos outros e o seu sofrimento em Auschwitz, tanto quanto no Carmelo, permitem-nos contemplar em Teresa Benedita da Cruz a sublimidade daquela união com Cristo no seio da adversidade.

Afirmou o Papa Francisco na homilia da Santa Missa em Fátima, no dia 13 de maio de 2017; «Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz». Eis a tal morada! Por isso, para entrar no Reino com o Esposo, não basta a virgindade (as insensatas, não a alimentando, perderam-na!). Ser casto implica, em qualquer caminho de entrega vocacional, a cruz como “acróstico” da entrega a Deus e aos outros, muitas vezes no deserto que permite inaugurar a esponsalidade definitiva entre a justiça e a misericórdia.

[Oração] Sal 44

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu