As parábolas do Reino e a (des)igualdade de género

[Leitura] Ex 32, 15-24. 30-34; Mt 13, 31-35

[Meditação] É curioso que as duas pequeninas parábolas do Reino que Jesus nos apresentou nesta passagem do evangelho de segunda-feira – o grão de mostarda e o fermento – sejam postos aquele nas mãos do homem e este nas mãos da mulher. Sugere-nos que o papel do homem se caracteriza por uma certa simplicidade prática e o da mulher por uma notável expansividade fecunda.

Sabemos que a ideologia da igualdade de género nega uma antropologia de base cristã, ao ignorar o valor prático da natureza e o horizonte teocêntrico fecundo de salvação que é a criação e a redenção da humanidade.

Martin Seligman propõe 5 camadas do “eros”, entre as quais está, na 4ª camada o papel sexual (fazer/desenvolver esta ou aquela tarefa), depois da 1ª (identidade sexual: “sentir-se”), da 2ª (orientação sexual do “gostar de “), da 3ª (preferência sexual: “preferir este ou aquele caráter ou aparência”) e antes da 5ª (desempenho sexual: “comportar-se desta ou daquela maneira com o outro”).

Penso que em ambiente eclesial temos vinda a pactuar, antes que a uma sã distribuição de papéis, com uma notória confusão de papéis que homologa as personalidades, atitude muitas vezes confundida com a defesa da igualdade de dignidade entre os dois sexos. É claro que do fazer rápido se chega à preferência por isto ou por aquilo (de facto, as emoções são a “fábrica” dos sentimentos e por aí fora…).

Hoje é muito habitual, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, acontecer uma falta de cuidado ao utilizarmos postulados educacionais de certas ideologias omitindo aquilo que nos parece não cristão, esquecendo-nos de que esses mesmos postulados põe de lado aquele horizonte teocêntrico da vocação cristã (queixando-nos ingenuamente da falta de vocações ao sacerdócio ou à vida consagtrada).

Igualmente, é perniciosa a tendência de falarmos de mundividência cristã para adocicarmos a antropologia teológica (da palavra “Cristianismo”), ficando-nos por uma antropologia meramente egocêntrica (Nietzsche, Sartre, Heidegger) e, na melhor das hipóteses filantrópico-social (Marx, Garaudy, Marcuse, Bloch).

Portanto, muito cuidado com a confusão de papéis (no fazer) que leva à confusão de preferências sexuais (no preferir ou gostar de). Corremos o risco de confundir dignidade fundamental com a igualdade da identidade. As ideologias, sem uma base antropológica cristã, querem-nos impor o regresso do “andrógino” – o ser que prontamente se pode acomodar às modas de uma sociedade de consumo; incapaz de se abrir por si só, sem a tal diferença de géneros, ao seu horizonte último.

Como afirma Rino Fisichella, urge evangelizar as culturas, em vez de, meramente, andarmos a praticar a inculturação da fé, por causa das diferenças irreconciliáveis de horizonte que existem entre essas culturas e os valores do Reino de Deus. Na verdade, da fundição do “oiro” das culturas, por vezes, resulta um “bezerro” que, em vez de conduzir para o horizonte teocêntrico, dispersa dos valores que respeitam a verdadeira identidade que não exclui a diferença, mas a integra para o bem da própria Humanidade. Menos mal, que Deus no vai enviando o Anjo que nos inspira e nos corrige o caminho…

[Oração] Sal 105 (106)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo