Fazer-se simples, entre a humildade e a tolerância

[Leitura] Job 1, 6-22; Lc 9, 46-50

[Meditação] A humildade e a tolerância são as duas “mãos” nas quais podemos aventurar-nos a “balançar” para (re)aprendermos a simplicidade das crianças. Uma dessas “mãos”, a sinistra (ou esquerda), é-nos dada por Job, com a sua humildade a toda-a-prova diante das adversidades do mal; a outra “mão”, a dextra (ou direita) é nos oferecida por Jesus Cristo, com o convite a tolerarmos o bem desenvolvido na diferença ou na distância.

A vida “prega-nos” partidas, como se costuma dizer, e as regras parecem mudar a meio do jogo, como hoje de manhãzinha lamentava um defensor da exclusividade dos Táxis tradicionais frente ao aparecimento, agora, legalizado dos Uber. Ter ou não ter razões não é a questão; a questão é estar posto à prova da vida que muda de circunstâncias, onde nem tudo é objetivamente mal, nem tudo é objetivamente bem. Não é por acaso que o Papa Francisco nos convida, na vocação como na vida, a saber discernir nas áreas cinzentas, pois nem tudo é preto ou branco.

A cristalização da vida em regras rígidas, mesmo por parte de quem é aparentemente idóneo, faz cair em desvios. Foi por isso que Deus deixou que Satanás liderasse o processo dos pertences de Job, exceptuando a sua pessoa. Deus quer homens livres de tudo e de todos. O fechamento da missão em grupos exclusivos, mesmo que sejam aparentemente bem fundamentados, leva a sectarismos. Foi por isso que Jesus definiu sr o maior aquele que se faz pequeno aos olhos de todos, respeitando a missão de quem não é contra Ele, mesmo sendo diferente.

JOAN D. CHITTISTER, na sua aventura de vida transposta em livro, faz-nos contemplar como é possível, por vezes, sermos assinalados pela luta e transformados pela esperança (Segnati dalla lotta, trasformati dalla speranza, Ed. San Paolo 2006). Desde a sua experiência de sofrimento dentro da própria vinda consagrada, aparentemente injusto e proveniente de onde ou de quem não se esperava, esta autora mostra-nos como a luta pode tornar-se num viveiro de esperança. Para isso, propõe-nos uma paradigma da luta, ajudando-nos a ser como Job, a saber ser resilientes e a seguir a sequela proposta de Jesus, sem nos darmos ao luxo de sermos “zelotes de exclusivismos”.

[Oração] Sal 16 (17)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo