Publicado em Formação Sacerdotal, Lectio Humana-Divina, Oração

Com o Nascimento de Maria, o Amor prepara as entranhas da Salvação

[Leitura] Miq 5, 1-4a ou Rom 8, 28-30; Mt 1, 1-16. 18-23; LUMEN GENTIUM

[Meditação e Oração] No Capítulo VIII da Constituição Dogmática Lumen Gentium, que descreve o papel da «Bem-aventurada Maria Mãe de Deus no Mistério de Cristo e da Igreja», podemos encontrar as introduções aos cinco mistérios da Vida de Maria, que ainda antes dos Mistérios da Vida de Cristo (da Alegria, da Luz, da Dor e da Glória) poderíamos (sem a ousadia de os querer inaugurar) recitar os Mistérios da Esperança. Na verdade, na natividade de Maria, nasceu a verdadeira esperança da humanidade. Não é à toa que, na Igreja, a invocamos como Nossa Senhora da Esperança nas “entranhas” da Igreja em que se formam e geram os que servem no Ministério. De facto, toda a missão da Igreja, em que, à imitação de Maria, muitos se deixam amar e servem o Amor de Deus, através de uma vida de consagração, estendem essas “entranhas” do Espírito para que a Redenção possa culminar na Salvação de toda a humanidade. Sobretudo a pensar nos jovens que acolhem o Espírito do chamamento do Senhor para a possibilidade a virem a consagrar-Lhe a vida, partilham-se as seguintes meditações que podem iluminar a oração mariana de hoje:

1º Mistério: A Imaculada Conceição. Maria encontra-se já profeticamente delineada na promessa da vitória sobre a serpente, feita aos primeiros pais caídos no pecado. Ela é, igualmente, a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emmanuel. (LG 55) Ao passo que, na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição sem mancha nem ruga que lhe é própria, os fiéis ainda têm de trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade; e por isso levantam os olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos eleitos. A Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando-a à luz do Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo.  (LG 65) A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor. (LG 68)

2. Natividade. Unida a Ele [Cristo] por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predilecta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem a todas as demais criaturas do céu e da terra. (LG 53) O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para mãe, precedesse a encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida. É o que se verifica de modo sublime na Mãe de Jesus, dando à luz do mundo a própria Vida, que tudo renova. Deus adornou-a com dons dignos de uma tão grande missão; e, por isso, não é de admirar que os santos Padres chamem com frequência à Mãe de Deus «toda santa» e «imune de toda a mancha de pecado», visto que o próprio Espírito Santo a modelou e d’Ela fez uma nova criatura. (LG 56)

3. Anunciação. Efectivamente, a Virgem Maria, que na anunciação do Anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho; é, por isso, filha predilecta do Pai e templo do Espírito Santo, e, por este insigne dom da graça, leva vantagem á todas as demais criaturas do céu e da terra. (LG 53) Enriquecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como «cheia de graça»; e responde ao mensageiro celeste: «eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». (LG 56)

4. Apresentação. Com ela, excelsa Filha de Sião, passada a longa espera da promessa, se cumprem os tempos e se inaugura a nova economia da salvação, quando o Filho de Deus dela recebeu a natureza humana, para libertar o homem do pecado com os mistérios da Sua vida terrena. (LG 55) Quando O apresentou no templo ao Senhor, com a oferta dos pobres, ouviu Simeão profetizar que o Filho viria a ser sinal de contradição e que uma espada trespassaria o coração da mãe, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos. (LG 57) Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial. (…) Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude», e também melhor se cumpram os seus mandamentos. (LG 66)

5. Assunção. É a primeira entre os humildes e pobres do Senhor, que confiadamente esperam e recebem a salvação de Deus (LG 55), Aquela que na santa Igreja ocupa depois de Cristo o lugar mais elevado e também o mais próximo de nós (LG 54). Depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo. (LG 62) A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor. (LG 68) Dirijam todos os fiéis instantes súplicas à Mãe de Deus e mãe dos homens, para que Ela, que assistiu com suas orações aos começos da Igreja, também agora, exaltada sobre todos os anjos e bem-aventurados, interceda, junto de seu Filho, na comunhão de todos os santos, até que todos os povos, tanto os que ostentam o nome cristão, como os que ainda ignoram o Salvador, se reunam felizmente, em paz e harmonia, no único Povo de Deus, para glória da santíssima e indivisa Trindade. (LG 69)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu