Publicado em Formação Sacerdotal, Lectio Humana-Divina

O que não for encontro entre misericórdia e fidelidade é representatividade enganosa

[Leitura] Ez 43, 1-7a; Mt 23, 1-12

[Meditação] É curioso que, no Pontifical Romano, quando se acolhem os candidatos à formação presbiteral, na admissão às Ordens Sacras, o Bispo interroga os candidatos começando por dizer: «Filhos caríssimos: Os pastores e mestres encarregados da vossa formação…», etc. Se, na Eucaristia em que se insere este rito, calha a proclamar-se o texto evangélico de hoje, corremos o risco de ouvir a consciência dizer-nos o mesmo que Jesus diz dos que se sentam na cadeira de Moisés. É preciso um melhor texto para acolher aqueles que a Igreja quer formar, sabendo que o que se diz programa a vida, quando a vida se quer praticada em coerência com o que de bem se diz. Na verdade, os formadores não fazem de “mestres”, sendo que a sua humilde missão é a de, continuadamente, apontarem como referência de toda a formação o Mestre único e verdadeiro.

Já estou a ouvir alguns a dizer que essa palavra está em minúscula… Ok! Da minúscula à Maiúscula vai só um pedaço de vaidade que surge na esquina do processo formativo, lá onde é difícil de fazer o que o Mestre manda ensinar. E o que é mais fácil de acontecer é esconder na “batina” os pecados e mostrar só com palavras o que está escrito no Livro que todos têm como referência. Mas… responda-se à pergunta: a verdadeira Escritura não é a Palavra feita vida, como Jesus, Ele próprio, na sintonia do que disse e fez, é a Palavra feita carne?

A glória de Deus habita na terra, como diz o salmo, quando se encontram a misericórdia e a fidelidade. Para que haja frutos, Deus contribui com o que é bom, fazendo o que é justo. Somos chamados a responder com atitudes que promovam a paz iluminada pela sua justiça que é misericórdia. No meu humilde reparo, na Igreja, aquele encontro entre a misericórdia e a fidelidade já acontece entre as duas fontes dinâmicas entre si: a Sagrada Escritura e o Magistério Petrino. Para quê mais confusões? Para quê mais correntes? Pedro senta-se na cadeira que Jesus lhe deixou, que é uma forma de vida e uma Sua representação na autenticidade (e não um assento de veludo!), assim com os Presbíteros se deveriam sentar na cadeira do Bispo quando o substituem nalguma celebração (mais uma contradição dos cerimoniais nas sedes catedralícias). Quando algum poder humano se sobrepõe ao que Jesus disse, sobrepondo-o, há que perguntar à Palavra de Deus e ao Magistério autêntico. Tudo o resto não é só perda de tempo como, inclusivamente, atraso da salvação, onde a Igreja é chamada a ter o seu papel que não lhe será tirado como ouvinte da Palavra (parafraseando Lc 10, 42).

[Oração] Sal 84 (85)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu