Em marTa e marIa é mais o que as une do que aquilo que as separa


[Leitura] Gen 18, 1-10a; Col 1, 24-28; Lc 10, 38-42

[Meditação] Costuma-se dizer dos artistas que a execução das suas obras são 99% de Tarefa e 1% de Inspiração. Talvez se passe o mesmo com marTa e marIa, mas, observando as letras que compõem os seus nomes (que no mundo bíblico são como que “obras primas”), são mais as letras que as unem do que aquelas em que diferem. Isto quer dizer que, como “irmãs”, Tarefa e Inspiração têm a mesma dignidade e são complementares no projeto em que são desejadas.

Nas tarefas do mundo parece estar mais patente o trabalho que a inspiração, enquanto que o contrário parece constatar-se nos momentos de paragem para a escuta e a oração. O Livro do Génesis mostra-nos que com Abraão também foi assim, no encontro com aqueles três misteriosos viajantes: trabalhou quantitativamente mais ele para os acolher, enquanto que eles satisfizeram qualitativamente mais a sua vida, anunciando-lhe a promessa de um filho na velhice da sua mulher.

Não está mal que nos desdobremos em serviço quando nos apercebemos que nos bate à porta o Dom de Deus, como que por resposta a uma dependência pessoal do mesmo. Mas é melhor (embora mais infrequente) que nos deixemos inspirar por esse Dom para fugirmos um pouco dessa dependência que nos mantém fechados nas tarefas de casa, para partimos em missão para colaborarmos nos milagres que Deus quer realizar junto dos que ainda não têm ou não escolheram a melhor parte. Cada um de nós descubra os dons do Ressuscitado escondidos no próprio nome e aceite o desadio de partir, pela Compaixão, à aventura da partilha aos outros que nos apresentará completos a todos junto de Cristo.

[Oração] Sal 14 (15)

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo