Os Jovens, a Chuva e o Altar

C AscensãoEste fim de semana conteve várias e diferentes experiências de contacto com a chuva, desde no Fátima Jovem’16, a que vem do céu e que não pode ser controlada, porventura sujeita a impermeabilizações de diverso tipo (guarda-chuva, poncho…), à que teve como fonte as latas de cerveja que, já não sendo possível ingeri-las por completo (menos mal!), cumpriram a “tradição” académica dos nossos ambientes universitários. Talvez estes dois tipos de “chuva” representem dois tipos de olhar o sentido da vida e de colaborar para o seu prosseguimento feliz:

1. A “chuva vinda do céu” da experiência espiritual dos jovens que peregrinaram ao Fátima Jovem ou ainda estão a peregrinar para o 13 de maio, embora possa representar algum incómodo para quem caminha, não deixa desistir e de, no final, ouvir a resposta “Sim, gostei de tudo!”. Aqui o ser humano entra em diálogo com o horizonte em vista à descoberta de sentido para a vida. Esta “chuva” confere o Dom do Entendimento.

2. A “chuva fabricada na terra” cumpre a tradição do momento, mas duvido que represente alguma tradição de conferir sentido de realização pessoal a um horizonte mais largo, merecido por qualquer pessoa no arco da sua história. Não quer dizer que estes jovens académicos não o procurem, mas talvez não com tanta liberdade e para o horizonte requerido para dar sentido (talvez seja o diálogo com o horizonte a conferir sentido à existência e não o monólogo humano). Esta “chuva” “faz dançar ao tom” do entretenimento.

É pena que a comunicação social (paga) só faça “peça” do pior que se pode ver, escondendo o que há de melhor à volta das nossas universidades; exceptuando o caso das redes sociais (gratuitas), onde também proliferam casos de chuva espiritual mais felizes e promissores de vidas com sentido vocacional. Tudo tem a ver com o centro à volta do qual gira a busca de sentido: o Altar de onde Deus Se dá para o bem da humanidade ou uma política de interesses meramente humanos. Curiosamente, em Fátima, neste domingo da Ascensão do Senhor, foi dedicado, diante do mais de um milhar de jovens que ali se encontraram, o novo altar do recinto do Santuário. Foi um momento belo e significativo, a convidar os jovens para uma nova forma de buscar o sentido da vida como discípulos missionários, sob a proteção de Maria, a Mãe da Misericórdia. Podem não ser muitos, mas de qualidade e protegidos. Oxalá sejam “fermento na massa”!