Publicado em Integração Psico-Espiritual, Lectio Humana-Divina

Fé e afeto, dois grandes colaboradores na expansão do Evangelho da Paz

[Leitura] 2 Tim 1, 1-8 ou Tit 1, 1-5; Mc 3, 31-35 ou Lc 10, 1-9

[Meditação] São Paulo não “fazia sombra”, expressão que se utiliza para revelar o incómodo para quem sente o peso de uma grande personalidade a limitar ou controlar o que fazemos, com redução da nossa liberdade. Paulo não era assim, até porque, de facto, se considerava um “prisioneiro do Senhor”, não ignorando o seu “espinho cravado” que lhe impedia a vaidade, e gloriando-se somente nas suas fraquezas que lhe revelavam a força de Jesus Cristo.

Os dois textos propostos como alternativa para a primeira leitura de hoje mostram-nos, porque serem cartas pessoais dirigidas a Timóteo e Tito, antes mesmo de serem veículos de evangelização para nós, a relação de afeto e a unânime profissão da fé que existe entre o Apóstolo e os seus colaboradores. Como sabemos pela escrita do próprio, Paulo nunca acrescentou nada ao que os Evangelhos nos transmitem, o que prova que a evangelização não tem de ir à procura de outra novidade que não seja a da Boa Notícia de Jesus Cristo. O que a relação de Paulo com Timóteo e Tito nos revela é que o grande afeto transmitido e a mesma fé declarada são o grande veículo da transmissão do mesmo Evangelho. É este (e não há outro!) o novo e definitivo “sangue” que corre nas “veias” do ser cristão, o mesmo que corria em Maria e os discípulos que seguiram, desde o início, o Mestre.

Papa, Bispos, Presbíteros e Diáconos, Religiosos e Religiosas, Leigos Casados e Servidores sejam em que ministério for: não “fazemos sombra” a ninguém, porque, na lógica do Evangelho, o que serve é o que tem mais autoridade. Precisamos, sim, continuamente, de dar sempre mais importância à forma − o afeto − na transmissão da mesma fé e não andarmos tão preocupados em como redizer os conteúdos da mesma, pois o Espírito providenciará o que haveremos de dizer. Somos, por isso, convidados a cuidar do “veículo” na relação com os outros. Hoje, a Igreja é frequentemente advertida (e, talvez, com muita razão) de ser douta em doutrina, por um lado, e débil, por outro, na prática da proximidade e compreensão dos que estão no mundo. Parece-me o afeto ser mesmo prioritário à linguagem verbal, uma vez que existe, também, a linguagem dos gestos, da atitude e do olhar. Vamos, para isso, cuidar da ecologia da relação, como nos demonstra a prioridade que Paulo dava à mesma no trato para com os seus mais próximos colaboradores em Creta e Éfeso.

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Autor:

Padre da Diocese de Viseu