Publicado em Lectio Humana-Divina

O Verbo “esvazia-Se” num corpo para que o nosso barro se encha de humanidade nova

[Leitura] Is 52, 7-10; Hebr 1, 1-6; Jo 1, 1-18

[Meditação] Com o Seu nascimento, o Verbo de Deus humilha-Se para exaltar o homem. Desce à nossa humanidade para dar sentido à nossa história. Sem Se impor, pois como é que um Menino se impõe, senão pela sua dócil simplicidade? A liturgia do Dia de Natal convida-nos a contemplar o movimento descendente a que Deus Se sujeita em Jesus Cristo, para que a humanidade possa ascender Sua transcendência amorosa. Por isso, não há abismo de fragilidade que Jesus não conheça e não tenha experimentado (exceto o pecado), para ser capaz de nos salvar a partir do “chão” que pisamos e onde, por vezes, caímos. E como Ele chegou bem fundo, de lá irrompe com a Sua Luz que dissipa todas as trevas em que habitamos, descolando da nossa vida todos os medos e angústias, para que seja possível uma nova humanidade.

Na carta com que promulgou o Ano Santo da Misericórdia, a Misericordiae Vultus, o Papa Francisco escreveu:

Na « plenitude do tempo » (Gl 4, 4), quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor. Quem O vê, vê o Pai (cf. Jo 14, 9). Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.

Já na Encíclica Laudato Si’, no capítulo onde relaciona Educação e Espiritualidade Ecológicas (n. 235), declarou:

Segundo a experiência cristã, todas as criaturas do universo material encontram o seu verdadeiro sentido no Verbo encarnado, porque o Filho de Deus incorporou na sua pessoa parte do universo material, onde introduziu um gérmen de transformação definitiva: «O cristianismo não rejeita a matéria; pelo contrário, a corporeidade é valorizada plenamente no ato litúrgico, onde o corpo humano mostra sua íntima natureza de templo do Espírito Santo e chega a unir-se a Jesus Senhor, feito também Ele corpo para a salvação do mundo».

Estes pensamentos do Papa são suficientes, hoje, para reconhecermos no Verbo a luz da graça que nos permite crescer em humanidade. Como o nosso Bispo refletiu ontem, na Missa do Galo da Sé, não podemos continuar a adorar somente o Menino numa figura de barro; precisamos de ir mais além, contemplando-O nos mais pequeninos, nas crianças e nos pobres, dando lugar à vida e à partilha.

Que o Deus-conosco nos ajude a desenvolver uma ecologia integral na nossa vida, limpando, por dentro, todas as falsas omnipotências que não nos ajudam a reconhecê-Lo e, por fora, possamos contribuir para que haja um mundo mais justo e fraterno.

[Oração] Em: Novena de Natal 2015

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

Autor:

Padre da Diocese de Viseu