Comunidade sã em Templo são

FI[Leitura] 1 Cor 3, 9c-11. 16-17; Jo 2, 13-22

[Meditação] A Festa da Basílica de S. João de Latrão, igreja-sede do Bispo de Roma, faz-nos retomar a reflexão sobre os nossos corpos como templos do Espírito Santo que, através dos Seus dons divinos, somos chamados a cuidar como pedras vivas de uma construção para Deus, também visível nas casas onde o Povo de Deus se reúne. O relato do Evangelho coloca-nos o olhar sobre dois tipos de templos: o de Jerusalém numa ocasião má, em que não estava a ser usado para o que deveria, apesar de ter sido construído há muito tempo; o Corpo de Cristo, que é Templo perene, não construído por mãos humanas, na sua perfeita saúde, animado pelo Espírito de Deus, oferecendo-se para a prova. De “50 em 50 anos” a consciência histórica pode mostrar-nos ocasiões em que a saúde das nossas comunidades e dos templos em que elas se reúnem podem não estar bem colocadas no alicerce correto: aquele que dá sentido à sua existência e as faz eficientes na sua vivência e uso. Porquê? A influência de pessoas e instituições pode deslocar, por vezes, da verdadeira finalidade o uso dos templos como casas onde se reúne a comunidade crente. Também será por causa da formação da própria comunidade. O mesmo se passa com as modas que assediam os nossos corpos!A liturgia de hoje é uma chamada de atenção para voltar a “encarrilar” ao encontro do alicerce que é Jesus Cristo e só Ele. Da Palavra à Ação, por vezes, até a Evangelização se perde em folhetos, a Liturgia em alfaias e a Justiça em emblemas, como a Teologia, como mostra W. Kasper, tantes vezes se escreveu sem dar grande valor ao maior atributo de Deus: a Misericórdia. Pior, ainda, o comércio feito à volta dessas coisas… Onde está o zelo pela casa do Senhor, ao estilo da viúva que meteu o pouco que é tudo na arca do tesouro, suspeitando o Milagre?

Na formação sacerdotal, costuma-se dizer que o alicerce de toda a formação é a dimensão humana, com os valores que se consideram essenciais para se construir o “edifício” sacerdotal. No entanto, aquela depende da formação espiritual. Sem esta, bem posicionada ou alicerçada, um homem não serve para ser padre, por mais que seja rico de valores naturais. Estes devem estar assentes em Jesus Cristo através de valores espirituais inequívocos. É assim que o candidato ao sacerdócio aprende a preparar-se para a eventualidade de, quando lhe forem confiadas comunidades e templos, ser capaz de pôr de lado alguns respeitos humanos para pegar no “chicote” da verdade evangélica para reorientar algumas tradições que na história se cristalizam, em vez de ajudarem a desenvolver a verdadeira Tradição.

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