L 1: Ef 2, 12-22; Sl 84 (85), 9ab-10. 11-12. 13-14 Ev: Lc 12, 35-38
Toda a nossa vida terrena é um tempo de vigilância e não um tempo de adormecimento. No Evangelho, estes termos ganham um sentido muito para além da mera alternância entre o dormir e os estar acordados, duas necessidades naturalmente compatíveis. Vigiar é esperar no Senhor e adormecer é deixar que os interesses terrenos nos impeçam de vigiar na expetativa do Senhor que vai chegar. Portanto, duas atitudes evangelicamente incompatíveis.
Portanto, do ponto de vista da fé em Jesus, não é nenhum mal se vivêssemos sempre de dia, sinal da nova humanidade que Jesus veio fundar. Porém, enquanto houver guerras, a noite ainda teima em chamar ao adormecimento. Hoje celebram-se efemérides que podem bem servir de cingimento dos rins e de atenções acesas, como, por exemplo: o Dia Mundial de Combate ao Bullying, o Dia Mundial de Resolução de Conflitos.
A vigilância cristã não significa um mero abstermo-nos de impurezas, mas um questionamento sobre o que fazer com a pureza de que ousamos revestirmo-nos por meio de Cristo. É só isso que nos pode ajudar-a-ajudar a estabelecer a paz: é a ousadia de sermos todos homens novos em Cristo. A paz é a boa nova de Cristo. Já pensámos ou aceitámos a verdade de que todas as pessoas podem aceder a Deus através de Cristo, num só Espírito, como diz Paulo? Os que estão longe e os que estão perto! Porque é a Cruz do Senhor o ato de reconciliação de todos com Deus!
Portanto, vigilância é oração, como a que o Santo Padre nos pediu com o Rosário no mês de outubro pela paz entre os povos em conflito; é intervenção como os telefonemas do Santo Padre a Putin e a Zelensky, tentando encurtar as distâncias entre dois povos cujos conflitos parecem não ter fim. Então, vigiar implica sermos sentinelas entre o ser homem novo em Cristo e tudo o que atrapalha essa nova humanidade.
As palavras do Senhor no Evangelho podem ser lidas também num modo que não seja escatológico ou apocalíptico, mas missionário: há muitas pessoas que desesperam a Sua chegada através de missionários que se cinjam em Seu nome e os sirva, nas noites e madrugadas da dor e do sofrimento, realizando aquele encontro marcado entre quem é servido e quem serve, mediado por Cristo, que vem sempre ao nosso encontro neste tempo. Ter os rins cingidos e as lâmpadas acesas podem traduzir-se, respetivamente, em termos práticos para a missão, em prontidão e atenção. Quer dizer: uma propulsão constante para servir e um olhar sempre atento às situações da humanidade à nossa volta.
Peçamos ao Senhor que nos dê estas graças para sermos missionários, no nosso mundo, da nova humanidade com que Ele nos quer dar a sua paz.
