navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: Jb 1, 6-22; Sl 16 (17), 1. 2-3. 6-7 Ev: Lc 9, 46-50

O Evangelho de hoje mostra-nos o dever de consideração para com dois tipos de pessoas: (1) as crianças ou os pequeninos; e (2) os que servem em nome de Jesus, estejam em que quadrante religioso estiverem.

  1. A partir do exemplo das crianças, Jesus ensina aos seus discípulos a humildade.
  2. Dizendo aos seus discípulos que não devem proibir seja quem for de expulsar demónios em Seu nome, está a ensinar-lhes que na Paixão sofrerá e dará a vida por todos.

A grande lição que está patente neste Evangelho é a necessidade de os discípulos deixarem de estar fechados sobre si próprios e de aprenderem o acolhimento para com os outros.

Na sua visita à França, a caminho da Eucaristia na Place de la Concorde, o Papa Leão XIV saudou muitas crianças. Mas houve o encontro com uma criança portadora de deficiência (a pequenino Marie-Garance) que parou e comoveu especialmente a todos. No caminho para aquela celebração anunciou com gestos o que iria proclamar com a Palavra: “cada vida é importante”. O Papa criticou abertamente posturas de exclusão e leis contra a vida, mascaradas de “falsa compaixão”. Em sintonia com o seu magistério sobre a infância, o Pontífice relembrou a importância de a sociedade recuperar um “coração de criança” — livre de preconceitos, cheio de confiança e capaz de reconhecer a dignidade nos mais vulneráveis. No encontro com os jovens apontou o amor como única arma de construção, para curar as feridas da sociedade e a procurar a verdadeira liberdade na relação viva com Deus.

Esta viagem papal serve de contraditório a duas situações vividas em França:

  1. O choque social: enquanto centenas de milhares celebravam o Papa nas ruas, sobreviventes de abusos manifestaram ceticismo e descontentamento face à lentidão das ações da Igreja. Por isso é que em Lourdes o Santo Padre se encontrou à porta fechada com vítimas de abusos, cobrando aos bispos franceses “coragem, audácia e criatividade” para lidar com o problema.
  2. Tensões Políticas e Diplomáticas com Emmanuel Macron. A mensagem do Papa sobre a pureza, a rejeição da cultura do descarte e o foco estrito na missão pastoral chocou diretamente com as expectativas e as pressões do governo francês. O Vaticano também não possibilitou nenhum encontro privado com o governo francês, focando a viagem papal na vertente estritamente pastoral. O Papa aproveitou o palco francês para criticar de forma velada ou direta as pautas legislativas contemporâneas de França, como as discussões em torno do suicídio assistido e o avanço desmedido da Inteligência Artificial, alertando no Palácio do Eliseu sobre o risco de “perdermos a nossa humanidade num paraíso de máquinas”.