navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: Ez 34, 1-11; Sl 22 (23), 1-3a. 3b-4. 5. 6 Ev: Mt 20, 1-16a

Nem sempre o nosso olhar consegue ver o ser bondoso de Deus como Ele é. Frequentemente O vemos como nós somos e como nós somos capazes de calcular a sua justiça. Mas a justiça de Deus não cabe em cálculos humanos. Na vida terrena, tudo é dom da bondade infinita de Deus. E aquilo que nos parece descabido, à primeira vista humana, com os olhos de Deus ganha uma profundidade e uma proporção que não sabemos de todo avaliar.

Para que o nosso olhar possa ser puro no confronto com a bondade divina, teremos de aprender a aceitar os desígnios de Deus não pela mera compreensão (que é impossível) das suas ações, mas a partir da aceitação, com o coração, dos sinais com que Ele Se manifesta como ator na nossa história. (Seria interessante aqui aprender com Tomás Hálik a diferença entre a linguagem de Deus que são os “sinais dos tempos” e a linguagem deste mundo que é o “mundanismo espiritual”. Com a linguagem do mundo nunca conseguiremos atingir os desígnios de Deus; só com a linguagem de Deus que está consignada nos sinais que Ele usa para se comunicar com a himanidade).

As mães, que costumam quase sempre ter o coração nas mãos por cada um dos seus filhos, sabem olhar para cada um com olhar particular e no confronto para com o seu bem-estar e felicidade. Assim vejo, também, a forma como Deus trabalha no que toca à felicidade dos seus filhos: Ele vê a situação de cada um, a hora de cada um, as capacidades de cada um, os limites de cada pessoa no confronto com o bem do Reino que é para todos.

Aquele denário é como «a luz de Cristo que ilumina todo o homem que vem a este mundo» (Jo 1,9). A história dos santos e místicos mostra-nos que ainda que o ser humano possa dizer que não a Deus, Deus nunca pode dizer que não ao homem, pois «em Jesus há só sim» (2Cor 1,19), da mesma forma que um pai ou uma mãe sofre, independentemente dos erros dos filhos e do que cada um pode fazer, e não lhes vira a cara. Nós podemos enganar-nos, mas Deus não se pode enganar.

Então, para termos um olhar puro no confronto para com as ações de Deus, aceitemos olhar cada pessoa na sua situação particular. É o que Deus faz. E se o saber nos convoca para os valores, entendamo-los como pontos de chegada e de partida numa história que se faz de eras, épocas, anos, meses, dias, horas, enfim, instantes, onde Deus pode fazer muito mais (o infinito) do que faríamos num tempo in(de)terminável.