navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: 2Rs 19, 9b-11. 14-21. 31-35a. 36; Sl 47 (48), 2-3a. 3b-4. 10-11; Ev: Mt 7, 6. 12-14

Hoje, Jesus traz-nos três ensinamentos de capital importância:

  1. O primeiro é da dimensão do crer: que não desperdicemos os ensinamentos da fé com quem não os pode receber ou os recebe de maneira a ridicularizar as verdades em que cremos. Muitas perseguições seriam evitadas se não desbaratássemos o tesouro da fé.
  2. O segundo é da dimensão do querer: não se pode viver a fé com indiferença às necessidades dos outros. A equidade é uma regra de oiro da boa conduta cristã. Muitos desesperos seriam evitados se estivéssemos urgentemente atentos às necessidades dos outros.
  3. O terceiro é da dimensão do aceitar: os limites da porta que leva à salvação, feitos daqueles “nãos” e “sins” com que se tecem, na vida prática, o recado da fé e a equidade sócio-caritativa. Também foi por esta porta que o Senhor nos salvou e é pela mesma que cooperamos com a salvação que nos oferece.

A graça a bom preço é o inimigo mortal da nossa Igreja. Nós hoje lutamos pela graça a caro preço. […] Graça a bom preço é anúncio do perdão sem arrependimento, é batismo sem disciplina de comunidade, é Santa Ceia sem confissão dos pecados, é absolvição sem confissão pessoal. Graça a bom preço é graça sem que se siga Cristo, graça sem cruz, graça sem o Cristo vivo, incarnado. Graça a caro preço é o tesouro escondido no campo, por amor do qual o homem vai e vende tudo aquilo que tem, com alegria; a pérola preciosa, por cuja aquisição o comerciante dá todos os seus bens; o Senhorio de Cristo, pelo qual o homem tira o olho que o escandaliza; o chamamento de Jesus Cristo que impulsiona o discípulo a deixar as suas redes e a segui-Lo. Graça a caro preço é o Evangelho que se deve procurar de novo, o dom que se deve de novo pedir, a porta à qual se deve sempre de novo bater. É a caro preço porque nos chama a seguir, é graça, porque chama a seguir Jesus Cristo; é a caro preço, porque o homem a conquista pelo preço da própria vida, é graça porque precisamente deste modo Lhe doa a vida; é cara porque condena o pecado, é graça porque justifica o pecador. A graça é a caro preço sobretudo porque custou muito a Deus; a Deus custou a vida do próprio Filho muito amado […]. É sobretudo graça, porque Deus não considerou demasiado caro o seu Filho para resgatar a nossa vida, mas entregou-O por nós. Graça cara é a incarnação de Deus.

─ D. BONHOEFFER, Sequela, Brescia 1975, 21-23.

Fonte: https://setemargens.com/