Hoje em dia, a constatar pelos utilizadores da comunidade “Waze” (passe a publicidade a esta app de GPS), muitos condutores não abdicam da sua capacidade de notificar com antecipação os radares fixos e de velocidade média. Vejo alguma analogia entre os Anjos e as notificações do “Waze”:
- O Anjo como guia e alerta de perigo. O livro do Êxodo é um “radar da Lei”. O anjo enviado por Deus é um guia de navegação estrito. Ele diz: “Vou enviar um Anjo à tua frente… respeita a sua presença e escuta a sua voz”. Há uma penalização clara para quem sai da rota ou desobedece (“Ele não perdoaria as vossas transgressões”). É quase como o aviso de um radar fixo ou de velocidade média: a lei está lá, o aviso foi dado, e se ultrapassares o limite, há uma consequência direta.
- Em São Lucas (O Alerta de Impacto), o Anjo do Senhor aparece para mudar o rumo da história, quebrando a rotina dos pastores com um flash de luz (o que inicialmente causa medo, tal como ver um carro de polícia na berma). Mas o aviso aqui é de salvação e redirecionamento de rota: “Não temais…nasceu-vos um Salvador”.
- A “a “multidão do exército celeste” que se junta ao Anjo fazem-me pensar nos colaboradores do “Waze” como uma rede de “mensageiros”. Um condutor vê o perigo (ou o radar), reporta na app, e imediatamente lança um aviso para toda a comunidade atrás dele: “Atenção, via da direita cortada” ou “Troço de estrada em obras” ou “Aproximação de lombas”. É a partilha de informação para que os outros tenham “paz na estrada”. A busca pela omnisciência: queremos saber o que está “à nossa frente” (como no Êxodo) antes de lá chegarmos. A tecnologia deu-nos a capacidade de ver além da curva.
- Seja a nível da ajuda tecnológica, seja a nível espiritual, o ser humano crente sente o desejo de ter Alguém ou Algo que veja mais à nossa frente, e seja como um farol a iluminar o caminho, a avisar dos perigos e a garantir que chegamos a salvo ao nosso destino. Este destino promete ser sempre um bom encontro com Deus. Jesus costumava mandar os seus discípulos em missão à sua frente, prometendo-lhes encontrar-Se com eles aonde e quando chegassem.
- Portanto, enquanto que as leituras do Antigo Testamento nos ajudam a ver a missão dos Anjos como “seguranças de estrada” ou “barreiras de segurança” que nos ajudam a vigiar se estamos a fazer tudo o que convém para navegarmos seguros e não sairmos da estrada ou não cairmos num precipício (missão profética de denúncia), o Evangelho mostra-nos os Anjos a anunciar aos pobres pastores a alegria do encontro que os espera (missão profética de anúncio).
- A profecia de Daniel mostra-nos como, por vezes, por “detrás do pano” da programação e vivência do nosso itinerário de vida e vocacional, acontece um combate invisível semelhante, continuando a aproveitar a metáfora, ao confronto entre milhões de pacotes de dados que permitem que as informações provenientes de acidentes, estradas cortadas, tráfego pesado cheguem “limpas” aos nossos ecrãs para podermos ver com clareza as condições que nos podem ajudar a percorrer bem o caminho. Conforme os GPS precisam de “miguéis” digitais para que tudo funcione na estrada; a nível humano e espiritual precisamos de Anjos “High-Tech”, protetores e orientadores que nos ajudem a saber resistir aos inimigos no meio das adversidades.
- “O Anjo de Portugal não guarda fronteiras, guarda a nossa fidelidade à missão. Ligado ao encontro de culturas, Portugal é chamado a ser plataforma de diálogo, para que a paz chegue a todas as pessoas. Senhor, faz de mim um artesão da paz que os anjos cantaram naquela noite feliz.” (Alimento diário: laboratoriodafe.pt)

mas permitem-lhe tornar-se fecunda. (Luigi Maria Epicoco)
