L 1: At 18, 9-18; Sl 46 (47), 2-3. 4-5. 6-7; Ev: Jo 16, 20-23a
No Evangelho de hoje sente-se o tom da partida eminente de Jesus. Jesus ensina os seus discípulos a saber distinguir a alegria pascal da alegria do mundo. Esta será mero contentamento, euforia circunstancial, prazer ou satisfação; enquanto que a alegria verdadeiramente cristã é permanente e sobrenatural, porque é fruto da ressurreição de Jesus. Pode traduzir-se por júbilo, consolação espiritual ou bem-aventurança.
A alegria que Jesus promete aos seus prepara-se na esperança e alimenta-se com a confiança. Aliás, a alegria que é fruto da ressurreição é proporcional à confiança em Jesus. Quem faz muitas perguntas a este respeito corre o risco de se distrair da luz que é oferecida pela graça pascal.
A metáfora eloquente da mulher que está para dar à luz, entre a angústia e a alegria inquestionável, serve para elucidar os discípulos sobre a mesma experiência entre a paixão de Jesus e as aparições como ressuscitado. A Igreja transporta e celebra esta boa nova desde aquele grande Dia da ressurreição de Jesus e fê-la chegar até nós.
Por isso, o tempo em que vivemos é um tempo da gestação dos valores que nos permitem experimentar aquela alegria, e não um tempo para nos perdermos à procura do contentamento efémero. É a persistência de Paulo em acolher e praticar o mandato de Cristo em falar àquele povo numeroso de Corinto que levará este povo a confiar na Palavra de Deus. Não com orgulho, mas com humildade.
Hoje, a Igreja vive tempos parecidos com aqueles que Paulo viveu, de polarizações e conflitos de poder que redundam em abusos, que são sempre substituições do próprio Deus e dos outros, no desrespeito para com a consciência de cada um. Não foi à toa que a evangelização da Europa, conforme temos vindo a contemplar na leitura dos Atos dos Apóstolos, teve início nas suas margens. Por vezes, é ali que se descobre como é que Deus quer que Lhe prestemos culto e com base em que Lei quer que vivamos a sua justiça.
Uma prova de que a Igreja continua a levar a peito as palavras de Jesus é que «num mundo assolado por conflitos, os cristãos testemunhem a unidade». São as palavras do Papa Leão XIV ao Papa da Igreja Copta por ocasião do Dia da Amizade Copta-Católica, instituído em 2013 para celebrar as relações entre a Sé de Pedro e a Sé de Marcos. Durante a conversa, “foi expressa a consciência da responsabilidade partilhada pelo anúncio do Evangelho e pela promoção da paz e da reconciliação”. Na carta, o Pontífice encorajou os coptas e os católicos a prosseguirem a sua peregrinação na verdade e na caridade “rumo à plena comunhão”.
Por vezes, os questionamentos acerca da verdade podem obnubilar a confiança naquele que é, Ele próprio, Caminho, Verdade e Vida. Testemunhar a bondade de Deus para com a humanidade é algo que só é possível com a unidade entre os cristãos. Porque no dia prometido por Jesus, quando a luz for total, todas as divisões serão superadas.
Hoje comemora-se o Dia Internacional da Família. É uma ocasião para percebermos e rezarmos a família como um ambiente de relações que nos ajudam a aprender o sentido das palavras de Jesus na prática. O “parto” difícil do futuro de cada pessoa, com a família é muito mais promissor e feliz. E as comunidades, sem a consideração destas células base da sociedade, não conseguiriam da mesma forma transmitir a alegria prometida por Jesus. Portanto, dêmos graças a Deus pelas nossas famílias.
