L 1: At 8, 5-8. 14-17; Sl 65 (66), 1-3a. 4-5. 6-7a. 16 e 20 ou At 1, 12-14; Sl 26 (27), 1. 4. 7-8a L 2: 1Pd 3, 15-18; Ev: Jo 14, 15-21, início da Semana da Vida
Neste VI Domingo da Páscoa continuamos a escutar o discurso de despedida de Jesus na Última Ceia. O Mestre prepara os seus discípulos para o tempo em que já não O verão com os olhos da carne, mas encontrá-l’O-ão de modo novo, no Espírito. Este Espírito Santo é o Amor do Pai e do Filho, transbordado sobre nós, para nos guiar, consolar, defender diante da nossa fragilidade humana. No evangelho deste VI domingo da páscoa, Jesus revelou-nos a condição para O podermos amar e para sermos amados pelo Pai: guardar os seus mandamentos. Fui ao dicionário de língua portuguesa pesquisar o termo “guardar” e descobri uma variedade de significados que têm que ver com a amplitude ao amor, assim como é vivida por Cristo em relação à humanidade. Vejamos a lista de termos ou expressões:
1. estar de guarda a; vigiar para defender ou proteger; 2. colocar no local devido; arrumar; 3. conservar; preservar; 4. reservar; 5. encobrir; ocultar; 6. cumprir; acatar; respeitar; 7. pastorear (gado); 8. manter (distância); 9. alimentar (um sentimento) / verbo pronominal 1. defender-se; acautelar-se; 2. abster-se; evitar; 3. reservar-se.
Portanto, “guardar” é muita coisa, como amar implica uma série de atitudes. Não é uma coisa simples, mas complexa, mas que tem um objetivo: “estar em” para não ser órfão. Com a abertura ao amor de Deus ninguém será realmente órfão! Implica, certamente, uma descoberta e uma resposta esclarecida e concreta.
Iniciamos, neste domingo, a vivência da Semana da Vida, com o tema “Bem-aventurados os que Protegem a Vida ─ Em cada vida, um dom; em cada gesto, a paz”. O assistente nacional do Departamento Nacional da Pastoral da Família, convoca-nos para a vivência desta semana com estas palavras:
Celebrarmos a Semana da Vida é uma oportunidade de refletirmos sobre o sentido da vida à luz de Cristo ressuscitado. Do túmulo vazio irrompe uma “explosão” de vida nova que nos convida a mergulharmos na beleza e na novidade que a vida nos proporciona. Quem se deixa tocar por este mistério vive permanentemente na atitude de proteger a vida, porque a tem como dom. E como tal cuida da sua vida e da vida do seu próximo. A vida não é apenas uma sucessão de dias ou de anos, a vida é tempo de graça, é o acontecer da ação de Deus em nós, nunca é projeto concluído, mas antes, projeto a fazer-se em cada momento. É um não contentar-se com o que é, mas o desejo de ser mais. A vida é caminho de bem-aventuranças. Só vivendo nesta atitude poderá experimentar as bem-aventuranças, ao jeito de Jesus. Neste tempo em que a vida é tão desvalorizada e tão pouco respeitada, diremos que a Semana da Vida surge como um grito a todas a situações que vão acontecendo à nossa volta em todas as fases da vida: o aborto, as guerras que se encontram disseminadas por toda a parte, a violência doméstica, a falta de amor para com as crianças, a violência nas escolas, o abandono dos idosos, são verdadeiramente pecados contra a vida. É urgente mudar de rumo. Para isso, é preciso construir em vez de destruir, é preciso unir em vez de dividir, é preciso aprender a compaixão, é urgente aprender a arte de amar. Só no amor se realiza e experimenta as bem-aventuranças e por isso capazes de proteger a vida, de cuidar da vida de olhar a vida como um bem. Só no amor se acolhe cada vida como um dom, e não como um bem a ser manipulado. A vida é um bem inviolável. Só no amor é possível a paz. Cada gesto, cada palavra, cada olhar, é rosto de paz. Um coração pacificado é lugar de paz, é fonte de vida, vida feita dom, por isso vida feita de serviço ao próximo. Vivamos a Semana da Vida como um retomar de um novo rumo no qual todos somos convidados a fazermos da vida uma verdadeira bem-aventurança.
Uma forma concreta de protegermos a vida, a longo prazo é a aposta na iniciação cristã, conforme nos é descrita pela primeira leitura: o catequista Filipe foi fazer o primeiro anúncio e batizar; Pedro e João foram confirmar os irmãos na fé, com o Crisma. É uma boa iniciação que nos poderá ajudar a ter como vemos na segunda leitura, uma “boa consciência” que é fruto de adorarmos Cristo Senhor nos nossos corações, a razão da nossa esperança, que nos permitirá, depois, padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal.
