navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: At 13, 13-25; Sl 88 (89), 2-3. 21-22. 25 e 27; Ev: Jo 13, 16-20. Os itálicos são as admonições em liturgia.pt.

Quando, há uns anos atrás, levei os seminaristas do 5º e 6º anos ao Mosteiro de Singeverga, ao encontro do Frei Luís Aranha, para aprender o que é a hospitalidade, o que ouvimos foi o que Jesus expressa, hoje, no Evangelho: “acolher uma pessoa, seja ela quem for, na nossa hospedaria, é acolher o próprio Cristo”.

A partir deste dia, a segunda leitura é tirada do discurso de Jesus na última Ceia. Hoje, Jesus faz o comentário ao gesto que acabou de praticar, o de lavar os pés aos Apóstolos, como foi lido na Missa da Ceia do Senhor, em Quinta-feira Santa. Foi uma lição de serviço. Deste modo, Jesus manifesta que a missão do Mestre é servir e não ser servido, missão que os seus discípulos hão de imitar. O maior de todos os seus serviços foi o de dar a vida pelos homens. A missão do cristão, nasce, pois, da humildade e do amor vividos no quotidiano.

Razão tem Thomás Hálik em dizer que a verdadeira linguagem para descrever, hoje, as pessoas em matéria de fé é: os que habitam e os que procuram. Os que habitam são os que se deixam lavar; os que procuram são objeto de missão para os que habitam. A mensagem que eles transportam são a luz, o próprio Jesus, que, ao ser acolhido no coração dos que O anunciam, poderá ser acolhido pelos destinatários que escutam o seu anúncio.

Da ilha de Chipre, pátria de Barnabé, Paulo e os companheiros passam ao continente, à Turquia atual, e prosseguem a sua viagem missionária. Em cada povoação onde chegam vão à sinagoga ao sábado, tomam parte no culto e anunciam Jesus aos Judeus, antes de o fazerem a todos os demais. Paulo mostra que Jesus é o descendente de David, prometido e esperado, e que assim o Antigo Testamento vem a florir e a dar o seu fruto no Novo Testamento.

Na cena do Evangelho e na experiência de Paulo e os seus companheiros hoje relatada, inaugura-se o que a Igreja preconiza ser a fusão entre culto e ética. Explico-o com as palavras de Bento XVI, na Encíclica Deus caritas est (n. 14): No próprio “culto”, na comunhão eucarística, está contido o ser amado e o amar, por sua vez, os outros. Uma Eucaristia que não se traduza em amor concretamente vivido, é em si mesma fragmentária. (…) O “mandamento” do amor só se torna possível porque não é mera exigência: o amor pode ser «mandado», porque antes nos é dado». Portanto, já o Doutor Miranda nos dizia em Doutrina Social da Igreja, que não pode haver ética sem culto e não pode haver culto sem ética. Como não pode haver cristãos sem serviço, nem (melhor) serviço sem a fé em Jesus Cristo.