navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: At 11, 1-18; Sl 41 (42), 2-3: 42, 3. 4 Ev: Jo 10, 11-18

No Evangelho proclamado no Domingo do Bom Pastor (Jo 10, 14) aparecem em contraste o pastor e o ladrão e salteador. O pastor entra pela porta e o ladrão/salteador entra por outro lado. O pastor leva as suas ovelhas a pastagens verdejantes, enquanto que o ladrão vem para roubar, matar e destruir.

No Evangelho proposto como complemento para hoje (Jo 10, 11-18) entram em confronto três figuras na relação com as ovelhas: o pastor, o mercenário e o lobo. E os fatores que os diferenciam são: a pertença, o conhecimento, a relação de doação e a amplitude dessa relação. Entre o pastor e o mercenário, as atitudes são diferentes, porque são diferentes o tipo de pertença, de conhecimento, de relação e de amplitude.

A expressão de Jesus «Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil e preciso de as reunir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor» faz-me reler a notícia de que o «Papa recebeu arcebispa de Cantuária, e destacou importância do ecumenismo para a paz», acontecimento em que o Papa Leão XIV afirma que “Enquanto o nosso mundo sofredor tem profunda necessidade da paz de Cristo, as divisões entre os cristãos enfraquecem a nossa capacidade de sermos portadores eficazes dessa paz” e “Não devemos permitir que esses desafios constantes nos impeçam de aproveitar toda ocasião possível para proclamar juntos Cristo ao mundo” e ainda “De minha parte, acrescento que seria um escândalo também se não continuássemos a trabalhar para superar as nossas diferenças, por mais insuperáveis que possam parecer”.

Por mais difícil que possa parecer o caminho ecuménico e ainda que se observem muitas dificuldades no seio das próprias confissões de fé, nada nos pode impedir de anunciar que “toda vida humana tem um valor infinito, porque somos filhos preciosos de Deus; que a família humana é chamada a viver como irmãos e irmãs; que devemos, portanto, trabalhar juntos pelo bem comum, construindo sempre pontes, nunca muros; que os mais pobres entre nós estão mais próximos do coração de Deus; e que as forças da morte são vencidas pela vida ressuscitada de Cristo”, exemplificou Sarah Mullally, sobre “a visão de Jesus Cristo”, que é a que devem “fixar o olhar” nos próximos anos.

Hoje rezo pela Igreja, para que seja de portas abertas, não se tendo medo de que entrem lobos, mas que se enfrentem as dificuldades com os olhos fixados em Jesus Cristo, e aprendamos a ver os horizontes largos do plano de Deus. Peço para que aprendamos como Pedro a «não chamar impuro ao que Deus purificou» e que em vez de muros, tenhamos sempre as portas do coração abertas à escuta e diálogo entre irmãos, fatores ultranecessários para a paz. Oremos, irmãos.