L 1: Is 65, 17-21; Sl 29 (30), 2 e 4. 5-6. 11-12a e 13b; Ev: Jo 4, 43-54. O itálico refere-se à admonição do dia em liturgia.pt.
Ontem, na proclamação do Evangelho, encontrámo-nos com os pais do que tinha sido cego de nascença, aos quais os fariseus perguntaram se era seu filho e que lhes responderam, por medo de serem expulsos da sinagoga, que era seu filho, mas que era adulto para responder por ele mesmo, sublinhando não saber como é e por quem tinha ficado curado.
Hoje, encontramo-nos com um funcionário real que não tem nada a dever aos judeus e não tem medo de pedir a Jesus a cura do seu filho que sofre de uma doença grave. A situação deste funcionário difere da daqueles pais que, por medo, não querem ver nenhum sinal que os leve a acreditar no Messias (era esta causa de ameaça que os fariseus faziam, proibindo de estar na sinagoga).
Ontem falei de 4 tipos de cegueira que contrastam com a adesão ou visão progressiva que é manifestada na pessoa do funcionário. Ao invés, trata-se da perda de visão progressiva:
- A casuística dos discípulos que procrastina a missão;
- A superficialidade dos vizinhos que impede de ver a pessoa em profundidade;
- O dogmatismo legalista dos fariseus que inverte a hierarquia de valores entre o sábado e a cura de um doente;
- O medo dos pais que impede de amar como Jesus ama, por respeitos humanos.
Há aqui um nítido caminho de regressão que é contrário ao caminho batismal aberto por Jesus na Igreja, que é caminho de iluminação. A atitude do funcionário real faz-nos vislumbrar um caminho de progresso com os seguintes passos, que podem sugerir um certo catecumenado: Ouvir dizer > Ir ter com > Pedir a cura > Insistir > Acreditar pessoal na Palavra > Pôr-se a caminho > Verificar o sinal > Acreditar comunitário no Sinal.
Jesus é a fonte da vida e revelou-o com sinais. Ele é o Verbo por Quem tudo foi feito e, agora, tudo pode ser refeito na nova criação. No entanto, para que os sinais sejam verdadeiramente vistos, Jesus pede um caminho que tem de começar com uma adesão a Ele e à sua Palavra, caminho que levará à confirmação do que Ele disse. Ao centurião disse «Se não virdes sinais e prodígios, não acreditareis». E, depois da insistência daquele pai, Jesus envia-o: «Vai, que o teu filho vive». Este foi o mesmo processo vivido por Maria entre a anunciação e a visitação: escutou > acreditou > foi ver.
A longevidade é um dos aspetos da profecia de Isaías, um dos sinais de que a bênção de Deus paira sobre aqueles que O temem. Encontrei uma notícia que afirma que o segredo da longevidade é preparar o envelhecimento desde cedo. Os desafios apontados incluíam: pensar na vida de uma forma global, as pessoas conviverem fora de casa, ter autonomia, capacidade de decisão e de fazer o que nos dá prazer e nos deixa felizes, o papel fundamental das autarquias e as organizações de economia social, e uma visão de política pública e fiscal mais audaz e assumir, de uma vez por todas, que a longevidade é um cluster económico. Esta notícia vê a longevidade pela economia do bem-estar ou como gerir jovens e seniores sem dor, descobrindo-se que a legislação empresarial é insuficiente para responder a uma sociedade em que há muitos idosos e há uma baixa de natalidade.
Nestas notícias, nitidamente, vemos o cruzamento entre os sinais dos tempos, que constituem a linguagem de Deus, e o espírito do mundo, que são a linguagem do mundo (cf. Thomas Hálik, em O sonho de uma nova manhã). O bem-estar é um sinal que a sociedade quer ver rapidamente resolvido. No entanto, a perspetiva pascal que a partir de hoje a liturgia nos começa a propor com mais força precisa de ser mais conteúdo de evangelização.A Páscoa de Jesus é a nova criação, a passagem a “novos céus e nova terra”, onde os mais ambiciosos desejos humanos encontrarão a sua realização, se eles forem segundo a vontade de Deus, que tem alegria no seu povo renovado. E o salmo, que será de novo cantado na Vigília pascal, desde já dá graças pela libertação da morte. Assim, a Quaresma orienta-se claramente para a Ressurreição.
As atitudes que podem resolver as cegueiras acima e ajudar a caminho no caminho batismal ou de iluminação quaresma-páscoa seriam:
1) Viver em espírito missionário, sem procurar a resposta a todos os porquês.
2) Procurar a realidade como ela é com honestidade.
3) Colocar o bem das pessoas à frente das meras leis humanas (com a Lei de Deus já tem somente essa finalidade).
4)Viver o mandamento do amor, como Jesus o apresenta, sem medo.
Hoje, peço para que a Igreja encontre entre os povos novas formas atualizadas de primeiro anúncio e de (re)evangelização, para que o bem-estar essencial chegue a todos ou seja inclusivo e os projetos de economia social não criem novas formas de pobreza e de distanciamento entre os mais novos e os mais velhos. Oremos, irmãos.
