L 1 Is 53, 10-11; Sl 32 (33), 4-5. 18-19. 20 e 22 L 2 Heb 4, 14-16 Ev Mc 10, 35-45 ou Mc 10, 42-45, no XXIX DOmingo do Tempo Comum (B) | Dia Mundial das Missões: pode dizer-se a Missa “Pela evangelização dos povos” – (Missal Romano p. 1294)
Escolher seguir Jesus Cristo acarreta toda uma “cascata” de consequências que estão inscritas na lógica do amor de Deus libertador, diferente da lógica humana que se perde em escravizações momentâneas que atrasam o processo do crescimento em plenitude. Jesus veio salvar-nos de nós mesmos, no que toca aos resquícios da mania da nossa omnipotência infantil que é sempre umbilical, para nos fazer voltar para a omnipotência divina que é sempre uma benevolência altruísta. Deus ama sempre sem condições; o ser humano, depende para que lado está voltado.
Nos últimos domingos, o Senhor ensinou-nos que há uma hierarquia de valores complementares, tais como, por exemplo: primeiro as pessoas, depois as leis; primeiro as pessoas dos pobres, depois os bens materiais, etc. Devendo estar as segundas realidades em favor ou ao serviço das primeiras. Na liturgia de hoje, o Senhor não dá lugar a antes nem depois, mas a uma alternativa exclusiva: o poder ou o serviço, tal como o Deus verdadeiro ou o deus-dinheiro.
Jesus assume em Si o Servo de Deus sofredor, como prefigura a primeira leitura de Isaías, e que proclamamos como o Senhor exaltado pelo Pai porque passou pelo caminho da cruz. O caminho que O levou à glória foi o do serviço até à morte. Mas seguiam no caminho, de pé, com Jesus os seus discípulos, entre os quais os filhos de Zebedeu, que Lhe fizeram um pedido estranho… É curioso que Jesus acabara de anunciar a sua Paixão, Morte e Ressurreição pela terceira vez. E os seus discípulos ainda não aprenderam qual é o sentido da sua vida. Jesus permite-lhes assumir o Batismo como Ele o assume. Mas conceder os lugares na sua glória só ao Pai é dado conceder. É curioso que o ponto mais alto da glória de Jesus é o da Cruz, onde o Pai concedeu aos dois ladrões estar ao lado de seu Filho unigénito. É curioso, não é? É porque este Sumo Sacerdote é capaz de se compadecer das nossas fraquezas!
“Não deve ser assim entre vós”: como entre os que são considerados chefes das nações; mas ser servos e escravos de todos, como Jesus dá o exemplo. É curioso que Jesus é Sumo Sacerdote segundo a linhagem dos profetas e não como os sumos sacerdotes do seu tempo, que só exerciam poder político, que O vieram a matar. Os discípulos de Jesus andavam iludidos com o messianismo político que acabou por abandonar o Mestre às mãos dos seus algozes. Jesus “foi provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado…”. O método de Jesus é assemelhar-Se e não diferenciar-Se por títulos, cargos ou exuberância. A este respeito, é curioso que o novo Cardeal Timothy Radcliffe, que costuma andar vestido com um simples hábito de dominicano, tenha pedido ao Papa Francisco para no próximo Consistório o dispense de se vestir de púrpura, ao que o Papa consentiu. Já o Santo Padre tinha, anteriormente, numa carta aos novos cardeais (conforme se mostra em baixo, com sublinhados) pedido que o título de servidor (diácono) ofusque cada vez mais o de “eminência”. A mesma humildade foi testemunhada pelo cardeal franciscano Raniero Cantalamessa.
Poderíamos descobrir os perigos do poder e as valências do serviço. Quais são os perigos do poder? O poder submete ou subjuga, obscurece, é egoísta; portanto, não é opção para os cristãos. Já o serviço é libertador, é carismático, fraterniza. Conclusão: a sinodalidade é um desafio ao poder.
É curioso que no próximo Domingo XXX do Tempo Comum vai aparecer-nos um personagem que contrasta com Tiago e João, filhos de Zebedeu. Vejamos: aqueles dois vão de pé a caminhar com Jesus, o cego Bartimeu está sentado à beira do caminho. Aqueles não vêm bem e querem sentar-se; este não vê mas ouve bem e quer levantar-se. Aqueles querem que Jesus faça o que eles querem; o cego suplica “tem misericórdia de mim”. Aqueles querem ganhar sem perdas, o Bartimeu larga a capa, dá um salto e segue Jesus.
Quantas vezes na nossa vida cristã somos atraídos para um imaginário de altura, de grandeza? Jesus, ao contrário, usa imagens de descida, de rebaixamento, de imersão. Nós já não nos contentamos com o mais alto título que um ser humano pode receber (mesmo acima de Papa, Bispo, etc.) que é o de filhos de Deus; e Ele usou sempre para Si o nome de Filho do homem!!!!!!!!!!!!!!!!!! A glória que Jesus pede não pertence ao simbolismo do poder e da supremacia, mas apenas do amor que se manifesta no serviço.
À luz da mensagem do Santo Padre para este Dia Mundial das Missões, a missão urgente de sempre é: ir e convidar a todos para o banquete.
À luz da renovação da Igreja através da Catequese, conclui-se que “ou a mesma se torna vida ou é como se não existisse“.

