L 1 2Tm 2, 8-15; Sl 24 (25), 4bc-5ab. 8-9. 10 e 14 Ev Mc 12, 28b-34
Como lemos na admonição do Evangelho deste dia: O amor de Deus foi sempre e sempre será o fundamento de toda a lei de Deus, tanto do Novo, como já do Antigo Testamento. A citação que Jesus faz, ao dizer: «Escuta, Israel!», é, precisamente, o princípio da oração que os Judeus rezam todos os dias, e que lhes lembra diariamente esse primeiro e maior mandamento. O segundo mandamento, o amor do próximo, é a consequência e a aplicação do primeiro. Compreendê-lo é estar às portas do reino de Deus, e praticá-lo é ter entrado nesse mesmo reino.
“Escuta…” e “Amarás…”. Vejo estas expressões de Jesus como que o “Ora et labora” dos monges adaptados à vida de qualquer cristão, chamado a fazer “sacra” a própria vida, para não dizer só “sacrificar” (muitas vezes praticado com sacrifícios sem consequência evangélica), nem somente “santificar” (frequentemente dentro de uma redoma antissocial), mas, em síntese: justificar diante de Deus o facto de a nossa vida já ser sagrada, porque fundamentada numa dignidade infinita. O que implica um caminho e um jogo nas imediações do Reino de Deus, entre o estar fora (por uma mera compreensão da verdade) e o estar dentro (pela prática da mesma verdade). E esta jogo, como comprova a experiência de Paulo e Timóteo, é um jogo comunitário, da transmissão da fé, esta dimensão que preocupa tanto, hoje, a Igreja (cf. Evangelii gaudium).
O Apóstolo Paulo dá um testemunho eloquente quando escreve a Timóteo, mostrando que “a Palavra de Deus não está encadeada”, quer dizer, encarcerada, uma vez que foi a prática da mesma que o levou a estar preso. O seu testemunho convida a sofrer com Cristo para com Ele reinar, de forma que nem sequer as nossas infidelidades podem impedir que Jesus permaneça fiel. Mas se O afirmarmos com as nossas obras, teremos uma vida comprovada pela graça de Deus.
Paulo transmite ao seu discípulo e, até certo ponto, sucessor, a missão que ele próprio recebera de anunciar a palavra de Deus. Embora prisioneiro, ele sabe que a palavra de Deus é libertadora; e, por isso, a continua a anunciar. Libertação é, em última análise, a que é fruto do mistério pascal: quem vive unido a Cristo, fiel à sua palavra, com Ele viverá para sempre.
Que o tempo de adoração de que disporemos hoje seja oportuno para entrarmos neste “jogo” da escuta de Deus, pedindo a Jesus que nos liberte das intermitências e inconsistências que nos impedem de lhe dar uma melhor resposta através do amor a Ele e aos irmãos.
