L 1 At 18, 1-8; Sl 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4 Ev Jo 16, 16-20
Em Corinto, Paulo conhece Áquila e Priscila. Descobre que têm muito em comum. Junta-se eles. Trabalham juntos. Tem uma mensagem muito importante a transmitir a todos. Primeiro prega somente ao sábado, mas depois consagra-se totalmente à pregação. E é curioso que não é por falta de colaboradores, pois começa a fazê-lo quando Silas e Timóteo chegam da Macedónia. Mais colaboradores, pregação mais intensa. Significa que a pregação é uma missão mesmo muito importante.
Imagino que há aqui vários níveis de pregação, tendo em conta as várias etapas em que se encontram os que “mergulham” no caminho cristão. Mas também há vários tipos de destinatários, entre os gregos e os judeus. Com estes, especialmente, Paulo teve de ser mais incisivo quanto à verdade de Jesus ser o Messias. Foi o suficiente para ter a oposição dos judeus e quanto mais se tornava difícil a missão entre eles, mais facilmente Paulo se voltava para o anúncio da verdade aos gentios. É curioso, também, que indo para casa de Tício Justo, um morador perto da sinagoga, pôde converter Crispo, chefe da mesma, depois da qual surgiu uma onda de conversões. Esta onda vai valer-lhe algumas dificuldades com as autoridades civis. É assim que a pregação do Apóstolo, entre a praça e a prisão, se parece com as palavras de Jesus que escutamos no Evangelho, de deixar de O ver e voltar a vê-l’O.
No Evangelho, Jesus diz algo ambíguo como “daqui a pouco já não me vereis e pouco depois voltareis a ver-Me”. Há aqui a alusão a um tempo intermédio e a um tempo final. Pode entender-se, à primeira vista, a respeito dos acontecimentos que se avizinham, da morte, ressurreição e aparições. Pode, também, referir-se à sua Ascensão e à sua vinda no final dos tempos. Seja como for, é importante que os cristãos se sintam unidos a Jesus e ao Pai pelo Espírito, não obstante o hiato da morte de Cristo.
Na “bíblia” da antropologia da vocação cristã (Sviluppo umano, psicologia e mistero, FRANCO IMODA 2005), descobrimos que os três parâmetros essenciais para o desenvolvimento humano são: presença, ausência e estádios. Assim é na dimensão biológica, como na dimensão psicológica, relacional e espiritual. Contribuem para o crescimento ou maturação da pessoa a alternância de um conjunto de medicações diferenciadas que facilitam a continuidade do desenvolvimento autobiográfico da mesma. Em todas as etapas, segundo modalidades diversas.
A expressão “daqui a pouco” era utilizada por qualquer rabino judeu para animar na esperança. Os discípulos de Jesus não entendiam o que Ele estava a dizer, mas uma coisa eles intuíam: que os tempos finais de alegria seriam antecedidos por um tempo de tribulações, como as da mulher que sofre o parto na espera de dar à luz. Enquanto o tempo intermédio será para os discípulos de tribulação, para Jesus é a hora de dar testemunho e de ir para o Pai. Os discípulos compreenderão esta realidade quanto mais compreenderem o mistério de Jesus, sobre Quem O envia, a missão que levava a cabo e o futuro que anunciava (ex. discípulos de Emaús, em Lc 24,13-35). A incompreensão deixa de existir à medida que o mistério da vida de Cristo é anunciado e acolhido.
A este respeito, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) refletiu:
O nosso Salvador disse aos seus discípulos que Se ia ausentar durante algum tempo, que eles ficariam tristes e que o mundo se alegraria. Mas que isso seria bom para eles. Eles tinham demasiado apego humano à pessoa de Jesus e Ele teve de Se distanciar deles para que pudessem receber o seu Espírito interiormente. Do mesmo modo, é bom para nós sermos privados de consolos humanos, do apoio de um representante humano de Cristo e até de consolações interiores, porque isso nos abre a bens espirituais mais profundos. Podemos entristecer-nos com a ausência do Senhor e achar que o tempo é longo, mas devemos ter a certeza de que ele não nos deixa sós.
Há poucos instantes, dentro da celebração das Vésperas II da Solenidade da Ascensão do Senhor (celebrada neste dia dentro do Vaticano), o Santo Padre entregou para ser lida a Bula de Proclamação do Jubileu 2025. O texto, intitulado Spes non confundit (A esperança não desilude), anuncia solenemente o início e fim das celebrações do próximo Ano Santo, 27.º jubileu ordinário da história da Igreja. Desde já, o Santo Padre deixa mensagens de esperança a doentes, migrantes, pobres, jovens e idosos. E propõe amnistia para presos. Apela a trégua global e defende perdão das dívidas de países pobres, como forma de reparação histórica. E que o primeiro sinal de esperança se traduza em paz para o mundo, mais uma vez imerso na tragédia da guerra. São estas algumas das motivações para a celebração deste Jubileu que se encaminha para os dois mil anos da Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (em 2033).
Hoje celebra-se, também, o Dia Mundial da Escola Católica, que este ano tem como tema “Escola Católica, Escola de Paz”, nos 25 anos da criação da APEC, ocasião em que os nossos bispos da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé escrevem uma mensagem em que exortam, unidos ao Santo Padre, que a Escola Católica “não seja administradora de medos mas empreendedora de sonhos, acreditando que o Espírito a acompanha e ilumina e a ajuda a discernir os sinais dos tempos“.

Hoje vive-se o dia das Rogações. Na história da Igreja tiveram muitas modalidades. No essencial, o importante é usar esse tempo para intensificar as nossas orações, sabendo que Deus quer derramar graças abundantes sobre nós, diante dos males a que neste tempo nos assustam. Podem acontecer com ladainhas e procissões exteriores, mas também é bom que aconteçam a partir de súplicas e um caminhar interior.
