navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Sb 2, 23 – 3, 9; Lc 17, 7-10

Apesar de ter sido um o leproso que voltou para dar glória a Deus com a prostração aos pés de Jesus, o Mestre sabia que os outros nove ficaram curados. Terão esses nove, ao menos, ido mostrar-se aos sacerdotes, de modo a que aquela cura lhes servisse de sinal para o caminho de Jesus? Na verdade, o relato do Evangelho de hoje só nos fala de um cuja cura tenha sido manifestação da fé, enquanto que a cura dos outros nove foi manifestação da benevolência de Deus.

Por vezes, a interpretação destes textos fica-se pela ponta do “iceberg”, quer dizer o que se vê ─ a fé daquele que voltou para dar glória a Deus. Porém, o que está escondida a maior parte desse “iceberg” ─ a benevolência de Deus que é maior do que o pecado ou a indiferença. A este respeito, é preciso lembrar que não é o pecado ou a indiferença do homem que dão origem à misericórdia de Deus, pois Ele é misericordioso desde sempre, já o era independentemente de o ser humano precisar ou não da sua misericórdia. Podemos, mesmo ler o Prólogo de João (Jo 1) assim: “No princípio era a Misericórdia…”.

A fé, vista pela forma como Jesus se relaciona com aqueles que cura pelo caminho, é como uma lente bifocal: contempla a cura física e reconhece a origem do poder que a realiza. Quando existe fé, a cura física anda quase sempre de mãos dadas com a cura espiritual. E a cura espiritual, quando a cura física não acontece, corresponde à capacidade heroica de integrar as debilidades no caminho indicado por Cristo para a vida plena.