navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Cl 1, 21-23; Lc 6, 1-5

Lembra o Catecismo da Igreja Católica (§§ 2168-2173) que o terceiro mandamento do Decálogo se refere à consagração do sábado, com duas finalidades: fazer memória da criação e fazer memória da libertação de Israel, que se sintetizam na Aliança inviolável. O sábado é para o Senhor, santamente reservado ao louvor de Deus, da sua obra criadora e das suas ações salvíficas a favor de Israel.

Então porque foi precisa uma nova Aliança, que implicou que Jesus, nomeadamente, em numerosos em que Ele mesmo é acusado de violar a lei do sábado. Uma coisa é certa: Jesus nunca violou a santidade desse dia. Ele dá-lhe uma interpretação autêntica, corrigindo o modo com que se vive, com a máxima «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado». Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la. O sábado é o dia do Senhor, das misericórdias e da honra de Deus. «O Filho do Homem é senhor do sábado».

Há pessoas que, como os fariseus, pensam como se só existissem duas cores, preto ou branco, duas possibilidades de ação, proibida ou permitida, dois modos de experienciar os acontecimentos, negativo ou positivo, duas categorias de pessoas, más ou boas… tudo em modo dual e exclusivo. É isto que não é permitido por Jesus! Proceder deste modo é anular o Espírito Santo e não querer fazer discernimento. Logo, abre-se espaço à manipulação das consciências que, como sabemos é uma das formas, não a única, de abuso de poder.

Todos os seres humanos, à face da terra, são chamados a fazer o seu caminho pessoal que passa por uma resposta pessoal ao desígnio amoroso de Deus e por uma abertura à comunidade. Fruto da experiência vivida na JMJ e da mensagem ali recebida, os formadores de Lisboa estão a preparar os subsídios para a próxima Semana dos Seminários, que decorrerá de 5 a 12 de novembro de 2023, sob o tema “Não tenhas medo. Serás pescador de homens.” Os seminaristas do nosso Seminário Interdiocesano de São José tiveram o privilégio de viver estes exercícios espirituais para percorrerem sempre o caminho que vai do ser curado ao ser curador. Porque no projeto de Jesus não há ninguém excluído, mas quer enviar uns ao encontro de outros, para que todos tenham acesso ao seu Reino de fraternidade, justiça e paz.

A Igreja vive momentos delicados de renovação e dentro das suas “máquinas” (como nas máquinas de um grande navio), por vezes, “cheira muito mal”, como disse um dia o Card. Newman, convidando-nos, sobretudo, a permanecer junto à vela que se deixa levar pelo vento do Espírito Santo. De facto, diante da renovação, há sempre vozes que pretendem meter medo, quando a mensagem de Jesus é “Não tenhas medo!”

O Apóstolo diz-nos «permanecei firmemente consolidados na fé e inabaláveis na esperança prometida pelo Evangelho que ouvistes e que foi anunciado a toda a criatura que há debaixo do céu. Eu, Paulo, fui constituído ministro deste Evangelho.» Por isso, é preciso revisitar continuamente o Evangelho de Jesus: é a sua vida, é o seu modo de proceder. Não nos podemos ficar por uma mera proclamação litúrgica, mas por uma assimilação dos seus valores. De outro modo, ficaremos por versões de interpretação simplistas e ideológicas, que não levam à missão em favor dos pobres. Durante a semana de pastoral litúrgica que aconteceu por estes dias, um famoso biblista aprofundou a história dos ministérios. E o ministério mais importante é o que Paulo recebeu, o de Evangelizar, que quer dizer: colocar em prática o Evangelho.