navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Sb, 3,1-9; Lc 24, 13-16.28-35 ─ Do Ritual da Exéquias

A Sabedoria de Deus é a única que nos pode ajudar a iluminar este momento de dor que é a passagem de um ente pela morte terrena.

A primeira leitura leva-nos a pensar que as mãos com que Deus nos criou, moldando o barro frágil que nós somos, insuflando-nos o seu Espírito santo, são as mesmas mãos com que nos guia e nos protege pelos caminhos desta vida terrena, e são as mesmas mãos com que nos acolherá no seu regaço, como acreditamos que está a acolher este/a nosso/a irmão/irmã.

A Sabedoria ajuda-nos a elevarmos o olhar para o que Deus promete, convidando-nos a crer na vida completa que está para além desta existência terrena. Garante-nos que a morte para este mundo não é castigo nenhum, mas a experiência em que nos é dado experimentar o desvelar dos mistérios que Deus nos promete.

O episódio dos discípulos de Emaús não serve só para falarmos de iniciação cristã, conforme os catequistas sabem. Proclamado neste contexto exequial, constitui uma verdadeira “escola do luto”, ou seja, para se aprender a viver e acompanhar o melhor possível quem vive o luto. Contemplam-se os seguintes passos ou dimensões:

1) É preciso continuar a caminhar, ainda que pareça que se vai na direção errada ou o horizonte parece escuro.

2) É saudável ir ao encontro e deixar-se encontrar por alguém que dê aos que vivem o luto uma palavra de alento ou, somente, um olhar de compaixão ou ombro amigo.

3) É benéfico recordar os momentos que se viveram com a pessoa querida que partiu, reconhecendo-se o amor que continua a arder no coração a dar coragem para se continuar a anunciar o bem recebido, onde buscar recursos escondidos para se fazer o bem aos outros.

À luz deste Evangelho, o luto vivido com Cristo deixar de ter aquela face que professa que tudo acabou, para se transformar naquela face que olha para o futuro com esperança.