Desejo ardentemente

PAPA FRANCISCO, Desiderio desideravi, sobre o Batismo

12. O nosso primeiro encontro com a sua Páscoa é o acontecimento que marca a vida de todos nós que acreditamos em Cristo: o nosso Batismo. Não é uma adesão mental ao seu pensamento ou a subscrição de um código de comportamento imposto por Ele: e o imergir-se na sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. Não é um gesto mágico: a magia é o oposto à lógica dos sacramentos porque pretende ter um poder sobre Deus e por essa razão vem do tentador. Em perfeita continuidade com a encarnação, é-nos dada a possibilidade, por força da presença e da ação do Espírito Santo, de morrer e ressuscitar em Cristo.

13. É comovedor o modo como isto acontece. A oração de bênção da água batismal revela-nos que Deus criou a água precisamente em vista do Batismo. Quer dizer que ao criar a água Deus pensava no Batismo de cada um de nós e que este pensamento o acompanhou no seu agir ao longo da história da salvação todas as vezes que, com desígnio bem determinado, se quis servir da água. É como se, depois de a ter criado, a tivesse querido aperfeiçoar para chegar a ser a água do Batismo. E assim a quis encher do movimento do seu Espírito que pairava sobre ela (cf. Gn 1, 2) para que contivesse em germe a força de santificar; usou-a para regenerar a humanidade no dilúvio (cf. Gn 6, 1-9.29); dominou-a, separando-a para abrir um caminho de libertação no Mar Verme lho (cf. Ex 14); consagrou-a no Jordão nela imergindo a carne do Verbo repleta de Espírito (cf. Mt 3, 13-17; Mc 1, 9-11; Le 3, 21-22). Por fim, misturou-a com o sangue do seu Filho, dom do Espírito inseparavelmente unido ao dom da vida e da morte do Cordeiro imolado por nós, e do lado trespassado a derramou sobre nós (Jo 19, 34). É nesta água que fomos submergidos para que pelo seu poder pudéssemos ser enxertados no Corpo de Cristo e com Ele ressuscitar para a vida imortal (cf. Rm 6, 1-11).

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