Com o GPS da misericórdia, Deus recalcula ou recentra o nosso caminho para casa

Ex 32, 7-11. 13-14; 1 Tim 1, 12-17; Lc 15, 1-32

Quando navegamos na estrada com a ajuda de um GPS, por não conhecermos bem o itinerário, e nos enganamos, a voz gravada que ouvimos não nos chama de nomes feios por nos termos enganado, mas diz qualquer coisa como “a recalcular o itinerário”; ou, então, quando conhecemos mais ou menos o caminho, mas nos desviamos um pouco, aparece no ecrã um botãozinho com a expressão “recentrar”, para que vejamos bem o ponto em que estamos no trajeto para o destino.

A programação trivial de um GPS pode ser uma metáfora da forma como Deus exerce a sua misericórdia para com as suas criaturas e filhos, quando se enganam por ignorância ou quando erram, apesar de saberem o destino e o caminho. Para os antigos, Moisés serviu de GPS; para nós, é Jesus, o “novo Moisés” que veio iluminar o caminho dos pecadores.

A incarnação, a vida, a paixão, morte e ressurreição de Jesus deixam claro que o Deus de misericórdia jamais pode esquecer-Se da sua nova aliança e ameaçar de morte aqueles que se enganam ou desviam no caminho. Não podemos propor a vida cristã como se não se tivesse iniciado o Novo Testamento, ignorando as Escrituras.

O pecado leva à rutura das relações e à morte, mas ainda não é a condenação: a condenação é não querer a própria salvação e a dos outros.

Os fariseus e os escribas seriam ignorantes quanto à oração com que Moisés aplacou a Deus, diante do povo corrompido e de dura cerviz. Esta oração foi provocada, por um lado, pelo convite de Deus a Moisés para que descesse depressa a cuidar deste povo desviado, por outro da memória dos fiéis servos que receberam a promessa de Deus.

No fim dos tempos, Deus enviou-nos Jesus Cristo, como última e definitiva oportunidade de salvação. Ele é o GPS mais atualizados que temos e não há outro.

Nas três parábolas que nos conta, duas na fórmula breve e outra na fórmula longa do Evangelho proclamado, a maior preocupação de Jesus é demonstrar o louco exagero do amor de Deus que concentra todos os seus esforços para restabelecer a harmonia das relações, à maneira de um pastor e de um pai.

A liturgia deste XXIV Domingo do Tempo Comum (C) garante-nos que para Deus ninguém está definitivamente perdido, a não ser que caia num desespero que não considere a misericórdia de Deus como remédio para a salvação.

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