Mt 1,1-16.18-23, na Natividade da Virgem Santa Maria

A fé no único Deus gera para um caminho que não é linear, mas que tem um horizonte preciso de salvação. Deus escreve direito por linhas tortas! De um lado excede-Se em misericórdia, de outro asperge os sonhos, para que, como acontece com os efeitos especiais nas balas do filme Wanted, consiga atingir um objetivo por entre obstáculos. Por entre estes sonhos está o de salvar a humanidade com o nascimento e a vida de Jesus Salvador.

A natividade da Virgem Maria é já aurora desse Nascimento que promete librar-nos deste desterro em direção ao Pai, de forma que ninguém pode regressar à Pátria sem se deixar aconchegar pela Mátria. A masculinidade de gerar para a vida terrena cede espaço ao modo divino de gerar para a vida eterna, concrerizado na virgindade de Maria pelo Espírito Santo.

Todo este mistério da fé continua a acontecer, apesar da tortuosidade do caminho humano, onde a Palavra deambula sempre até encontrar almas que lhe sirvam de “mátrias”. Assim, nesta “humanidade de acréscimo” possa ser renovado aquele mistério em que o Espírito de Amor como que prolonga a encarnação do Verbo (cf. Isabel da Trindade, NJ 15).

Como afirma Paulo, “Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados, segundo o seu desígnio”. Que quem por bem vive nesta terra nunca se sinta fora deste desígnio salvífico, transmitindo às gerações futuras, já no presente, por gestos e palavras, o amor que recebeu.

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